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    Antes do aumento

    Lojas têm estoques de carros com IPI menor

    Veículos comprados em 2013 não foram afetados pela elevação da alíquota do imposto e ainda há unidades à venda na Capital

    06/01/2014 - 02h02

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    Por Redação NSC
    Concessionária na Capital calcula que impacto para o consumidor deve começar a aparecer em fevereiro
    Concessionária na Capital calcula que impacto para o consumidor deve começar a aparecer em fevereiro
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    Quem perdeu a oportunidade de comprar um automóvel com o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido em dezembro, ainda consegue encontrar modelos com alíquotas mais em conta nas lojas de Porto Alegre.

    O estoque - formado por carros comprados em 2013 pelas concessionárias e, portanto, não afetados pelo aumento - deve durar até o fim de janeiro.

    Com desconto também estão os veículos populares fabricados no ano passado sem os itens de segurança agora obrigatórios, o freio ABS e o airbag. As tradicionais promoções de início do ano devem tornar os valores ainda mais atrativos.

    Especialistas projetam que com o IPI mais alto, e itens de segurança, comprar um carro novo deve ficar pelo menos 3% mais caro, conforme o modelo. Carlos Brittes, gerente de vendas da Guaibacar, na Capital, pondera que o impacto no bolso do consumidor deve chegar só em fevereiro. A frota de 400 unidades da concessionária deve segurar os preços mais baixos durante este mês.

    - Como trabalhamos com margens bastante apertadas, seremos obrigados a repassar o aumento da indústria. Carros populares, que hoje custam entre R$ 30 mil e R$ 35 mil, vão ter acréscimo entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil em fevereiro - afirma.

    9% é a atual alíquota do IPI para veículos

    flex com motorização de 1.0 até 2.0.

    Ambrosio Pesce Neto, vice-presidente do Sindicato das Concessionárias e Distribuidoras de Veículos (Sincodiv-RS) e diretor da Iesa Veículos, projeta uma alta média mais suave, entre R$ 600 e R$ 700 porque grande parte dos modelos já vinha com freio ABS e airbag antes mesmo da obrigatoriedade:

    - Ajustes maiores devem acontecer mesmo é no meio do ano, quando as alíquotas voltarem aos níveis originais.

    Com 600 carros disponíveis para venda, Ambrosio afirma que é difícil prever por quanto tempo vai durar o estoque e alerta para as dificuldades do cliente encontrar o automóvel mais conveniente.

    - Se for olhar apenas os carros com maior procura, não tenho mais do que 200 unidades - acrescenta.

    Gerente de vendas da Sinoscar, Jackson Tavares More, credita o movimento fraco nas concessionárias nos primeiros dias de 2014 ao feriadão prolongado de Ano-Novo e projeta aumento no volume de vendas em janeiro.

    - Os consumidores se anteciparam em dezembro e tivemos um bom faturamento. Esperamos que o ritmo acelere nos próximos dias e que os clientes aproveitem o IPI mais baixo. Temos 735 carros em estoque, 300 deles do modelo mais procurado. Deve durar não mais do que três semanas - afirma More.

    Alíquota deve voltar a ficar cheia em julho

    As alíquotas de 3% sobre carros até 1.0 e de 9% para veículos a partir de 1.0 a 2.0 devem permanecer até o fim do primeiro semestre. O Planalto planeja retomar a cobrança dos valores originais após o dia 30 de junho (veja quadro). A alta, no entanto, está condicionada ao nível de atividade da indústria, como observou o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira, na semana passada.

    Em 2013, o comércio de veículos teve primeira queda em 10 anos, segundo a Federação Nacional dos Distribuidores de Veículos Automotores (Fenabrave). Com a venda de 3,57 milhões de automóveis e comerciais leves, o setor teve retração de 1,61% sobre o ano anterior. O resultado negativo veio a despeito de um ano inteiro com alíquota mais baixa do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

    Em maio de 2012, quando as montadoras estavam com estoques acima da média, o governo mexeu no tributo para estimular vendas e evitar demissões. O desconto fez a indústria automobilística bater recorde nos meses seguintes e o tributo começou a ser recomposto em janeiro seguinte.

    Letícia Costa, diretora do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), afirma que outros fatores, além do aumento do IPI, como aumento na taxa básica de juros e endividamento das famílias, podem influenciar o consumo. Especialista em setor automotivo, Letícia projeta que as vendas não devem cair abruptamente, mas também não tendem a apresentar sinais de crescimento expressivo.

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