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Segurança no trabalho

Joinville registra 31 mortes por acidente de trabalho em 90 dias

Número de ocorrências que levaram a óbito em 2014 já é quase maior do que o total de todo o ano de 2013. Centrais sindicais promovem passeata nesta segunda para cobrar políticas em defesa dos trabalhadores

28/04/2014 - 03h02 - Atualizada em: 28/04/2014 - 05h49

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Por Redação NSC
Uso de equipamentos de proteção é fundamental para diminuir as estatísticas
Uso de equipamentos de proteção é fundamental para diminuir as estatísticas
(Foto: )

Nos três primeiros meses deste ano, 31 pessoas morreram em acidentes de trabalho em Joinville. É uma morte a cada três dias, em média, segundo estatísticas do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) da cidade. O número já é quase o mesmo que o registrado ao longo de todo o ano passado, quando 35 trabalhadores se tornaram vítimas do próprio ofício.

Não há nada que possa ser feito para recuperar essas vidas, mas lembrar suas memórias e cobrar políticas em defesa dos trabalhadores podem ajudar a evitar novas mortes.

É isso que representantes de centrais sindicais prometem fazer com o Movimento em Defesa da Vida, Saúde e Segurança dos Trabalhadores (Movida).

Uma grande passeata, com concentração na sede do Sindicato dos Comerciários de Joinville a partir das 9 horas, vai percorrer as ruas da cidade nesta segunda, dia em que se comemora o Dia Internacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças de Trabalho.

A chegada está programada para as 10 horas, na praça Nereu Ramos. Segundo a Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Santa Catarina (Fetiesc), o movimento deve reunir mais de duas mil pessoas.

O Movida foi criado em 2003 com o objetivo de denunciar a gravidade das doenças e acidentes de trabalho e buscar melhorias nas práticas produtivas.

Lideranças do movimento lembram da importância do ato, já que Joinville é um importante polo industrial do País.

O coordenador do Movida, Sabino Bussanello, destaca que Santa Catarina é um dos campões nacionais em acidentes de trabalho, com uma média de sete mortes para cada mil habitantes.

- Quando descobrimos estes dados, desencadeamos uma campanha de conscientização, educação e prevenção procurando reduzir esses números alarmantes. E vale lembrar que essas estatísticas não levam em conta os trabalhadores informais, que devem aumentar ainda mais os níveis - explica.

Ainda de acordo com Bussanello, o número de acidentes é grande porque faltam ações preventivas e há carência de auditores para a fiscalização das empresas.

Casos podem ser evitados, diz Cerest

Uma cobrança mais forte por parte do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) para que estabelecimentos de saúde notifiquem casos de acidentes de trabalho explica o crescimento de ocorrências nos últimos anos. Em 2013, foram 394 acidentes de trabalho considerados graves - ou seja, que causaram algum tipo de mutilação, física ou funcional. Em 2007, foram apenas 45 casos notificados e investigados pelo Cerest.

Quando as equipes do centro visitam uma empresa para investigar a causa do acidente, na maioria das vezes encontra situações em que o trabalhador não estava usando os equipamentos de proteção individual (EPIs) ou não havia recebido orientação adequada sobre a importância de utilizá-los ou faltava proteção à máquina.

Mesmo que o funcionário se recuse a usar os equipamentos, a coordenadora do Cerest, Maíres Baggio, enfatiza que é responsabilidade da empresa cobrar o uso e monitorar o ambiente de trabalho. Para ela, todo acidente pode ser evitado e, para isso, basta uma estrutura adequada e investimento em educação.

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