nsc
    dc

    Gestão de Valor

    Inovação tecnológica avança em Santa Catarina

    Maior a cada ano, setor moderniza as cadeias produtivas, gera empregos e contribui com o desenvolvimento do Estado

    10/10/2018 - 19h11 - Atualizada em: 11/10/2018 - 10h21

    Compartilhe

    Por Redação NSC
    (Foto: )

    Com R$ 15,5 bilhões em faturamento e exportando para os cinco continentes, o setor de tecnologia representa 5,6% da economia de Santa Catarina. São 12,3 mil empresas, com receita média de R$ 1,255 milhão, mais de 16 mil empreendedores e aproximadamente 47 mil colaboradores. Esse importante segmento se destaca como um dos mais promissores para o crescimento do Estado. Não apenas pelos números, mas pelo impacto direto na modernização das cadeias produtivas, tais como metalmecânica, têxtil, agroindustrial e construção civil.

    Dados mostram que o setor cresceu cerca de 10.000% desde 1986. Hoje o Estado é o terceiro maior do Brasil em densidade de colaboradores (relação entre o número de pessoas que trabalham no setor de tecnologia por 100 mil habitantes), perdendo apenas para o Amazonas e o Distrito Federal. Em faturamento médio, ocupa a quarta posição. Entre 2015 e 2017, o número de empresas catarinenses de tecnologia subiu 3,42%, impulsionado principalmente pelas regiões Serrana e Oeste, que tiveram aumento de 10,44% e 4,75% na quantidade de empresas, respectivamente.

    O desempenho positivo do setor em SC é atribuído à cadeia de apoio aos empreendedores. Uma das instituições que integram o sistema é a Associação Catarinense de Tecnologia (Acate).

    – A Acate é o suporte para que os talentos que frequentam as universidades criem suas próprias empresas e disponibilizem inovações para o mercado, aumentando a produtividade de outras indústrias e movimentando a economia – diz Daniel Leipnitz, presidente da Acate, criada em 1986.

    Os polos de tecnologia estão distribuídos por todo território catarinense, com destaque para vários municípios. As empresas da Grande Florianópolis (incluindo São José e Palhoça) faturaram R$ 6,4 bilhões em 2017, ultrapassando o setor de turismo e se consolidando como a principal geradora de impostos para a região, de acordo com a Acate. Um feito e tanto para o segmento que no início dos anos 2000 não figurava sequer entre as cinco primeiras fontes de arrecadação.

    Atualmente Florianópolis tem o maior polo de tecnologia do Estado, com cerca de 4 mil empreendimentos que empregam 16,5 mil pessoas. É o segundo do país em densidade de empresas por habitantes, atrás apenas de São Paulo, e lidera o ranking brasileiro de densidade de colaboradores: a cada 1 mil habitantes, 25 trabalham no setor de Tecnologia da Informação e Comunicação – TIC. Em relação ao faturamento médio, fica com a quarta posição, com R$ 1,8 milhão por empresa.

    O polo de Blumenau ocupa a quinta posição no ranking de faturamento médio, com R$ 1,68 milhão. O Vale do Itajaí concentra o segundo maior número empreendimentos – são 3,3 mil negócios. Também é vice-líder em número de empreendedores, com 4,3 mil, e 10,3 mil colaboradores.

    O polo de Joinville ocupa o sétimo lugar do ranking nacional quando se analisa o faturamento médio das empresas, com R$ 1,2 milhão, à frente de grandes centros como São Paulo. Sua região, o Norte catarinense, tem o maior percentual de empreendedoras no setor, o que corresponde a 30,3%. As mulheres representam ainda 43,5% da força de trabalho – a maior participação feminina do Estado. Outro destaque da mesorregião é a proporção de empreendedores com nível superior — 67,7%, a maior de Santa Catarina.

    Na região Oeste, são 1,2 mil empresas, que faturam R$ 1,2 bilhão e empregam

    4,6 mil pessoas. Já o polo tecnológico da região Serrana apresenta R$ 481 milhões em faturamento, somando 392 empreendedores e 336 companhias. Três mil pessoas trabalham em tecnologia da Serra.

    A região Sul também está se consolidando como polo tecnológico, com 948 empresas de tecnologia, que faturam R$ 857 milhões e contam com cerca de 3 mil colaboradores. Além do destaque para Tubarão, a região ganha força com a aprovação da lei de inovação tecnológica de Criciúma.

    – Inovação é uma das prioridades, pois a competitividade da indústria depende cada vez mais disso. A proposta é gerar valor na cadeia produtiva, estimulando o desenvolvimento de uma cultura para a inovação – afirma Mario Cezar de Aguiar, Presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc).

    A tecnologia catarinense em números:

    R$ 15,5 bilhões

    Faturamento

    5,6%

    Participação no PIB de SC

    12,3 mil

    empresas

    receita média de

    R$ 1,255 milhão

    + de 16 mil

    empreendedores

    47 mil

    colaboradores

    Origem do ecossistema de tecnologia

    Nunca se ouviu falar tanto em ecossistema de inovação, associação de empresas de tecnologia e startups, mas quando isso começou? O ponto de partida desta revolução é a instalação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em 1960, mas foi em 1984, impulsionada pela Lei da Informática – promulgada no mesmo ano, e pelas ideais do professor Carlos Alberto Schneider que o setor começou a tomar forma. Primeiro, com a criação da Fundação Certi, inicialmente concebida para ser um Centro Regional de Tecnologia em Informática, e depois com o reforço da Acate, em 1986.

    A Fundação teve origem nas atividades do Laboratório de Metrologia do Departamento de Engenharia Mecânica da UFSC (Labmetro), referência nacional em metrologia, instrumentação e automação. Nasceu direcionada à pesquisa tecnológica aplicada, para dar forma a produtos e processos inovadores, mas ao longo de sua história se transformou em uma multiplicadora de empresas de tecnologia.

