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    Mais que um troféu, Copa SC é a chance de recomeço. O JEC que o diga

    Joinville cresceu a partir do título de 2009 e tenta se reestruturar a partir da competição que inicia neste domingo

    15/09/2018 - 12h14

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    Por Redação NSC
    Rafael Tesser foi um dos principais nomes da campanha tricolor ao título de 2009
    Rafael Tesser foi um dos principais nomes da campanha tricolor ao título de 2009
    (Foto: )

    A Copa Santa Catarina começa neste domingo com um protagonista que enxerga no torneio uma oportunidade de recomeçar. Rebaixado em três divisões nacionais nos últimos quatro anos, o Joinville chegou ao fundo do poço, lugar que, por sinal, o clube conhece bem. Em 2009, quando estava fora de série, foi a partir da Copinha que o JEC iniciou uma arrancada que o levou à Série A em 2015. O título da competição garantiu o Tricolor como um dos participantes da Série D de 2010. Dali em diante, foram três acessos em cinco anos, com dois títulos nacionais.

    A direção do clube decidiu apostar na Copinha para reestruturar o departamento de futebol e dar o primeiro passo para repetir a história. Se tudo der certo, o retorno à elite ocorrerá em 2022. Hoje, parece um sonho distante. Mas em 2009 também era. Peça-chave no título naquele ano, o lateral-direito Rafael Tesser lembra bem de todo o trabalho realizado.

    – Pouca gente sabe, mas em 2009 a gente falava no vestiário que o nosso projeto era Série A em 2012. Nunca divulgamos isso para não criar expectativas exageradas. Mas a gente sempre brincou com isso – revela Tesser.

    Segundo o ex-atleta, cinco pontos foram fundamentais para o projeto funcionar: bom time; ambiente saudável (com salários em dia); comando técnico firme (Sergio Ramirez era o treinador); gestão das promessas (o que era combinado precisava ser cumprido); e aceitação da realidade.

    – As pessoas acham que é só juntar um bom time para as coisas funcionarem. Não é bem assim. Tudo tem que caminhar bem. Se todo mundo não remar na mesma direção, você nunca alcançará o objetivo – recomenda.

    E quando Tesser fala de “todo mundo”, ele descreve a palavra literalmente para citar os envolvidos com o clube.

    – Se o massagista estiver com salários atrasados, ele faz o tratamento de qualquer jeito. O jogador fica sensibilizado pela dificuldade do profissional que ganha menos e passa a não confiar na diretoria. Daí o discurso do treinador não encaixa, tudo começa a desandar. Se você promete uma bala, você tem que cumprir – diz.

    Com promessas cumpridas, se formou um elenco campeão e uma boa base que conseguiu o acesso para a Série C. Dos campeões da Copinha, participaram do salto para a Terceira Divisão o goleiro Fabiano; Tesser; os volantes Carlinhos Santos e Paulinho Dias; e o meia Ricardinho.

    – Deu certo, fora de campo as coisas foram cumpridas e dentro de campo funcionou. Jogador conversa muito. Quando recebemos uma proposta, já sabemos pelos contatos que temos como está o clube. Tem gente que oferece mais, em campeonatos melhores, mas não cumpre. E as escolhas são feitas por crenças em projetos – reforça o ex-jogador.

    Joinville mantém os pés no chão na Copa SC

    Pelo menos na teoria, o novo Joinville tem seguido à risca o que recomenda Rafael Tesser. O novo gerente de futebol, Agnello Gonçalves, trabalha com um teto salarial de R$ 200 mil mensais (valor que inclui viagens e concentrações). Com o orçamento baixo, contratou seis jogadores e aposta no cumprimento das promessas para convencê-los a permanecer no projeto e recuperar a credibilidade para trazer outras peças.

    Mas a torcida também desempenha um papel importante. Com tantos rebaixamentos nos últimos anos, ela deixou de frequentar a Arena. Para Tesser, só com a aceitação do novo momento e engajamento de todos o Joinville sairá do buraco.

    – Não adianta pensar em Série B e Série A agora. Sem ganhar a Copa Santa Catarina, passar pela Série D, pela Série C, não se chegará lá. Foi o que fizemos na época e é o que precisa ser feito agora – conclui Tesser.

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