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BOCAS FAMINTAS

Mais de 11 mil quilos de carne foram desviados de creche em Criciúma, conclui polícia

Investigação resultou na Operação Bocas Famintas, quando duas mulheres foram presas em flagrante

03/12/2019 - 16h21 - Atualizada em: 03/12/2019 - 17h30

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Clarissa
Por Clarissa Battistella
Apreensão ocorreu em outubro
Apreensão ocorreu em outubro
(Foto: )

Mais de 11 toneladas de carne destinadas à merenda escolar foram desviadas de creches de Criciúma, no Sul de Santa Catarina, concluiu o inquérito da Polícia Civil. A venda irregular resultou em um prejuízo de R$ 143 mil para a cooperativa responsável pela distribuição dos alimentos. O desfecho das investigações foi divulgado nesta terça-feira (3), pelo delegado Túlio Falcão.

A apuração já havia resultado na Operação Bocas Famintas, realizada no dia 26 de outubro, quando duas mulheres foram presas em flagrante. Uma delas era funcionária pública, no cargo de nutricionista. Cabeça do esquema, a mulher vai responder por crimes de peculato - quando se aproveita do cargo público para obter vantagem - e receptação. A outra, uma taxista, também responde por receptação.

Além delas, outras cinco pessoas foram indiciadas pela polícia, porém, pela compra ilegal do alimento. Responsável pelas diligências, o delegado esclareceu que os desvios ocorrem desde 2018:

— Temos indícios de que, em novembro já ocorriam as vendas de carne e em grande quantidade. Há conversas entre a nutricionista e a taxista, em que combinavam de comprar um reboque e um freezer para guardar carne, devido ao volume que era desviado.

Após a prisão das suspeitas, muitas pessoas foram até a delegacia para devolver as carnes que tinham sido adquiridas através da taxista. Ela "vendia para a vizinhança", diz o delegado, a valores bastante abaixo do mercado.

Entre os compradores industriais, ao menos cinco foram identificados e vão responder processo criminal por receptação. Eram restaurantes, panificadoras, padarias e lanchonetes. O dono de um restaurante foi preso em flagrante, ao ser surpreendido pela polícia quando comprava carne.

— Esses pagavam R$ 5 o quilo. É abaixo de 50% do valor de mercado — compara o delegado, Túlio Falcão.

Ainda, conforme o titular da delegacia, a nutricionista não só comprava a carne e não repassava às creches, como retirava parte do alimento já repassado para revender.

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