O líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), vai pedir à Comissão de êtica da Presidência que avalie o afastamento do ministro do Trabalho, Manoel Dias, suspeito de envolvimento num esquema para empregar militantes de seu partido, o PDT, como “fantasmas” em uma entidade que recebia recursos da pasta. Para o congressista, “o fato de a Polícia Federal solicitar judicialmente uma investigação contra o ministro é suficiente para a demissão.”

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Como o jornal O Estado de S. Paulo revelou nesta segunda-feira, a PF viu indícios da participação de Dias nas supostas irregularidades e pediu à Justiça Federal em Santa Catarina que remeta os autos ao Supremo Tribunal Federal (STF) para a abertura de um inquérito específico sobre a conduta de Dias. Como ministros têm foro privilegiado, só a corte em Brasília pode autorizar investigações criminais sobre eles.

Bueno criticou a presidente Dilma Rousseff pela “frouxidão” ao manter o ministro no cargo, apesar das suspeitas.

– O Palácio do Planalto precisa demiti-lo o mais rápido possível. Acredito que a Justiça dará a resposta necessária para o caso, mas isso pode demorar. A manutenção de Manoel Dias no cargo representa um grande desrespeito com o trabalhador e com toda a sociedade brasileira – disse o deputado.

Ex-integrantes do PDT em Santa Catarina, em depoimento à PF, confirmaram ter recebido pagamentos da ADRVale – entidade que era abastecida por recursos de convênios com o Trabalho -, sem prestar serviços para ela. O suposto esquema foi denunciado pelo ex-presidente da juventude pedetista em Santa Catarina, John Sievers Dias, em entrevista ao Estado publicada em setembro. Segundo ele, a ordem para receber da entidade sem trabalhar foi de Dias, na época presidente do PDT catarinense.

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O ministro nega as irregularidades, atribuindo as denúncias a “fogo amigo”. A ADRVale, hoje inativa, sustenta que não houve repasses para “fantasmas” e que todos os funcionários listados em sua folha de pagamentos trabalharam efetivamente.

No ano passado, após uma operação da PF ligar funcionários do ministério a supostos desvios de convênios com outra entidade, o secretário executivo Paulo Roberto Pinto, número dois de Dias, pediu demissão.

– Naquele momento, toda a equipe do ministro estava envolvida com o esquema e já havia fortes indícios da participação do Dias no episódio. Agora temos a PF pedindo o seu indiciamento por acreditar no seu efetivo envolvimento. A presidente Dilma deveria dar uma resposta a altura e não tolerar práticas de corrupção, mas faz justamente o contrário – criticou Bueno.

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