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Política

Maia, deputados do PSDB e do centrão criticam transferência de Lula para São Paulo

Juíza federal Carolina Lebbos decidiu nesta quarta-feira que ex-presidente seja transferido de Curitiba para o presídio de Tremembé

07/08/2019 - 16h39 - Atualizada em: 07/08/2019 - 17h19

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Por Folhapress
Câmara dos Deputados
Rodrigo Maia foi um dos parlamentares a se posicionar contra a transferência do ex-presidente Lula

*Por Angela Boldrini e Danielle Brant

Na Câmara dos Deputados, o presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), parlamentares de partidos do centrão e até do PSDB criticaram, nesta quarta-feira (7), a decisão da juíza federal Carolina Lebbos de autorizar a transferência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de Curitiba para uma unidade prisional em São Paulo.

A juíza negou um pedido da defesa de Lula para aguardar decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre eventual suspeição das decisões do ex-juiz Sergio Moro (hoje ministro da Justiça) e anulação do julgamento do ex-presidente.

No plenário, o deputado Joaquim Passarinho (PSD-PA) afirmou estranhar a decisão da juíza.

— Apesar de nunca ter votado nele, acho que (Lula) é um ex-chefe de Estado e merecia um outro tratamento — disse.

Para ele, tocar no assunto mais de um ano depois parece "perseguição à toa."

Maia respondeu, concordando.

— Tem toda razão, deputado — afirmou.

O presidente da Câmara se colocou à disposição "para que o direito do ex-presidente seja garantido."

José Nelto (GO), líder do Podemos, também qualificou a decisão da juíza de perseguição.

— O que a Justiça fez hoje, eu quero aqui condenar publicamente. Não se justifica retirar o ex-presidente Lula de Curitiba e levar para Tremembé. Isso é humilhação, esta juíza deveria repensar os seus atos. Perseguição eu não aceito com ninguém, seja de direita ou de esquerda — afirmou.

Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), deputado ligado a Aécio Neves (PSDB-MG), qualificou a decisão judicial de "verdadeiro absurdo". Segundo ele, é algo que "coloca em risco o respeito que o Brasil conquistou como país garantidor dos direitos."

Marcelo Ramos (PR-AM), ex-presidente da comissão da Previdência, prestou solidariedade ao ex-presidente.

— Diz na minha terra que pau que dá em Chico dá em Francisco. Hoje, muitos estão aplaudindo porque é um opositor político — disse.

No PT, a decisão é avaliada como grave. Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidente nacional do partido, disse estar surpresa com a decisão.

— É interessante que para o ex-presidente Temer todas as garantias foram conferidas e concedidas. Para o ex-presidente Lula, é nada. E é tudo muito rápido. Então é uma perseguição — afirmou.

Para Gleisi, é um risco à segurança e vida de Lula deixá-lo sob tutela da polícia do governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

— Principalmente pelas motivações políticas que essa pessoa já expressou ao longo das suas manifestações — disse.

No Twitter, o governador ironizou a petista.

"Fique tranquila, ele será tratado como todos os outros presidiários, conforme a lei. Inclusive, o seu companheiro Lula, se desejar, terá a oportunidade de fazer algo que jamais fez na vida: trabalhar!", publicou.

Paulo Pimenta, líder do PT na Câmara, associou a decisão como uma "resposta da (operação) Lava-Jato a um agravamento das denúncias que têm sido divulgadas, como as que foram nas últimas 48 horas sobre a ação ilegal que buscava atingir ministros da Suprema Corte, e hoje demonstrando inclusive vínculos com o próprio Poder Legislativo.

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