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Irmã Dulce bebia coca-cola de colher e ajudou o escritor Paulo Coelho

Veja casos do dia a dia da 1ª Santa nascida no Brasil nos seus 77 anos de vida

13/10/2019 - 12h55

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Por Paulo Rolemberg
Irmã Dulce pelas ruas de Salvador (BA) ajudando os desamparados
(Foto: )

Neste domingo (13), Irmã Dulce se tornou a mais nova Santa brasileira após cerimônia pela manhã no Vaticano presidida pelo Papa Francisco. A religiosa baiana, ao longo dos seus 77 anos dedicados a caridade e amor ao próximo, tinha algumas peculiaridades durante sua vida, como dormir todos os dias em uma cadeira por 30 anos para pagar um promessa e beber coca-cola usando uma pequena colher.

1 - Invadiu casas e ocupou um galinheiro

Para abrigar doentes que recolhia nas ruas, a religiosa chegou a invadir cinco casas na Ilha dos Ratos, em 1937. Expulsa do lugar, ela peregrinou durante uma década, levando os seus doentes por vários lugares. Por fim, em 1949, ocupou um galinheiro ao lado do convento, com autorização da sua superiora, para abrigar os primeiros 70 doentes. Hoje, no local, está o Hospital Santo Antônio, o maior da Bahia.

2 - Ajuda a Paulo Coelho

A ajuda de Dulce ao escritor Paulo Coelho foi retratada pela primeira vez no livro O Mago, biografia dele escrita pelo jornalista Fernando Morais. O livro conta que, em 1967, os pais de Paulo Coelho, à época com 19 anos, internaram o filho em um hospital psiquiátrico. “Eu era um rebelde que não obedecia a ninguém”, relembra o escritor no livro.

Depois de dois meses, fugiu com a roupa do corpo e, de carona em carona, terminou em Salvador (BA)sem dinheiro, sem ter o que comer, dormindo na rua. Foi aí que ele encontrou Irmã Dulce, que o “ajudou a levantar”.

Segundo Paulo disse em O Mago, depois de receber uma porção de sopa nas Obras Sociais Irmã Dulce, ele se dirigiu a freira e lhe pediu dinheiro para comprar duas passagens de ônibus para o Rio de Janeiro. A religiosa baiana escreveu um bilhete com o pedido, que ele trocou no guichê da rodoviária pelas duas passagens e enfim tomou o rumo de casa. Dizia o bilhete com o carimbo das Obras Sociais e assinado pelo Anjo Bom, em 21 de julho de 1967: “Estes 2 rapazes pedem um transporte grátis até o Rio”.

3 -Dormindo na cadeira por 30 anos

Irmã Dulce esteve perto de sofrer de novo o trauma de perder um parente querido ao fim de uma gestação: a sua irmã teve uma gravidez cheia de complicações. Em 1955, ela fez a promessa de dormir em uma cadeira se a gestação terminasse bem, o que acabou acontecendo. Ela cumpriu a palavra. Só voltaria a dormir em uma cama 30 anos depois, quando sofria de problemas de saúde e foi convencida pelos médicos porque poderia piorar.

4 - Fã dos Trapalhões

Na televisão, assistia Os Trapalhões. No rádio, ouvia, repetidas vezes, a canção Jovens Tardes de Domingo, de Roberto Carlos. Como na música, dizia sentir saudades dos velhos tempos – dos domingos de diversão na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em São Cristóvão (SE).

Convento em Sergipe onde se tornou freira
Convento em Sergipe onde se tornou freira
(Foto: )

5 - O número 13

- Em 1927, ela revela o interesse pela vida religiosa aos 13 anos de idade.

- Em 1933, no Estado de Sergipe, recebe o hábito e o nome religioso de Irmã Dulce, no dia 13 de agosto.

- Em 1992, morre aos 77 anos, no Convento Santo Antônio, em Salvador, ao lado de seus doentes, no dia 13 de março.

- Em 2010, no dia 10 de dezembro, a freira baiana foi coroada como a primeira beata nascida na Bahia e passou a se chamar Bem-Aventurada Dulce dos Pobres, tendo o dia 13 de agosto como data oficial de celebração de sua festa litúrgica.

- Em 2019, Irmã Dulce será proclamada santa pela Igreja Católica, no dia 13 de outubro de 2019, em cerimônia presidida pelo Papa Francisco, no Vaticano.

6 - Coca-Cola na colher

Irmã Dulce nunca usava perfume. Sempre foi assim. Não escolhia tipo de sabonete, marca de pasta de dente. Mesmo as comidas preferidas vinham em um prato do tamanho de um pires. Era nas menores quantidades. A Coca-Cola, que ela tanto gostava, não era bebida em copo: usava uma colherinha, até para controlar a saúde.

7 - Amizade com Roberto Carlos

Roberto Carlos e Irmã Dulce tiveram uma relação próxima. Sempre que ele ia a Salvador, a religiosa ia encontrá-lo. Os dois tomavam um chá de cidreira ou erva doce e, ao fim de cada reunião, o cantor colocava um envelope com dinheiro em seu bolso.

8 - Prêmio Nobel da Paz

Em 1988, Irmã Dulce foi indicada pelo então presidente da República, José Sarney, com o apoio da Rainha Sílvia, da Suécia, para o Prêmio Nobel da Paz. Ela não o venceu, entretanto teve o trabalho mais reconhecido. Quem levou a premiação foram as ‘Forças de Paz das Nações Unidas’ (conhecidas como ‘Capacetes azuis’), pelos seus esforços a serviço da preservação da paz.

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