nsc
dc

Notícia

Jogador irregular pode abrir brecha para virada de mesa

14/01/2003 - 18h23

Compartilhe

Por Redação NSC

Estava demorando. Para quem ainda acreditava que o Brasileirão seria realizado em 2003 sem polêmicas judiciais extra-campo, a notícia, divulgada nesta terça, dia 14, de que o Flamengo pode ter escalado um jogador irregularmente em duas partidas de 2002 foi uma decepção.

Já para o presidente do Palmeiras, Mustaphá Contursi, foi um presente divino. O cartola alviverde conseguiu o pretexto que precisava para pedir uma virada de mesa mantendo seu time na divisão principal.

Nesta terça, ao comentar o assunto, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, praticamente descartou a possibilidade de o Flamengo ser punido por irregularidade, alterando a tabela final do Brasileirão.

Como aconteceu em 1999 com o atacante Sandro Hiroshi, o pivô da mais recente confusão é um jogador: o volante Wendell. Contratado pelo Ceará no início de 2002, ele foi emprestado ao Flamengo em agosto do ano passado, num acordo em que o clube carioca não precisou pagar pelo empréstimo, apenas se responsabilizou pelo pagamento do salário.

O problema é que Wendell não assinou ele próprio a rescisão, e sim por meio de seu procurador na época, o empresário João Paulo Lopes. O jogador de 23 anos teve o passe entregue pelo Ceará a quatro empresários sócios do clube e vinculado ao pequeno clube cearense Uniclic.

Do Uniclic foi feito o empréstimo para o Flamengo, e o documento de rescisão com o Ceará foi assinado pelo empresário no lugar do jogador - o que seria ilegal. De acordo com a Federação Cearense de Futebol, o acordo foi considerado válido porque uma portaria da CBF permite que parentes de primeiro grau e advogados registrados possam assinar no lugar dos jogadores.

Resta saber se a ilegível assinatura feita por João Paulo Lopes. Se a escalação de Wendell pelo Flamengo foi irregular, o time poderia perder no mínimo 10 pontos na classificação final - cinco para cada um dos jogos em que o volante atuou no Brasileirão, contra Bahia e São Paulo.

O Flamengo não venceu nenhum dos dois. Se o Flamengo fosse punido, o principal beneficiado seria a Portuguesa, primeira dentre os rebaixados. Mas o Palmeiras já se articula com os outros caídos para a segunda divisão e pretende pedir a anulação do rebaixamento.

Para tornar a situação mais delicada, nesta terça os dirigentes de Palmeiras, Portuguesa e Botafogo não foram à reunião de planejamento da Série B - os três alegando motivos familiares para a ausência.

As informações são da Zero Hora.

Colunistas