A trepadeira que se enrosca por entre as grades da porta da casa 39 da Rua Uruguai, na Ponta Aguda, revela um problema que se arrasta há meses. Desde que as águas da enchente de 2011 deixaram moradores da margem esquerda à beira de um abismo, o cenário de abandono paira ao longo do trecho central do Itajaí-Açu.

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::: Construvias passou por problemas administrativos

Dos 22 imóveis de frente para o rio, nove estão abandonados. Outros dois que existiam, um em cada extremidade da rua, foram demolidos para dar espaço a edifícios. A situação se agravou com a interrupção da obra na borda do rio em setembro de 2013 por problemas financeiros da Construvias. Apesar de não haver solução fácil, a Secretaria de Obras prevê que as máquinas voltem a trabalhar no local até o fim do mês.

Moradora do número 443, Silvana Müller é vice-presidente da Associação de Moradores da Margem Esquerda. Além de se preocupar todos os dias ao olhar a obra parada, tem de lidar com os ratos que se multiplicam nas casas abandonadas:

– Fomos jogados às traças. A maioria das casas foi interditada e outras foram vendidas para dar lugar a prédios. Se a margem esquerda não for reestruturada, não só o patrimônio pode ser perdido, mas vidas também.

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Assim como ela, moradores da Ponta Aguda se reuniram sexta-feira com a Secretaria de Obras e a Construvias. Na reunião o secretário da pasta, Paulo França, anunciou que a empresa entregou na semana anterior as certidões negativas de débitos necessárias para retomar o contrato com a prefeitura. A documentação está na Secretária de Administração e deve passar ainda pela Procuradoria Jurídica até a ordem de reinício ser dada. Segundo França, manter os trabalhos com a empresa foi o melhor caminho para a cidade, já que contratar outra demoraria e custaria mais caro.

– Com a retomada dos sete contratos com a empresa ela terá crédito de cerca R$ 1,5 milhão. Aos poucos faremos as medições e iremos disponibilizando os recursos necessários – argumenta França.

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