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Empreendedorismo

Incubadora pública de Joinville ajuda a melhorar a renda de empreendedores locais

Capacitação gratuita idealizada pela Prefeitura de Joinville leva oportunidade para cidadãos que estão iniciando o negócio próprio, principalmente pessoas em situação de vulnerabilidade social

03/10/2018 - 12h32

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Por Redação NSC
Curso é anual e gratuito e acontece no auditório do Cepat de Joinville
Curso é anual e gratuito e acontece no auditório do Cepat de Joinville
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Uma iniciativa do Serviço de Incentivo às Organizações Produtivas (Siop), vinculado à Secretaria de Assistência Social de Joinville, está levando capacitação gratuita para empreendedores locais, em especial, as pessoas em vulnerabilidade socioeconômica. Ainda pouco conhecida dos joinvilenses, a Join.Cubo é uma incubadora pública ativa desde 2016 e que já contribuiu com a formação de cerca de 100 participantes, se firmando como importante agente de fomento econômico comunitário.

A proposta é desenvolvida por meio de aulas e oficinas semanais ao longo do ano, que tem como objetivo levar ao empreendedor maior entendimento sobre o que é empreender, e como planejar e fazer uma gestão mais segura, que impulsione os negócios e se reverta na conquista de mercado.

— É um processo formativo para quem está começando um negócio como forma de complementação de renda ou substituindo a colocação no mercado formal. São pessoas que trabalham com artesanato, alimentação, prestação de serviços e, que, na incubadora recebem diversos conteúdos. O foco é orientar e investir na formação para que eles aprendam a fazer a gestão do seu negócio de forma mais organizada — explica a gerente de Fomento à Geração de Emprego e Renda do Siop, Lisielen Goulart.

Conforme ela, a Join.Cubo está em sua terceira turma e, no momento, capacita 25 pessoas através da realização de atividades elaboradas por assistentes sociais, psicólogos, administradores, além de coordenadores e gerentes do Siop. As aulas também contam com parcerias de entidades e instituições de ensino locais, como a Associação de Joinville e Região de Pequenas, Micro e Médias Empresas (Ajorpeme); Universidade da Região de Joinville (Univille) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Ampliação na geração de renda

Pamela Baiochi aponta crescimento nos negócios depois de ganhar aprendizado na incubadora pública
Pamela Baiochi aponta crescimento nos negócios depois de ganhar aprendizado na incubadora pública
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Nas oficinas são abordados temas como gestão, marketing, perfil do empreendedor, relacionamento com o cliente, produção, técnicas de precificação, além de questões legais e previdenciárias. Cada aluno também precisa desenvolver o seu próprio plano de negócios, com orientação e acompanhamento dos professores.

O resultado é que 80% dos empreendedores que concluíram a formação no programa mantém o empreendimento ativo, ainda que muitos ainda não sejam formais ou sejam utilizados como fonte de renda principal. Para as famílias em situação de vulnerabilidade o potencial de geração de renda é visto como diferencial.

— O retorno que temos normalmente dos empreendimentos que acompanhamos é que eles passaram a fazer uma precificação (dos produtos) mais correta, porque muitas vezes eles estavam perdendo dinheiro ou então deixando de ganhar. Eles passaram também a ter uma organização e um planejamento de negócio sabendo aonde eles querem chegar e como se organizar para conseguir tirar as metas do papel — conclui Lisielen Goulart.

Mentoria impulsiona resultados de pequenos negócios

A joinvilense Pamela Baiochi é uma das beneficiárias da primeira turma da incubadora. Depois de dez anos trabalhando numa indústria, há dois ela decidiu investir em um negócio próprio na área de gastronomia e gastou todo o dinheiro de sua rescisão, R$ 15 mil, na compra de uma máquina para fazer salgadinhos. A aposta no empreendimento aliada às orientações que recebeu na Join.Cubo hoje se refletem em desenvolvimento.

Em pouco mais de um ano a microempresária mudou de endereço e a “Delícias Baiochi” saiu de uma cozinha de um apartamento para ganhar forma em uma área própria anexo a sua nova residência. O marido dela, Alex, também saiu do emprego que tinha para ajudar a mulher. Por fim, a produção mensal saltou de 200 para 27 mil salgadinhos. Agora os próximos passos são a formalização e a aquisição de novos maquinários.

