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Economia

Lideranças do Sul do Estado pressionam JBS para definição sobre venda da unidade de Morro Grande

Empresa anunciou o fechamento para o dia 31, mas prefeitos tentam intermediar a venda da fábrica para evitar demissões

03/10/2017 - 08h33 - Atualizada em: 03/10/2017 - 10h01

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Por Redação NSC
(Foto: )

A unidade da JBS de Morro Grande, no Sul do Estado, pode ter as atividades paralisadas dia 11 deste mês. Lideranças da região, representantes dos trabalhadores e dos avicultores querem pressionar a empresa, que tem demonstrado pouca abertura aos grupos de investidores interessados em comprar a unidade. A JBS informou que dia 31 de outubro encerra os serviços no setor de abate, mantendo somente a fábrica de ração em funcionamento.

Na manhã desta terça-feira, prefeitos do extremo Sul e da região carbonífera de reuniram em Morro Grande para buscar uma alternativa. Com o fechamento do abate, mais de 600 trabalhadores serão demitidos e 130 produtores desligados. Segundo o prefeito Valdiomir Rocha, o encerramento das atividade representar menos R$ 250 mil ao mês com a arrecadação de impostos. Atualmente, 55 mil aves são abatidas por dia.

— É um impacto muito grande, 80% do nosso ICMS vem da empresa, praticamente significa a falência do município. Teremos que reformular o planejamento e rever investimentos — comentou o prefeito.

Na semana passada, um grupo de investidores esteve em São Paulo para discutir a compra da unidade, mas segundo Rocha, a empresa não abriu números importantes, como o faturamento da fábrica na cidade. O presidente da Associação dos Avicultores do Sul de Santa Catarina, Emir Tezza, estima que pelo menos 90% dos produtores integrados tenha adquirido empréstimo bancário para adequar os aviários às exigências da empresa, e que agora estão sem perspectivas.

— A gente está preocupado. Ao que tudo indica, o desinteresse da empresa em vender é muito grande, ela não quer um concorrente. Ela não se nega a vender, mas não negocia com clareza, o que tem dificultado para que as coisas avancem — analisou Tezza.

As lideranças irão procurar o governador do Estado Raimundo Colombo para buscar apoio à causa, pois querem evitar o impacto econômico e social que o fechamento do abate representa. Se até dia 10 deste mês não houver nenhum encaminhamento concreto a respeito do assunto, está marcado para dia 11 uma manifestação e a paralisação das atividades em Morro Grande.

— Agora temos que apertar. A ideia de irmos ao governo do Estado é justamente porque a tentativa de alguns investidores de adquirir a fábrica não esta tendo entendimento. A JBS está dificultando, não vai haver negócio quando as duas partes não querem negociar. Temos que ter uma interferência forte, criar mecanismos para fazer com que ou a unidade continue, ou que abra a empresa, os números, e que os valores sejam condizentes com a realidade de venda — avaliou o presidente da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec), Ademir Magagnin.

Pelo menos 60 trabalhadores devem ser transferidos

No plano de fechamento da unidade, a JBS informou aos funcionários interessados sobre a possibilidade de transferência para as unidades de Nova Veneza ou Forquilhinha. Segundo o diretor do Sindicato da Alimentação de Criciúma e Região, Célio Elias, até agora 60 trabalhadores quiseram a transferência. Eles deverão entrar no itinerário do transporte já disponível, ou ir até a fábrica com veículo próprio, pois novas linhas de ônibus não serão oferecidas.

No acordo de desligamento firmado junto ao Ministério Público do Trabalho, também foi conquistado um bônus de R$ 1.250 para cada trabalhar demitido, que tenha pelo menos um ano de empresa. Dos 740 funcionários da unidade, 50 trabalham no setor de ração que será mantido, 60 tem o interesse em transferência e o restante, 630, será demitido.

Em nota, a JBS informa que em função da otimização e racionalização da malha produtiva, decidiu encerrar em 31 de outubro o abate de aves em Morro Grande. Segundo o comunicado, a produção que é hoje realizada nesta unidade será absorvida pelas unidades vizinhas de Forquilhinha, Nova Veneza e São José e por outras fábricas que a empresa mantém no Estado. A empresa foi questionada sobre as negociações de venda e grupos interessados, mas não se manifestou sobre o assunto.

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