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    Instabilidade em máquina leva Hospital Regional de Joinville a suspender parte das cirurgias cardíacas

    Paciente relata espera de 20 dias por cirurgia de urgência. Apenas cirurgias cardíacas de emergência estão ocorrendo no setor devido a inconstância em peça usada nos procedimentos que demandam recurso de circulação extracorpórea

    17/04/2019 - 12h54 - Atualizada em: 17/04/2019 - 18h42

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    Luan
    Por Luan Martendal
    Melania e Osvin vivem na incerteza de quando ela vai conseguir fazer a cirurgia que precisa
    Melania e Osvin vivem na incerteza de quando ela vai conseguir fazer a cirurgia que precisa
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    Tive um infarto e os médicos disseram que preciso de uma cirurgia cardíaca com urgência, mas recebi alta sem fazer o procedimento. Estou indo para casa decepcionada, porque fiquei 20 dias esperando e simplesmente ganhei alta porque não tem recursos para fazer.

    O desabafo acima é da joinvilense Melania Nazário Dumes, de 43 anos, minutos depois de receber alta do Hospital Regional Hans Dieter Schmidt de Joinville na terça-feira (17), três semanas depois de sofrer um infarto em casa dia 27 de março, e sem saber quando fará a cirurgia cardíaca de que precisa. Assim como ela, a paciente diz haver cerca de 20 pessoas em situação semelhante, que terão de esperar para fazer o procedimento no local.

    A situação acontece há cerca de um mês devido a instabilidade de uma peça do equipamento específico utilizado nesse tipo de cirurgia, que demanda a parada do coração e recurso de circulação extracorpórea (técnica utilizada para desviar o sangue não oxigenado do paciente e devolver sangue reoxigenado para a sua circulação) — como por exemplo nos casos de ponte de safena e troca de válvula cardíaca. É justamente na bomba oxigenadora (máquina coração - pulmão) que a instabilidade foi notada.

    Com a descoberta da adversidade, o equipamento passa por análise constante e enquanto o real problema não é identificado a direção do hospital decidiu segurar a realização das cirurgias cardíacas de urgência (necessárias, mas que possuem caráter menos imediatista do que em casos emergenciais). Desde então, são efetuados somente e prioritariamente os procedimentos cirúrgicos de emergência no setor, ou seja, os casos mais graves e em que há situação crítica ou risco iminente ao paciente.

    — Não é falta de recursos., nós optamos por segurar as cirurgias nos casos de urgência como uma medida de segurança para não colocar os pacientes em um risco enquanto não identificamos a origem dessa instabilidade no oxigenador — explica sobre a decisão Marcus Grudtner, diretor-geral do Hospital Regional Hans Dieter Schmidt.

    — A cirurgia serve para fazer um benefício e não prejuízo, então em forma de cautela suspendemos as cirurgias que conseguimos segurar e estamos priorizando as cirurgias de emergência para que a gente consiga resolver o problema — complementa.

    Em busca de solução

    Pacientes do Hospital Regional terão de esperar por cirurgia cardíaca nos casos de urgência atá resolução do caso
    Pacientes do Hospital Regional terão de esperar por cirurgia cardíaca nos casos de urgência atá resolução do caso
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    Segundo a direção hospitalar, desde a identificação da instabilidade ao menos um terço das cerca de 20 cirurgias demandadas foram realizadas normalmente, uma vez que se enquadram no grupo emergencial. Nos demais casos, em que a necessidade cirúrgica não é precoce o hospital está cadastrando os pacientes no sistema estadual de regulação de leitos dessa complexidade. Com isso a cirurgia poderá ser feita em outras unidades de saúde especializadas, como em Mafra, Itajaí e Florianópolis, mediante vaga.

    Enquanto isso, a direção do Hospital Regional afirma ainda que mantém em curso diversas medidas para resolução da questão, como testes e averiguações do equipamento, empréstimo de oxigenadores, e a programação de uma inspeção da empresa responsável pelo oxigenador utilizado no hospital, que deve ser feita na próxima semana.

    Em uma cirurgia marcada para essa quarta-feira (17) também está confirmada a presença de um especialista de Florianópolis, que opera esse tipo de equipamento para acompanhar o processo. Ainda não há prazo para a resolução e normalização total dos procedimentos.

    Famílias aguardam em meio à angústia

    Para as famílias, porém, a decisão gera incômodo. Segundo Osvin Dumes, que a acompanha o tratamento da esposa no Regional, diversas famílias enfrentam a incerteza do que pode acontecer caso a espera pela cirurgia se arraste. Ainda segundo ele, a angústia aumenta com a explicação que recebeu de que a suspensão dos procedimentos foi tomada por conta da ocorrência de falhas numa peça do equipamento usado nas cirurgias.

    — Os médicos estão fazendo o que podem, mas infelizmente eles mesmos reconhecem que o Estado não está repassando o equipamento para eles operarem. Isso vai além do descaso, é uma falta de respeito dos governantes com os pacientes e também com os próprios profissionais que não tem como trabalhar sem equipamento necessário — relata.

    Osvin e a esposa relataram que agora, depois da alta, eles devem procurar alternativas para que a cirurgia dela seja realizada o quanto antes. Isto porque, conforme o casal, Melania está com três artérias do coração entupidas, uma delas com cerca de 90% de obstrução no fluxo sanguíneo.

    — Ela tem que operar porque corre risco de ter outro infarto e uma hora para outra e simplesmente não aguentar mais. Então vamos tentar operá-la em outro lugar, mas e com os outros pacientes o que pode acontecer? — questiona Osvin.

    — É um problema iminente que precisa ser resolvido logo, afinal de contas estamos falando de vidas — completa.

    Sobre a situação de alta para os pacientes que aguardam na fila por uma cirurgia, a direção do Hospital Regional informa que “o paciente que os cirurgiões cardíacos elencaram que ele não precisa aguardar a cirurgia no hospital, ou seja, o risco dele aguardar no hospital ou em casa é o mesmo, optou-se então por dar a alta a esses pacientes”.

    — Isso não quer dizer que eles esteja no final de uma fila. Esse paciente continua em acompanhamento pelo hospital e assim que a situação normalizar ele está entre os primeiros a fazer a cirurgia. E, se porventura diagnosticado uma piora no quadro de saúde dele, ele será operado de forma emergencial se assim for necessário — afirma Marcus Grudtner.

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