As ruínas do Hospital Oscar Schneider foram sepultadas pelo Cemitério Municipal de Joinville. As lembranças daquele que foi o primeiro manicômio da cidade – e o segundo do Estado – também estavam esquecidas em documentos e antigas matérias de jornal até que a mestranda em psicologia Mariana Zabot Pasqualotto e o professor e doutorando em psicologia Allan Henrique Gomes decidiram resgatá-las.

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Elas formam um dossiê importante sobre o último momento da história em que as doenças mentais foram vistas sob o espectro da ameaça e do estranhamento, numa época em que os estudos sobre o tema estavam muito distantes do atual.

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Com a colaboração de seis estudantes de psicologia da ACE, Mariana e Allan organizaram o livro Memórias da Loucura em Joinville: o (des)aparecimento do Abrigo Municipal de Alienados na Cidade, lançado no fim de agosto. A pesquisa recorda a trajetória das instituições em que, desde a criação da Colônia Dona Francisca, eram mantidos aqueles considerados loucos, até a abertura, em 1923, do Abrigo Municipal de Alienados Oscar Schneider.

– Na época, não havia tratamento. A ideia era isolar as pessoas do convívio social – explica Mariana. – Hoje, entende-se que a loucura é produzida socialmente e o que era considerado loucura em um momento da história, depois não é mais.

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Neste contexto, pessoas com qualquer tipo de deficiência física e mental eram candidatas a serem removidas de suas vidas para tornarem-se internas. Em uma das fichas encontradas no livro de registros do abrigo, por exemplo, uma paciente tinha como motivo o simples fato de ser muda.

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