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    Irmãs carmelitas abrigam mulheres grávidas em situação de vulnerabilidade em Joinville

    Projeto foi um dos primeiros no Brasil e garante que crianças não sejam separadas das mães ao nascer

    25/12/2019 - 10h25 - Atualizada em: 26/12/2019 - 11h02

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    Cláudia
    Por Cláudia Morriesen
    foto mostra mão de criança de dois anos sobre a mão de uma mulher adulta
    (Foto: )

    O período do Natal e das festas de fim de ano são inspiradores para quem quer ajudar a tornar as vidas de outras pessoas mais felizes. É época de doações e festas para os grupos mais vulneráveis da sociedade.

    Em Joinville, há voluntários que colaboram o ano inteiro dentro da comunidade, e que não fazem distinção em relação ao passado ou às escolhas de vida daqueles que são ajudados. “A Notícia” conta três histórias de grupos de voluntários que trabalham para melhorar o mundo de pessoas que, geralmente, são tratadas com preconceito e indiferença.

    24 de dezembro: Voluntários distribuem comida a moradores de rua de Joinville

    25 de dezembro: Irmãs Carmelitas abrigam mulheres grávidas em situação de vulnerabilidade em Joinville

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    Em uma casa do bairro Iririú, na zona Leste de Joinville, há conforto e segurança para mulheres em situação de vulnerabilidade que estão se preparando para um momento definidor de suas vidas: o nascimento de um filho. O Lar Renascer existe neste formato desde 1998 e, desde 2012, é administrado pelas Irmãs Carmelitas Mensageiras do Espírito Santo, organização religiosa da Igreja Católica.

    Mesmo que dentro dos dogmas da religião católica as relações sexuais entre pessoas que não são casadas não sejam consideradas corretas, não existem julgamentos dentro do Lar Renascer. As mulheres que chegam à casa das Irmãs Carmelitas geralmente já estão feridas pelo abandono do parceiro e das próprias famílias, e encontram ali parceiras de caminhada que as ajudam a encontrar o equilíbrio novamente.

    – Elas perderam o vínculo familiar, foram rejeitadas pelo pai da criança. Precisam de um apoio que não encontraram em suas casas. Chegam desestruturadas, com baixa auto-estima, e vêem as irmãs como mães – relata a irmã Ana Maria Assis.

    Ela conta que foi Dom Irineu Roque Scherer, bispo de Joinville entre 2007 e 2016, que entrou em contato com a instituição das Irmãs Carmelitas para que assumissem o Lar Renascer, que havia nascido nos anos 1980 em Joinville para resgatar meninas da prostituição infantil. Desde 1998, o local já havia transformado seu foco para virar a “Casa da Gestante”, em um trabalho focado na origem da vida.

    – Trabalhando com a mulher gestante, entendemos que trabalharíamos também com os filhos menores. É uma questão de prevenção. Até então, as Carmelitas só tinham trabalhos em orfanatos em São Paulo. Aqui, garantimos que a mãe permaneça com os filhos, que eles não precisem se separar. Mantemos a família unida – avalia Ana Maria.

    Podem ingressar no Lar Renascer mulheres com mais de 18 anos que estão grávidas e que têm filhos recém nascidos – aquelas que têm outros filhos também podem levá-los, desde que sejam menores de idade. Elas recebem, além de um quarto do tamanho necessário para a família e de todas as refeições, orientações para retomarem suas vidas, cuidarem de suas casas e dos filhos. Ajudam a cuidar da propriedade, nas atividades domésticas diárias, em escalas preparadas para todas participarem.

    O local é mantido por doações, com a ajuda, principalmente, de outras mulheres da zona Leste de Joinville. Elas organizam um bazar todas as sextas-feiras e vendem os biscoitos feitos pelas Carmelitas no fim da missa, na porta das igrejas. Segundo a irmã Ana Maria, as visitas recebidas na casa são sempre cheias de amor e cuidados com aquelas novas famílias. No entanto, quando saem dos limites do Lar Renascer, nem sempre é com respeito que as mulheres são recebidas quando querem assumir as responsabilidades por suas vidas.

    – Às vezes, elas vão em um órgão público fazer um documento ou matricular o filho na creche, e relatam que são tratadas com dureza e má educação. Mas, quando vamos junto com elas, o tratamento é diferente. Por isso, a gente sabe que o preconceito existe – afirma a religiosa.

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