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Loetz: Investidores fazem proposta de compra pela Busscar

5ª Vara Cível da Comarca de Joinville recebeu plano de aquisição que engloba todos os ativos da empresa

02/11/2016 - 06h01

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Por Redação NSC
(Foto: )

O juízo da 5ª Vara Cível da Comarca de Joinville recebeu proposta de compra englobada de todos os ativos da Busscar, nos autos do processo de falência. O proponente é um grupo de investidores que oferece R$ 67,15 milhões. Extraio da decisão judicial, de 27 de outubro deste ano, as informações.

O grupo quer pagar o valor em 52 parcelas, com entrada de 14% do total, o que corresponde a R$ 9,401 milhões. O saldo, de R$ 57,749 milhões, terá correção mensal pelo índice adotado pelo Tribunal de Justiça e que praticamente equivale à Selic. O proponente se compromete a retomar a atividade operacional, ou seja, a produzir carrocerias de ônibus no mesmo endereço onde funcionava a fábrica de Joinville.

Para colocar a Busscar novamente no mercado, o interessado anuncia que vai investir pelo menos R$ 100 milhões. A intenção é iniciar as atividades em meados de 2017. Os bens que compõe a proposta englobada reúne a fábrica de carrocerias; a unidade de Pirabeiraba; e a unidade de Rio Negrinho, com fábrica de peças.

A venda se dará pelo valor e condições listadas no prazo de 30 dias corridos, se não surgir nenhum outro interessado com proposta melhor, na análise do juiz Dr. Walter Santin Junior.

Valor adequado

O magistrado avalia como positiva a proposta feita.

- Está adequada ao cenário mercadológico atual e também é boa por oxigenar o mercado de trabalho local, com geração de empregos, rendas e tributos.

E diz mais o juiz:

- Afasto qualquer hipótese de ser preço vil, porque o preço ofertado representa 50,4% da última quantia definida por este juízo anteriormente: 49% do valor de avaliação do ativo imobilizado.

Então, a conclusão é de que a proposta também deve ser apoiada pelos ex-empregados da empresa Busscar.

Multa

O juiz ainda escreve em sua sentença:

- Em caso de contraproposta por escrito, de outro interessado, deverá ser realizado leilão. E este potencial interessado já fica ciente de que, se negativo o resultado do leilão, a sua oferta o vincula à aquisição do ativo operacional da massa, de tal forma que, em caso de desistência, terá de pagar multa de 20% sobre o valor da proposta.

Pagamento

Se efetivada a venda dos bens das três unidades, é possível que os ex-trabalhadores da Busscar comecem a receber parte de seus créditos até janeiro de 2017. Até agora, foram vendidas a Tecnofibras, Climabuss, ações da Busscar Colômbia e os ativos não operacionais. Caso seja aceita pelo juízo a proposta de venda englobada, somados os valores já arrecadados, o total representaria aproximadamente R$ 100 milhões, que é o valor em créditos a que os ex-trabalhadores têm direito.

Visitas

Só em outubro, dez potenciais interessados visitaram o parque industrial da Busscar. Havia gente de olho nos bens unicamente para fins imobiliários; outros, só interessados em adquirir algumas máquinas; e poucos a operação toda. A venda separada certamente arrecadaria valor inferior aos R$ 67,15 milhões anunciado pelo proponente.

Proposta negada

Empresa de Joinville fez proposta pelas instalações onde funcionava a fábrica de carrocerias, com a finalidade exclusivamente imobiliária. Ofereceu R$ 30 milhões. Recebeu um não como resposta.

História

A Busscar já foi uma das maiores fabricantes de carrocerias de ônibus do País. Cresceu no embalo do desenvolvimento do setor automotivo, da expansão da rede da malha rodoviária de todo o País a partir da década de 1970. Teve seu auge nas décadas de 1980 e 1990.

Entrou em declínio após o falecimento do fundador e ex-presidente Harold Nielson, em 1998. Em 2004, precisou de financiamento do BNDES para se reerguer. A crise econômica de 2008-2010, combinada com ineficiência administrativa, jogou a companhia familiar em recuperação judicial, em 2011. Na sequência, sobreveio a falência.

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