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    Irma Kniess tem uma vida dedicada à defesa dos direitos humanos em Joinville

    Ela escolheu estar sempre perto da comunidade, desde que entrou para uma congregação religiosa no fim dos anos 1950

    16/11/2019 - 16h22

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    Cláudia
    Por Cláudia Morriesen
    foto mostra Irma Kniess sorrindo para a foto
    Natural de Taió, ela chegou a Joinville nos anos 1980
    (Foto: )

    "Um pé no mundo e outro no convento". Quando a taioense Irma Kniess precisou decidir a congregação na qual ingressaria, seguindo o sonho da mãe de ter pelo menos duas filhas dedicadas à vida religiosa, foi essa mensagem, que pautava a missão das Missionárias de Jesus Crucificado, que ela preferiu. Irma sempre foi das atividades práticas: fazer a diferença dentro da comunidade sempre pareceu mais importante do que oferecer seu tempo e sua vontade de ajudar em qualquer outro lugar.

    Quando deixou a vida religiosa, Joinville foi a cidade escolhida para os dias em que o hábito azul não era mais seu uniforme, mas sua missão continuava a mesma: diminuir a desigualdade sociais. O caminho, naturalmente, a levou até o Centro de Direitos Humanos Maria da Graça Braz no início dos anos 1990.

    Tornou-se diretora, lutou pela moradia popular e pela emancipação das mulheres e, agora, mesmo que a idade a faça desacelerar o ritmo, continua acordando todos os dias com a força de quem viveu uma vida de defensora dos direitos humanos.

    Idade

    78 anos

    Profissão

    Missionária e integrante do conselho do CDH de Joinville

    Cidade

    Joinville

    A missão

    Sempre lutei pelas mulheres. A mulher tem que se organizar muito e lutar muito, porque os homens ainda acham que eles são os principais, e eu acho que os dois precisam lutar juntos. Nos anos 1960, fui trabalhar em uma comunidade capacitando as mulheres. Elas aprendiam a datilografar, a fazer artesanato, porque, senão, elas ficavam só em casa. A gente conversava sobre a vida, sobre orientação familiar, sobre a situação política, e isso abria a mente delas, para que elas também contribuíssem na comunidade.

    foto de quando recebeu o título, ao lado de dois vereadores
    Em 2011, quando recebeu o título de Cidadã Honorária de Joinville
    (Foto: )

    Casa para todos

    O principal trabalho do Centro de Direitos Humanos é a questão da moradia. A gente acha que um dia vai acabar, mas estamos sempre envolvidos com isso. Quando cheguei em Joinville, ajudávamos as pessoas que iam morar no mangue, sobre palafitas, a construírem suas casas. Agora, o problema é que as pessoas não conseguem mais pagar o aluguel. Então elas vão, fazem um negócio de lona e vão morar embaixo. Quem é que gosta disso? Ninguém quer morar assim. A terra é para servir a todos. Ela tem que ter uma função social. Tem que ter espaço para todos. Esse é um dos maiores problemas pelos quais eu luto e espero que ninguém mais passe por isso.

    Direitos Humanos

    O entendimento sobre os direitos humanos evoluiu bastante de 1988 pra cá, depois de uma luta muito grande pela nova Constituição. E ela [a brasileira] é uma das constituições mais bonitas do mundo, mas tem muitas coisas que não foram efetivadas. O poder público não cuida disso, faz projetos que não são bons e o dinheiro vai pelo ralo. Além disso, as pessoas acham que podem xingar os outros, com tanto ódio que eu nem sei daonde surgiu. Como posso ter tanto ódio se sou irmão do outro? Elas vão na igreja, fazem eucaristia, rezam, e depois odeiam o irmão?

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