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    Lula solto: vizinhos da vigília de apoio ao ex-presidente esperam volta à normalidade

    Manhã de sábado foi a primeira em 580 dias sem o "bom dia" a Luiz Inácio Lula da Silva em frente à carceragem da PF, em Curitiba (PR)

    09/11/2019 - 15h10

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    Jean
    Por Jean Laurindo
    Local onde ocorreu o ato de apoio ao ex-presidente nesta sexta-feira.
    Local onde ocorreu o ato de apoio ao ex-presidente nesta sexta-feira.
    (Foto: )

    Depois da saída do ex-presidente Lula da prisão, nesta sexta-feira, por conta da decisão do STF que derrubou a detenção após condenação em segunda instância, a manhã começou diferente na Vigília Lula Livre.

    A vigília reunia de 50 a 200 pessoas por dia, com atos de apoio ao ex-presidente e gritos de "bom dia", "boa tarde" e "boa noite" para Lula. Na vizinhança, como no Brasil ainda polarizado dos dias atuais, o grupo despertou reações antagônicas.

    Havia quem reclamava do barulho, da causa e da persistência dos militantes. Uma vizinha que prefere não divulgar o nome relata até registros de desavenças que resultaram em uma ação judicial.

    Outros vizinhos tiveram convivência mais pacífica e chegaram até a fazer amizade com alguns apoiadores. Carlos, que prefere não informar o sobrenome, é vizinho de uma casa que servia de apoio aos manifestantes.

    Ele lembra que no começo o movimento ocupava as ruas, bloqueava acessos e causava transtornos, mas conta que nos últimos meses a mobilização tornou-se mais organizada e a convivência passou a ser tranquila.

    "Bom dia" nem tão cedo

    Carlos, que discorda da soltura de Lula e de outros presos, diz que uma conversa com os apoiadores do ex-presidente fez com que os atos de apoio não fossem nas primeiras horas da manhã.

    Os horários dos cumprimentos passaram a não ser tão cedo, com uma política de boa vizinhança conseguimos viver em harmonia. Agora a expectativa é de volta à normalidade, porque foi algo que mudou muito a vida do bairro.

    Alheia à divisão, uma família chegou a aproveitar o sábado para fazer a mudança para uma casa alugada ao lado da vigília, antes vazia.

    Para quem se revezou nesses dias de mobilização, o sentimento de ver Lula deixando a sede da PF pelo portão da frente foi de alívio, caso de Rosane Silva, que faz parte da direção nacional do PT.

    A sensação é de quem ganhou uma eleição. De quem ganhou a Copa do Mundo.

    O diretor do Movimento Sem-Terra (MST) do Paraná, Roberto Baggio, esteve perto de Lula no pronunciamento que ele fez na vigília ao sair da prisão, e disse ter visto um ex-presidente ainda com vigor para a luta política.

    Temos clareza que a luta segue, mas nós sentimos vitoriosos com o objetivo a que nos propomos.

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