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Saúde

Índices de radiação ultravioleta nos próximos dias exigem prevenção extrema

A previsão de sol, praticamente sem influência de nebulosidade elevou o índice ultravioleta (IUV), que mede esta parte da radiação solar, para o nível extremo desde sexta-feira até pelo menos terça

18/02/2017 - 05h01 - Atualizada em: 18/02/2017 - 07h40

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Por Redação NSC
(Foto: )

Se a torcida era por dias ensolarados no fim de semana que antecede o Carnaval, os pedidos foram atendidos. Muito atendidos. Até demais. A previsão de sol, praticamente sem influência de nebulosidade elevou o índice ultravioleta (IUV), que mede esta parte da radiação solar, para o nível extremo desde sexta-feira até pelo menos terça. Segundo dados do CPTEC/Inpe, órgão federal que monitora o IUV, a radiação no Estado deve chegar a 14 em uma escala que vai de 1 a 16.

Os índices extremos de raios ultravioletas são um alerta a mais para Blumenau, que detém o preocupante título de terceira maior incidência do mundo em melanoma maligno, um dos tipos mais agressivos de câncer de pele. São em média 32 casos para cada 100 mil habitantes. O motivo? Uma combinação. Não aquelas de sucesso no verão como praia e frescobol, churrasco e pool party, vôlei e Ramiro, mas uma mistura bem menos sadia e de risco: sol forte e pessoas de pele clara, como descendentes de alemães e italianos. Com o agravante da camada de ozônio fragilizada por aqui.

Entre os idosos, o alcance do câncer de pele em Blumenau é ainda maior, com até 600 casos por 100 mil habitantes, segundo o dermatologista blumenauense e presidente da Comissão Científica Nacional da Sociedade de Dermatologia, Nilton Nasser, responsável por um estudo feito ao longo de 31 anos sobre o tema.

- Tem uma frase de um amigo meu que diz que o câncer de pele é semeado na infância, adubado na juventude e colhido na fase adulta. A radiação solar é cumulativa e, como as pessoas estão vivendo mais, há mais gente manifestando a doença na terceira idade - explica o especialista.

O panorama alarmante sobre o câncer de pele por aqui exige preocupação extra em períodos de alta radiação ultravioleta como este. Não que o fenômeno seja tão incomum. Segundo a pesquisadora responsável pelo IUV do CPTEC/Inpe, Simone Sievert, os índices extremos (acima de 11) costumam ocorrer em semanas de verão que não têm nebulosidade - dessas em que o azul do céu de brigadeiro se confunde com o da água clorada das piscinas. Já nos invernos do Sul o IUV despenca para 3 e 4, enquanto no Nordeste segue alto o ano todo. Ainda assim, por ser o principal responsável pelos casos de câncer de pele, representam um risco a mais para quem fica exposto ao sol de desenvolver manchas ou pintas assimétricas e escuras, de tom irregular e evolução rápida, uma das manifestações do câncer de pele.

- Esse índice significa que uma pessoa de pele clara queima em apenas cinco minutos de exposição ao sol entre as 11h e as 14h, horário de maior incidência de radiação ultravioleta - detalha Nasser, que alerta os mais céticos do astro-rei: quanto mais queimadura, mais chance de desenvolver a doença.

Muito além do "torrão"

O efeito imediato de se expor ao sol em dias como esses são as queimaduras de primeiro grau - aquelas que fazem desviar as costas do chuveiro e dormir de bruços por alguns dias - e até segundo grau. Mas, além de causar envelhecimento e deixar seus vermelhões, o popular "torrão" tem consequências bem mais severas, como aumentar o risco de câncer. O especialista em Dermatologia e professor da Univali, Maurício Amboni Conti, não recomenda exposição maior do que 15 minutos nesses períodos, lembra a necessidade de cuidar das crianças, que têm pele mais fina, e defende medidas de proteção. Veja bem, medidas. Não só o filtro solar, mas também roupa, chapéu, guarda-sol. E, claro, se der, sombra e água fresca.

- Dividimos exposição em dois tipos, aquela crônica, de quem está na rua todo dia, que é mais associada a envelhecimento, e a queimadura solar aguda, que tem mais chance de câncer. E o sol cobra a conta atrasada mesmo, pode haver uma diferença de até 30 anos entre causa e consequência - pontua Conti.

Aplicativo de Blumenau evolui para rastrear a pele

Em dezembro de 2012, o aplicativo iMelanoma foi desenvolvido pelo acadêmico de Ciência da Computação da Furb, Thiago Pradi, e pelo professor Aurélio Hoppe para ajudar a apontar sinais e manchas que poderiam vir a ser consideradas câncer de pele. Quatro anos e dois meses depois, o professor continua à frente do projeto e a ferramenta passa por alguns aprimoramentos sobre luminosidade e distância do objeto fotografado. O aplicativo também incorporou serviços como o acompanhamento de pintas e lesões que precisam ser monitoradas para não evoluir.

A ferramenta encontrou alguma resistência entre profissionais de saúde, mas é vista pelo professor como uma aliada na prevenção e não uma concorrência com os serviços e profissionais de diagnóstico.

- A intenção não é garantir um resultado, mas dar um indicativo para procurar um médico em caso de necessidade. Entre o paciente nunca se preocupar ou ter um aplicativo dizendo que seria bom ela procurar um profissional, acho que a segunda opção é mais interessante - sustenta Hoppe.

O trabalho é feito por alunos da Furb que fazem trabalhos de conclusão do curso. O professor diz que a intenção ainda é disponibilizar o aplicativo gratuitamente nas lojas virtuais, mas por enquanto ele não está disponível e não há prazo para que isso ocorra.

Como se prevenir

- Evitar o sol das 10h às 16h, horário em que há maior incidência de raios ultravioletas.

- Usar chapéu com abas largas, roupas de algodão, guarda-sol e sombrinhas para se proteger do sol.

- Passar protetor solar fator 30 e repor a cada duas horas, no caso de pessoas de pele clara, e de quatro em quatro horas para quem tem a pele mais escura.

- Tomar muita água para evitar risco de desidratação.

- Atenção especial às crianças, que têm pele mais vulnerável a queimaduras solares.

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