Um projeto de lei aprovado esta semana na Câmara Municipal de Blumenau gerou um verdadeiro debate sobre patrimônio cultural. A polêmica é sobre o projeto do vereador Jefferson Forest (PT), que propõe o tombamento da famosa linguiça Blumenau. No entanto, para especialistas no assunto, há falhas com relação à forma escolhida para homenagear a iguaria catarinense. A escolha correta seria um registro de imaterialidade.

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Blog do Pancho: Linguiça Blumenau é patrimônio cultural

A linguiça da discórdia começou no blog do Pancho, do jornalista do Jornal de Santa Catarina, Francisco Fresard, que ouviu o vereador Jefferson Forest sobre a finalidade do projeto.

– Serve como um reconhecimento do município de que se trata de um produto tipicamente blumenauense e determina a receita da iguaria – diz o vereador.

O historiador Viegas Fernandes da Costa questionou a escolha da homenagem, pois tombamento só poder ser concedido para bens materiais:

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– Tombam-se prédios, conjuntos, objetos, sítios arqueológicos, parques ambientais, paisagens, documentos, fotografias, obras de arte, etc. Mas não se tomba uma linguiça, porque o que se pretende é registrar sua imaterialidade, ou seja, o saber-fazer único que está associado a ela.

Em resposta ao blog do Pancho, a arquiteta e urbanista Maria Regina Wessheimer, chefe da Divisão Técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Santa Catarina (Iphan/SC), respondeu que uma lei municipal pode ser suficiente para reconhecer o valor e a proteção de bens culturais.

– É um ato declaratório legítimo. Idealmente, deve vir acompanhada de um estudo preliminar, com a caracterização do bem e a justificativa para o seu reconhecimento – afirmou a urbanista, por e-mail.

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