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Joinville registra aumento de 70% nas internações por transtornos mentais  

Dados são do período entre 2015 e 2018. Somente no ano passado foram 1.055 casos, maior número de diagnósticos são os transtornos de humor

13/03/2019 - 07h26

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Cláudia
Por Cláudia Morriesen
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As internações motivadas por casos de saúde mental aumentaram 70% nos últimos quatro anos em Joinville e chegaram a 1.055 casos somente no ano passado. Elas são motivadas pelos quadros mais graves de doenças mentais ou degenerativas, como esquizofrenia e demência; por transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de álcool e de outras substâncias psicoativas; e por transtornos de humor.

Este último, aliás, é o que concentra o maior número de diagnósticos que levaram a internações na cidade nos últimos quatro anos, e foi a área em que mais aumentou: foram 218 casos em 2015 e 423 em 2018, uma elevação de 94% somente neste período.

As unidades de referência em Joinville são os Hospitais Hans Dieter Schmidt e Dr. Jeser Amarante Faria, parte da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), que é de responsabilidade do Estado. Atualmente, há 30 leitos adultos no Hans Dieter Schmidt e 14 infantojuvenis no Hospital Infantil Dr. Jeser Amarante Faria.

Em quatro anos, o orçamento total destinado ao Hospital Regional para atendimento de casos de saúde mental chegou a R$ 2.090.406, de acordo com dados registrados no DataSUS.

No Hospital Infantil, recentemente houve investimento de R$ 4,2 milhões para execução de obras e aquisição de equipamentos para ampliação da ala psiquiátrica, que foi inaugurada em março de 2018. Até então, o hospital oferecia quatro leitos para crianças e adolescentes, e precisava suprir a demanda de toda Santa Catarina. Os pacientes que não conseguiam vagas precisavam ficar em internações de hospitais comuns de outras cidades, sem a estrutura ideal e sem equipe com foco no atendimento psiquiátrico.

Outras unidades de saúde, como o Hospital Municipal São José e o Bethesda, chegam a receber pacientes de forma emergencial, mas estes são depois encaminhados para os hospitais que têm alas especializadas. Estas, no entanto, são situações pontuais: no São José foram 44 pessoas no ano passado e no Bethesda ocorreu pela última vez em 2017.

Transtornos de humor são maioria

Os casos com maior número de diagnósticos em Joinville são doenças que a Organização Mundial de Saúde (OMS) decretou como "mal do século", os transtornos de humor.

Segundo definição do Ministério da Saúde, elas se referem a alteração do humor ou do afeto, podendo ser desencadeada por uma depressão (com ou sem ansiedade associada) ou de uma elação (quando há euforia exagerada, geralmente relacionada a transtorno bipolar). A estimativa da OMS é que, atualmente, mais de 320 milhões de pessoas têm algum tipo de transtorno de humor e que até 2020, a depressão será a enfermidade mais incapacitante do mundo.

Números das internações
Números das internações
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R$ 19 milhões para o nível básico

Na esfera municipal, a Rede de Atenção Psicossocial de Joinville oferece atendimento em nível básico, especializado e de semi-internação. A porta de entrada é via Unidades Básicas de Saúde (UBS), que possuem equipes de saúde mental para diagnosticar e tratar casos leves a moderados de depressão e transtornos de humor. A partir do diagnóstico, o paciente pode ser levado ao serviço especializado no Pronto Acolhimento Psicosocial (Paps), no qual o paciente terá atendimento psicológico e psiquiátrico.

Em casos de surto ou situação de pré-surto, quando a pessoa ainda não precisa ser internada ou acabou de passar pela internação, o tratamento é intensivo, com atividades terapêuticas, atendimento psiquiátrico e encontros com assistente social todos os dias da semana no Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Há ainda uma espécie de internação vinculada ao Caps AD, especializado em usuários de drogas, que funciona como residência transitória para períodos de reabilitação. Atualmente, ela acolhe sete pacientes por vez, com permanência máxima de seis meses no tratamento.

Os custos para manutenção dos serviços de saúde mental de Joinville foram de R$ 18,5 milhões em 2018, com estimativa de aumento de cerca de R$ 930 mil no valor em 2019. De acordo com a Prefeitura de Joinville, o quadro de profissionais dedicados à saúde mental em nível básico é formado por nove médicos psiquiatras, 21 psicólogos, 27 terapeutas ocupacionais e nove assistentes sociais.

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