    – Em 1986, um conselheiro da Certi perguntou por que nós não tínhamos projetos para Florianópolis, nós trabalhávamos apenas para Joinville, Blumenau e São Paulo. Eu respondi: em Florianópolis não tem indústria. Neste mesmo ano, surgiu a discussão sobre como criar empregos na Capital. Fizemos a proposta para promover a criação de novas empresas, com apoio de governo do Estado e prefeitura. Mas qual o tipo de indústria? Têxtil, de turismo? Então eu disse: vamos fazer a indústria do futuro, a de informática – recorda o professor Schneider, fundador e presidente do Conselho de Curadores da Fundação Certi.

    (Foto: )

    Conforme Schneider, o projeto começou com a criação de um condomínio para pequenas em presas que existiam na época. Embalado pela provocação de gerar empregos em Florianópolis em uma época em que a cidade estava voltada apenas para o serviço público e para o turismo, o professor Schneider vislumbrou a possibilidade de apoiar os empreendedores que faziam pesquisas nos laboratórios da Ufsc. Surgiu então o Celta, a primeira incubadora de empresas tecnológicas do Brasil – que foi instalada na Rua Lauro Linhares, na Trindade bairro da Capital.

    – Foi assim que começamos a operar a incubadora como ambiente para novas empresas de tecnologia – completou.

    De início a Certi atendia predominantemente indústrias de Blumenau, Joinville. Com o tempo, ganhou o mundo e mudou a denominação, em 1994, para Centro de Referência em Tecnologias Inovadoras, pois o termo regional não traduzia seu alcance real. Naquela época a Fundação já produzia tecnologia para os principais eixos industriais de Santa Catarina e de São Paulo, entre outros.

    O Celta tornou-se referência para a América Latina, quando passou a ter sede própria em 1995 na então chamada Softpolis – hoje Parque Tecnológico – Alfa, primeiro polo criado no Estado.

    O ecossistema catarinense de inovação não aconteceu por acaso. Foi planejado em uma ação que entrelaçou universidade, indústria, governo e a sociedade. Foi moldado como um distrito de empresas de informática e com as chamadas Empresas de Base Tecnológica – EBT que, por conta da modernização das nomenclaturas, transformaram-se em startups.

    Exemplos de Sucesso

    Se ainda está difícil para visualizar os feitos da Certi, é bom saber que em sua casa provavelmente tem tecnologia gerada por lá. Se a sua TV é digital, aí está um bom exemplo. O sistema de convergência digital usado no Brasil esta em todos os aparelhos digitais usados no país e foi desenvolvido por pesquisadores da Certi. Além disso, a Fundação também é referência em sistemas inteligentes para a indústria aeroespacial e com a parceira a Embraer faz a tecnologia produzida na Capital voar por todo planeta. A urna eletrônica, usada nas eleições desde 1996 e que garante a celeridade das apurações em Brasil também foi desenvolvida pela Certi.

    No momento um dos desafios é a consolidação das redes de postos para carros elétricos. O projeto do Eletroposto desenvolvido em parceria com a Celesc já possibilita viajar de Florianópolis ao Rio de Janeiro abastecendo em postos “Made in SC”. Hoje o município de Jaraguá do Sul tem a maior frota de carros elétricos do país em função de projetos com oeste. E estão por vir às novas parcerias para a construção do primeiro aeroporto 4.0 do país e para a criação do primeiro hospital 4.0. Essa revolução que acontece aqui no quintal de casa é a mola propulsora de inovações.

    União de esforços para garantir o crescimento

    O sucesso do ecossistema catarinense de inovação está relacionado à capacidade de se estabelecer parcerias. Assim somam aos projetos tecnológicos esforços de agentes públicos, Acate, FIESC, sociedade, e agora entra com força neste circuito de inovação o Sebrae, com a inauguração do SebraeLab – focado no desenvolvimento de novas iniciativas, conexão entre empreendedores e o apoio à economia criativa –

    e o Sistema Fecomércio-SC, que busca estimular a cultura da inovação.

    – O Sebrae é o elo entre os atores, entre a Acate, a Certi e os empreendedores. O Startup SC, criado em 2013 em parceria com o governo do Estado, tem o objetivo de desenvolver e fortalecer as Startups catarinenses. É um programa que incentiva a inovação para todos os setores da economia – ressalta Alexandre Souza, gestor do projeto Startup SC do Sebrae/SC.

    O futuro também passa pelo Sapiens, um parque tecnológico em consolidação em Florianópolis. Administrado pela Certi, tem a proposta a de atuar em rede, com quatro clusters sustentando os pontos focais do Sapiens: tecnologia, turismo, serviços

    e público.

    – O setor de tecnologia e informação é o principal parâmetro de competitividade nos tempos atuais. Sem inovação não há ganhos substanciais de produtividade, elemento central para o bom desempenho econômico de uma região – resume Bruno Breithaup, presidente do Sistema Fecomércio Sesc Senac.

    Fundação Certi em números

    269

    Colaboradores

    R$ 63,3 milhões

    Receita anual

    91

    Projetos executados

    667

    Clientes atendidos

    Concurso de Startups

    Para destacar a contribuição do setor de tecnologia à economia de Santa Catarina, a NSC Comunicação promove um concurso estadual de startups. Inscreva seu case até o dia 19 de outubro no site www.nsctotal.com.br/gestaodevalor. Inscrições no link

    bit.ly/concursogestao.

    Deixe seu comentário:

    Últimas notícias

    Loading... Todas de Cotidiano

    Colunistas