Trípoli

Líbia forma governo de união nacional

19/01/2016 - 07h12 - Atualizada em: 19/01/2016 - 08h16

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Por Redação NSC

A Líbia formou nesta terça-feira um governo de união nacional, com mediação da ONU, mas ainda não é possível saber se terá o apoio dos dois parlamentos rivais do país, afundado em uma crise que é aproveitada pelo grupo Estado Islâmico (EI).

As potências mundiais fizeram um apelo para que os dois parlamentos rivais existentes na Líbia apoiem o novo governo para acabar com a paralisação política do país, que serve de estímulo à presença de jihadistas e contrabandistas.

O gabinete será dirigido pelo empresário Fayez el-Sarraj, anunciou a ONU em sua página do Facebook.

O conselho presidencial, com Sarraj à frente e criado após a assinatura do acordo apoiado pela ONU, nomeou 32 ministros.

Mas nenhum dos dois parlamentos ratificou até o momento o acordo assinado em dezembro no Marrocos.

O enviado da ONU para a Líbia, Martin Kolber, convocou no Twitter a Câmara de Representantes - o parlamento reconhecido internacionalmente com sede no leste do país - a "se reunir rapidamente para aprovar" este governo

Para que o governo de união nacional seja operacional, deve ser aprovado por maioria de dois terços do parlamento reconhecido.

As autoridades líbias rivais, não reconhecidas pela comunidade internacional, estão em Trípoli desde que a capital foi tomada por milícias, em parte islamitas, no verão de 2014.

Caos desde a morte de Khadafi

O polêmico general Khalifa Haftar, comandante das forças leais ao governo na região leste, não está entre os 32 membros do governo, que tem apenas uma mulher.

A Líbia está afundada no caos desde a queda de Muamar Kadhafi, em 2011, e duas autoridades rivais disputam o poder desde meados de 2014.

Os ocidentais pressionaram nos últimos meses para conseguir a formação de um governo de união nacional sob a égide da ONU, com o objetivo de tentar estabilizar a Líbia e instalar uma autoridade capaz de frear o avanço dos jihadistas do Estado Islâmico neste país.

O EI reivindicou no início do mês dois violentos atentados (mais de 50 mortos) e executou ataques contra a região petroleira do norte da Líbia, que tem as maiores reservas de petróleo da África.

As ações do EI estão entre as mais violentas desde a revolução que derrubou Khadafi, com a ajuda de uma intervenção internacional, que contou com a participação de França e Grã-Bretanha.

Após os atentados, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que os "atos criminosos são uma importante recordação da urgência de implementar o acordo político líbio e formar um governo de unidade nacional".

A comunidade internacional se preocupa com a crescente presença jihadista na Líbia, onde o EI tem quase 3.000 combatentes, segundo fonte francesas.

rb/fp