nsc
    dc

    Entrevista

    "Já passamos por algumas situações parecidas", diz Porchat sobre "Porta dos Fundos - Contrato vitalício"

    Atores do grupo humorístico falam sobre filme que estreia nesta quinta

    29/06/2016 - 04h29 - Atualizada em: 29/06/2016 - 09h33

    Compartilhe

    Por Redação NSC
    Cena de "Porta dos fundos ¿ Contrato vitalício"
    Cena de "Porta dos fundos ¿ Contrato vitalício"
    (Foto: )

    Logo após a exibição do filme para jornalistas e convidados, no início da noite de terça-feira, em São Paulo, o diretor Ian SBF e praticamente todo o elenco do Porta dos Fundos concederam uma entrevista coletiva na qual falaram sobre Contrato vitalício, primeiro longa-metragem do grupo, que estreia nesta quinta-feira dos cinemas.

    Leia mais

    "Porta dos Fundos – Contrato Vitalício" estreia nesta quinta-feira

    Clarice Falcão anuncia saída do Porta dos Fundos

    Assista: Porta dos Fundos revela novo trailer de "Contrato vitalício"

    Houve confissões ("Passei minha juventude sendo reprovado nos testes da Malhação", revelou Gregorio Duvivier), piadas confessionais ("Dedico meu personagem insensível ao professor que disse que eu passaria a vida interpretando bandido ou índio", declarou o também ator Luís Lobianco) e, no meio das muitas brincadeiras, informações sobre como surgiu o projeto.

    — As pessoas têm nos perguntado como é fazer um filme, se é diferente ou o quê. Mas a gente já escreveu tanta coisa, já trabalhou com tantos formatos diferentes. É um filme, pô. Não é um foguete — divertiu-se Fábio Porchat, que além de ser um dos protagonistas do longa assina o roteiro ao lado de Gabriel Esteves.

    O grupo foi bombardeado. No início, teve de responder por que há menos mulheres do que homens no seu elenco. Depois, a inquisição se deu porque os personagens usam a expressão "traveco" para se referir aos transexuais.

    — As mulheres ocupam os cargos-chave no Porta dos Fundos — disse o diretor Ian SBF. — A principal produtora é mulher, a responsável por todo o departamento de pós-produção é mulher, a diretora comercial é mulher.

    — Quanto à participação dos transexuais: a gente tem recebido agradecimentos por ter usado trans nos papeis de trans, e não homens se vestindo de mulher (caso da atriz Léo Aquila) — comentou Duvivier.

    — Acho que já ficou claro para todo o mundo: não somos transfóbicos. Se um personagem diz algo assim é porque é assim que ele age, e não quem o criou — completou João Vicente Castro.

    "Porta dos Fundos - Contrato vitalício"

    — Mas o filme tem muito dinheiro próprio, do Porta e das produtoras envolvidas, sem renúncia fiscal — acrescentou Ian SBF.

    — O que acontece — disse Duvivier — é que a cultura não utiliza nem 1% da renúncia fiscal registrada no país, mas é sempre a mais lembrada quando se discute o tema. Por que não falamos dos incentivos fiscais usados pela indústria bélica? Porque os setores mais obscurantistas da sociedade querem atingir a produção cultural, é isso.

    — Fora o fato de que as pessoas falam de Lei Rouanet sem ter a mínima ideia de como funciona o mecanismo. Muitas pessoas, quase todo o mundo — interveio Porchat.

    O fato é que o filme é uma grande sátira à indústria do entretenimento. A história sobre um ator e um diretor que, em uma noite de farra após vencerem o Festival de Cannes, assinam um contrato vitalício de trabalho fala de muitos personagens reais da cultura brasileira — e do que está em torno do que pode ser considerado entretenimento, da imprensa de fofocas à febre dos chamados vloggers. Porchat respondeu sobre a inspiração dos tipos que aparecem em cena:

    — Há muita coisa registrada no filme. De tudo o que falamos, acho que podemos dizer que já passamos por algumas situações parecidas. Porque no mundo do entretenimento acontece muita coisa, muita mesmo. Agora, se trata-se de uma crítica, aí cabe ao público avaliar.

    Um dos melhores momentos da conversa de cerca de uma hora foi quando Ian STF afirmou que Porta dos Fundos — Contrato vitalício foi feito de maneira "relativamente rápida".

    — Mesmo? — perguntou, ironicamente, a atriz Júlia Rabello.

    — Sim, filmamos neste ano! Cinema, no Brasil, é algo que costuma demorar muito mais — respondeu o diretor.

    — Basta perguntar ao Guilherme Fontes — completou Duvivier, arrancando risos de todos ao referir-se a Chatô (2015), que demorou 20 anos para ficar pronto.

    * Daniel Feix viajou a São Paulo a convite da distribuidora Downtown.

    Deixe seu comentário:

    Últimas notícias

    Loading... Todas de Entretenimento

    Colunistas