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Loetz: Algo está se mexendo

Colunista de "AN" faz uma análise do cenário político e econômico a partir de três fatos recentes

04/02/2017 - 06h31

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Por Redação NSC

Primeiro fato

O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, acredita que o pior da crise econômica brasileira já passou. Repete análise do presidente do Grupo Whirlpool, João Brega, como informamos na coluna de sexta-feira. O executivo do sistema financeiro lembra que a retomada da economia se dará, principalmente, via agricultura. Sim, o agronegócio continuará a ser motor de possível expansão - ainda que tímida -, neste e nos próximos anos.

Segundo fato

O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi reeleito para presidir a Câmara de Deputados por mais dois anos. Era o nome preferido pelo presidente Michel Temer (PMDB). Uma boa notícia para o governo interessado em apressar o trâmite de projetos de reformas estruturantes.

Terceiro fato

Em março, R$ 40 bilhões serão injetados no fluxo de negócios em todo o País por causa da permissão de saques do FGTS de contas inativas. Isso dará algum fôlego ao fluxo de caixa do comércio, que receberá mais clientes, depois que estes tiverem pago toda ou parte de suas dívidas forjadas nos últimos anos em razão de comportamento irracional de consumo, como de perda de emprego e renda.

As três informações acima, aparentemente, são desconexas, mas ajudam a orientar o raciocínio que se seguirá. O olhar prospectivo aponta para um ambiente de negócios menos enviesado para baixo. Até agora - e ao longo dos últimos três anos -, raras eram as notícias positivas que permitiam algum sinal mais claro de otimismo.

Aqui não se advoga a história da Poliana, a menina que só enxergava o lado róseo das coisas e da vida. Muito ao contrário. A coluna tem feito reflexões contundentes, opinando sobre as dificuldades enfrentadas pela sociedade brasileira. Quer no plano municipal, quer nos âmbitos estadual e federal que, aliás, não faltam. Problemas há e aos montes. Cotidianamente, surgem novos. Criar condições para que os brasileiros consigam minimizar suas perdas e ganhar alento para atravessar o curto prazo com o mínimo de sofrimento também é dever conjunto dos governos - cada qual com suas atribuições e responsabilidades - e dos próprios cidadãos, que batalham por melhorias para suas vidas.

Quando expoentes como Trabuco e Brega sinalizam para melhorias no contexto competitivo e anteveem algum futuro, é porque algo está se mexendo. Não é para já, também sabemos todos. No entanto, devemos notar uma fresta na janela. Embora esteja, a janela, embaçada pela tormenta. Trabuco e Brega não são personagens quaisquer. Sabem o que falam. Dispõem de informações e análises profundas e privilegiadas sobre conjuntura e ideário, que embasam seus comentários. São indiscutíveis líderes em suas respectivas áreas de atuação. Aliás, áreas vitais para o funcionamento da economia. O sistema financeiro e o varejo de eletrodomésticos são atividades sensíveis aos movimentos da política do governo: tanto sob o ponto de vista monetário, quanto fiscal.

Maia no comando da Câmara de Deputados sugere que haverá apoio decisivo na definição de pautas de interesse do presidente da República. A pressa em se apreciar e votar projetos de reformas (em especial a da Previdência) e, também, a da legislação trabalhista ganha um aliado importantíssimo. Claro que nada vai se transformar de um dia para o outro. A resistência será incandescente. Até porque os conceitos expressos no ideal das reformas, como já noticiado, vão destruir direitos sociais. O que quero demonstrar é que estamos próximo a um novo momento. Ainda não se fez a inflexão desejada dos rumos dos negócios. No entanto, a perspectiva para o médio prazo é bem menos ruim do que já foi desde 2014 até novembro passado.

Se os números e gráficos de estatísticas oficiais resistem ao otimismo desenfreado das "polianas", aquele sentimento negativista de desesperança absoluta já não impera mais em todos os corações e mentes. É inegável que o nível de desemprego permanece absurdamente elevado; que os juros, cobrados na ponta do tomador de crédito junto a bancos, financeiras ou lojas são extorsivos. É inegável que as cadeias produtivas da construção civil e do setor automotivo custam a sair do buraco cavado. É inegável que estes elementos têm impacto direto sobre a vida das pessoas, no seu dia a dia.

Então, se não vivemos apenas de esperança, nem apenas de acreditar no que dizem especialistas e executivos de ponta, ainda não é razoável pedir para a população crer que o mundo vai melhorar rapidamente. A ideia central deste texto é apontar para possibilidades. E advertir para se continuar com a cautela necessária para termos vida (quase) plena após amargar 40 meses de sufoco e penúria.

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