— Quando comecei não tinha planejamento mas uma certeza, de que a máquina de salgados seria a principal geração de renda para a minha família. Então conheci o Join.Cubo, fui atrás de orientação e através do que ia aprendendo eu colocava na prática. As conquistas mostram que tomei o caminho certo, mesmo ainda tendo muito o que investir — considera Pamela.

Márcia Aparecida dos Santos sentiu melhora no ambiente de trabalho depois de ingressar na Join.Cubo e repensar processos
Márcia Aparecida dos Santos sentiu melhora no ambiente de trabalho depois de ingressar na Join.Cubo e repensar processos
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Economia solidária

Com o mote de impulsionar também ações compartilhadas, a incubadora não foca apenas nos casos individuais, ela agrega representantes de cooperativas e associações. Um dos exemplos vem da recicladora Márcia Aparecida dos Santos, que recebe capacitação na Join.Cubo e leva o aprendizado para seus colegas de trabalho na Associação Ecológica dos Catadores Recicladores de Joinville (Assecrejo), onde trabalha há dez anos.

A entidade está se formalizando para se tornar cooperativa e as orientações adquiridas nas oficinas são consideradas pela administração do estabelecimento como essenciais para o futuro da organização. Conforme Márcia, que representa o grupo na incubadora, o maior aprendizado que leva para os colegas é o de que todos eles são empreendedores. Para ela, é essencial mostrar os valores de cada um e como eles devem lidar com o cliente, fazer pesquisas de mercado, manter a atividade diante de uma crise ou mesmo conquistar mais espaço no mercado.

— Por meio da capacitação já pensamos em bastantes projetos e queremos crescer, melhorar o galpão e a qualidade do nosso trabalho. Já mudamos alguns processos e nossa intenção é ser uma referência e mostrar que trabalhar com a reciclagem, quando há organização, pode dar certo. Estamos abrindo a mentalidade do pessoal de que podemos mais, ter um salário digno e ser tratados não só como cidadãos, mas como bons empreendedores — cita ela.

De acordo com o presidente da Assecrejo, Severino Tavares 17 famílias dependem dos rendimentos da associação e as primeiras mudanças começaram a aparecer. Hoje eles reciclam cerca de 70 toneladas de materiais por dia e, com os projetos em desenvolvimento ou que pretendem desenvolver querem chegar a 150 toneladas. A intenção é que o rendimento médio por trabalhador, de aproximadamente R$ 1,4 mil, também cresça e alcance o dobro do valor atual.

Entre as mudanças já notadas desde que a associação começou a receber mentoria está a otimização do serviço, com a implantação de esteira de triagem, braço hidráulico (que estava parado há seis anos), destinação correta de não reciclados, além da formulação de caixa para a Assecrejo - que possibilitou a aquisição de um veículo de fretes pago a vista por R$ 57 mil. Também houve fortalecimento de campanhas para descarte consciente.

—As melhorias são sentidas até mesmo na linguagem, no modo de se vestir, na organização do serviço e no aumento de produtividade e de renda. Já conseguimos, por exemplo, sair de um atravessador através do diálogo e da separação de um material melhor e de mais qualidade, negociando com a indústria. A sucata era vendida como uma coisa só e nisso estávamos perdendo dinheiro, enquanto atualmente separamos por tipo de material e os vendemos com valores diferenciados — conta Severino.

Inclusão

Outro viés importante é o do empreendedorismo inclusivo. Atualmente, a incubadora realiza formação diferenciada para 26 usuários dos Serviços Organizados de Inclusão Social (Sois), do município. A medida amplia o olhar de geração de oportunidades de renda e de qualidade de vida para os joinvilenses.

— São pessoas que apresentam algum transtorno mental e também tem acesso ao programa. Fazemos as oficinas em separado, mas o conteúdo é o mesmo que o da outra turma. A diferença está na dinâmica do trabalho, em que acabamos respeitando mais o tempo de aprendizado de cada um deles para que, de fato, entendam o conteúdo e possam usar isso também na associação — aponta a gerente do Siop.

COMO PARTICIPAR

Normalmente o edital de participação na Join.Cubo é aberto pela Prefeitura de Joinville no início de cada ano. Qualquer cidadão pode se inscrever no processo de seleção conforme adequação aos critérios estabelecidos. A prioridade de ocupação das vagas considera as pessoas que possuem cadastro único e que sejam atendidas pela Secretaria de Assistência Social, em situação de vulnerabilidade social. As aulas acontecem às terças-feiras, das 8h30 às 11h30 no auditório do Centro Público de Atendimento ao Trabalhador (Cepat).

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