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    Madeira, ouro e fogo: conheça a arte do catarinense Cainã Gartner

    Depois de aprender marcenaria com o pai, Cainã reinventou o ofício e entrou de vez no mercado de luxo

    15/12/2019 - 14h08

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    Por Marina Martini Lopes
    Cainã cresceu dentro do ateliê do pai, em Gaspar (SC), aprendendo com os familiares o ofício e o manuseio de ferramentas
    Cainã cresceu dentro do ateliê do pai, em Gaspar (SC), aprendendo com os familiares o ofício e o manuseio de ferramentas
    (Foto: )

    Transformar uma tradição familiar em arte e luxo: foi o que Cainã Gartner, nascido em Blumenau (SC), fez com a marcenaria, ofício seu pai, avô e bisavó. As três primeiras gerações da família trabalhavam com produções em série, em larga escala, conforme conta o próprio Cainã. "Eles nunca trabalharam com peças artísticas", diz, destacando que seu pai e avô produziam para empresas nos ramos de móveis e decoração, por exemplo. O artista cresceu dentro do ateliê do pai, em Gaspar (SC), aprendendo com os familiares o ofício e o manuseio de ferramentas: "Trabalho dentro do ateliê desde sempre", conta. "O que as pessoas chamam de 'talento' na verdade envolveu muitos anos de aprendizado dentro da oficina do meu pai e do meu avô."

    A transição para a produção de peças exclusivas aconteceu de maneira natural, por meio de encomendas que Cainã começou a receber. "Alguém me disse: 'Ah, você consegue criar umas peças de xadrez em tamanho maior para mim?' Eu fiz; assinei, outra pessoa viu, gostou, fez outra encomenda... E eu fui fazendo." Ainda adolescente, com cerca de 15 anos, Cainã desenvolvia produtos para marcas como Imaginarium e Tok&Stok; e, aos 21 anos, decidiu abrir o próprio negócio, passando a se dedicar unicamente às peças exclusivas.

    À madeira, já familiar para a família Gartner, Cainã adicionou outros dois elementos: o ouro e o fogo. "O ouro sempre me fascinou; tanto por suas propriedades físicas quanto pelo seu significado", comenta. "Ele foi um dos primeiros metais a ser trabalhados pela humanidade; e, claro, é um material nobre, um objeto de desejo. Também é um excelente condutor e transmissor, o que me permite criar metáforas: eu uso o ouro para transmitir energias, sentimentos, por exemplo." Ele cita uma raquete quebrada que criou, contando que adicionou o ouro "escorrendo" para fora da rachadura no objeto; para representar o sentimento do tenista "transbordando" naquele momento.

    Já o fogo é aproveitado por Cainã para dar contraste às obras por meio da carbonização, sem precisar usar tinta para criar diferentes tons. Apenas processos naturais são empregados no acabamento das peças. "Aprendi basicamente sozinho, na tentativa e erro", diz Cainã a respeito de como passou a trabalhar com os elementos que até então não faziam parte do ateliê da família. Para se aprimorar nas técnicas de manuseio do ouro, ele fez um curso específico, com um profissional italiano.

    À madeira, já familiar para a família Gartner, Cainã adicionou outros dois elementos: o ouro e o fogo
    À madeira, já familiar para a família Gartner, Cainã adicionou outros dois elementos: o ouro e o fogo
    (Foto: )

    O artista diz que, hoje em dia, 90% de suas produções são encomendas: a partir do pedido inicial, Cainã desenvolve um projeto detalhado, que é então revisado e aprovado pelo cliente antes de ir para a oficina. "O tempo de finalização de uma obra varia bastante de acordo com o projeto e o nível de detalhamento exigido", ele explica. "Hoje, uma encomenda costuma levar cerca de dois meses para ficar pronta."

    Neste ano, a arte de Cainã ganhou projeção nacional e internacional com a criação de uma coleção limitada de capacetes inspirados naquele usado por Ayrton Senna em 1993: o projeto celebrou os 25 anos de legado do piloto brasileiro, portanto, 25 peças foram produzidas. No "Senna Day", em primeiro de maio, a obra foi entregue em Interlagos, São Paulo; e a mãe do piloto, Neyde Senna da Silva, foi quem ficou com a primeira peça criada para a coleção. "Esse sem dúvida foi meu projeto com maior valor sentimental", afirma o artista. "Chega a ser indescritível o sentimento de poder eternizar uma parte do legado de Senna com a minha arte."

    Outras criações de destaque foram uma raquete toda em madeira, com uma bola de tênis, para o tenista Roger Federer, celebrando seu centésimo título; um pégaso de dois metros de altura criado em parceria com o artista plástico Julian Gallash; e um capacete de gladiador que hoje decora o estúdio do tatuador Wagner Maximus, em São Paulo.

    O ateliê de Cainã fica em Gaspar, mas ele tem também uma galeria em Balneário Camboriú (SC). Atualmente, o artista trabalha na expansão de sua carreira para o mercado internacional: o próximo objetivo é montar um ateliê em Miami, na Flórida, Estados Unidos.

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