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Jornalista Mino Carta critica Lula e se despede de blog e revista

Políticas econômica e ambiental do governo e a atuação no caso Battisti foram os principais motivos para decepção de Mino

06/02/2009 - 20h58 - Atualizada em: 11/02/2009 - 08h10

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Por Redação NSC
Mino Carta e Lula durante cerimônia de premiação das empresas mais admiradas do Brasil em 2006
Mino Carta e Lula durante cerimônia de premiação das empresas mais admiradas do Brasil em 2006
(Foto: )

Decepcionado com o governo Lula, Mino Carta despediu-se esta semana de seu blog e da função de diretor de redação da revista Carta Capital. No texto publicado na internet, o jornalista, em atividade desde os anos 60, aponta as políticas econômica e ambiental do governo e a atuação no caso Battisti como principais razões para seu desencanto:

- Despeço-me deste blog e, por ora, calo-me em CartaCapital - escreveu Mino.

Demetrio Giuliano Gianni Carta, o Mino, como é conhecido no meio jornalístico, com passagens por Quatro Rodas, o Jornal da Tarde, Veja, IstoÉ, fez uma análise de sua trajetória na imprensa, sobretudo no tempo da ditadura. Lembrou da época em que enxergava o presidente como um conciliador, a exemplo da Carta aos Brasileiros assinada por Lula em uma tentativa de "amparar as arestas antes do pleito de 2002". No seu texto de despedida, destaca que foi tomado por uma decepção progressiva:

"A mim, que estou de olhos escancarados, a Carta convenceu por considerá-la sincera. Naquela época, não cansei de definir Lula como um conciliador desde os tempos da liderança sindical. No governo, contudo, ele foi muito além das minhas expectativas. Ou, por outra: deu para me decepcionar progressivamente".

A política econômica do país, nos últimos seis anos é considerada de um "desequilíbrio monstruoso" pelo jornalista. Para ele, o privilégio sempre foi dos mais ricos. Aos mais pobres, uma esmola.

"Na política ambiental abriu a porta aos transgênicos, cuidou mal da Amazônia, dispensou Marina Silva, admirável figura, para entregar o posto a um senhorzinho tão esvoaçante quanto seus coletes."

No que se refere à atitude do ministro da Justiça, Tarso Genro, no caso da extradição de Battisti, Mino afirma que o governo "exibiu ao mundo ignorância, falta de sensibilidade diplomática e irresponsabilidade política, ao afrontar um estado democrático amigo".

"O ministro Tarso Genro disse em Belém que a favor da extradição de Battisti se alinham os defensores da anistia aos torturadores da ditadura, "com exceção de Mino Carta". Agradeço a referência, observo, porém, que o ministro cai em clamorosa contradição. Não foi ele quem, em rompante que beira a sátira volteriana, sugeriu à Itália baixar uma lei da anistia igual àquela assinada no Brasil pelo ditador de plantão?"

A crença no jornalismo de Mino Carta está falida. O futuro?

"Vai sobrar-me tempo para escrever um livro sobre o Brasil. Talvez não ache editor, pouco importa, vou escrevê-lo de qualquer forma, quem sabe venha a ser premiado pela publicação póstuma".

Leia a íntegra da carta-despedida no blog do Mino Carta:

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