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Educação com tecnologia 

Impressora 3D ajuda no ensino sobre os sambaquis em Joinville 

Peças do Museu Arqueológico do Sambaqui são reproduzidas pelo aparelho e integradas à kit que passa pelas escolas da cidade 

11/07/2019 - 08h05 - Atualizada em: 11/07/2019 - 08h04

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Hassan
Por Hassan Farias
Alunos aprendem sobre sambaquis com peças do museu
Alunos aprendem sobre sambaquis com peças do museu
(Foto: )

A tecnologia tem sido uma grande aliada do Museu Arqueológico do Sambaqui na reprodução de peças do acervo para uso didático nas escolas de Joinville. Desde o ano passado, uma impressora 3D permite replicar materiais históricos que depois são incluídos nos kits do museu, usados por professores nas salas de aula para ensinar a importância dos sambaquis para a história da cidade.

A reprodução das peças começou no segundo semestre do ano passado a partir do trabalho da pesquisadora Fernanda Borba, contemplado no edital do Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura (Simdec). Ela doou ao museu as réplicas feitas a partir de fotografias em alta resolução e projeções das peças. Segundo a coordenadora do museu, Roberta Meyer Miranda da Veiga, o uso da impressora 3D já é uma tendência e deve continuar sendo usada na unidade.

— Temos materiais que são coletados dentro da pesquisa e que estão dentro da coleção do museu, mas tem coisas que são resgatadas fortuitamente que têm uso pedagógico. A tendência é começarmos a investir nessas tecnologias para esse tipo de atividades didáticas — explica.

A reprodução das peças permitiu que o museu montasse um terceiro kit para percorrer as escolas. O primeiro existe desde 1992, a partir de uma pesquisa realizada pela unidade joinvilense em parceria com o Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (USP). O estudo aconteceu em uma região de sítio arqueológico no bairro Espinheiros, onde as famílias foram retiradas do local e participaram de um trabalho educativo sobre aquele ambiente.

Dessa experiência, surgiu a coleção itinerante para ajudar nos trabalhos educacionais sobre o tema. Um segundo kit foi criado após o museu ser beneficiado por um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em 2012, mas nenhum dos dois ainda contava com as peças criadas pela impressora 3D. Mesmo assim, quase 40 mil pessoas foram beneficiadas por esse trabalho desde o início da década de 1990.

— O kit é um recurso importante para as pessoas verem o sambaqui de outra maneira. É uma forma do museu sair de sua sede e ultrapassar os muros para tentar fazer o diálogo com a comunidade, mostrando que a região é habitada há muito tempo. As pessoas podem perceber essa herança cultural e entender um pouco sobre o que é essa preservação — destaca a coordenadora do museu.

Hoje, os kits são emprestados às escolas de acordo com a demanda de solicitações das próprias unidades. A prioridade é para aquelas que estão localizadas na área do entorno dos dez sambaquis existentes na cidade, mas todas as demais também podem receber o material. Segundo Roberta, quase todas as escolas da rede municipal de ensino buscam pelo kit, mas tem crescido a procura também de colégios estaduais e universidades.

David Barros da Silva segura um osso do kit do museu
David Barros da Silva segura um osso do kit do museu
(Foto: )

Oportunidade única para os alunos

O kit pode ser a oportunidade de um primeiro contato dos alunos com peças tão antigas e que contam um pouco da história de Joinville. O quinto ano da Escola Municipal CAIC Professor Desembargador Francisco José Rodrigues de Oliveira, no bairro Comasa, trabalhou com os materiais durante uma semana e as crianças ficaram empolgadas com a atividade.

O estudante David Barros da Silva, de dez anos, nunca foi ao Museu Arqueológico do Sambaqui e ficou impressionado com a oportunidade de poder encostar nos ossos e outras peças que estavam no kit. Segundo ele, essa foi uma chance única de ter contato com algo tão antigo.

— É bem legal pegar em uma coisa que é de muito tempo atrás. Quando a professora falou para a gente que ia fazer algo assim, eu fiquei muito empolgado porque nunca tinha visto, mas também deu um frio na barriga porque é algo que existe há 5 mil anos — conta.

A professora Clarina Alves do Prado já havia trabalhado o tema com a turma na confecção de uma maquete relacionada aos sambaquis, em que os pais também se mobilizaram para ajudar as crianças. No entanto, ela aponta que o uso do kit é uma maneira de mostrar e falar sobre os materiais de forma mais concreta, até como conscientização para os alunos, já que a escola está situada próximo de um sambaqui.

— Temos o cuidado para trabalhar na escola sobre temas como os sambaquis e o mangue porque são locais que parecem menosprezados, mas precisamos da comunidade para ter esse cuidado. Os alunos já ficam muito curiosos em sala, mas tendo as peças para eles encostarem e verem de perto é muito legal — explica.

Geralmente, as escolas ficam com o material durante uma semana. Além de abordar o tema relacionado as sambaquis, os kits também apresentam elementos que podem ser trabalhados em diversos aspectos, como biologia, antropologia, física, história, geografia e botânica. O Museu Arqueológico do Sambaqui também destaca a importância da atividade dentro da sala de aula estar vinculada a visita ao museu para complementar o aprendizado.

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