— Eu deixei Swat com os olhos fechados e agora eu retorno com os olhos abertos — declarou neste sábado (31) a paquistanesa Malala Yousafzai, vencedora do Nobel da Paz, em uma visita repleta de emoção a seu vale natal, um sonho realizado, cinco anos depois do atentado talibã que a deixou entre a vida e a morte e a transformou em um ícone mundial.

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— Eu estou extremamente feliz. Meu sonho se tornou verdade — afirmou à AFP durante uma visita ao colégio Guli Bagh, a 15 km de Mingora, principal cidade do vale. — A paz voltou a Swat graças aos inestimáveis sacrifícios de meus irmãos e irmãs — completou, durante a visita relâmpago de pouco mais de duas horas.

A jovem de 20 anos, acompanhada por seus pais e os dois irmãos, chegou em um helicóptero militar procedente de Islamabad. Ela foi recebida por amigos e conhecidos.

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Na quinta-feira, a vencedora do Nobel chegou a Islamabad para uma visita de quatro dias sob fortes medidas de segurança e foi recebida pelo primeiro-ministro Shahid Khaqan Abasi. Ela não pisava em território paquistanês desde 2012.

Mingora é a cidade em que Malala vivia até 9 de outubro de 2012, quando extremistas do TTP (talibãs paquistaneses) invadiram o ônibus escolar que a transportava para casa depois da aula. Um deles perguntou “Quem é Malala?” antes de atirar na cabeça da adolescente.

As autoridades paquistanesas, acusadas de não combater com afinco as raízes do extremismo, mencionam a região de Swat como exemplo do sucesso da luta do governo contra os talibãs e grupos ligados à Al-Qaeda. Recentemente a região foi declarada suficientemente segura para sua reabertura ao turismo.

A jovem de 20 anos, acompanhada por seus pais e os dois irmãos, chegou em um helicóptero militar procedente de Islamabad
A jovem de 20 anos, acompanhada por seus pais e os dois irmãos, chegou em um helicóptero militar procedente de Islamabad (Foto: ABDUL MAJEED / AFP)

“Propaganda ocidental”

Em 2007, os talibãs paquistaneses assumiram o controle do vale do Swat, outrora uma tranquila região turística ao pé do Himalaia, e iniciaram um ciclo de violência, com decapitações e ataques aos colégios para meninas.

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Com apenas 11 anos, Malala tinha um blog no site da BBC em urdu, a língua nacional do Paquistão, no qual escrevia com o pseudônimo Gul Makai e descrevia o pânico que dominava o vale sob domínio dos extremistas.

Os talibãs, expulsos do vale pelo exército em 2009, acusaram Malala de veicular “propaganda ocidental” e decidiram matar a jovem.

Malala Yousafzai
Malala Yousafzai (Foto: ABDUL MAJEED / AFP)

A adolescente ficou gravemente ferida e foi atendida em um hospital militar local antes de transportada para Birmingham, no Reino Unido. Atualmente estuda Economia, Filosofia e Ciências Políticas na Universidade de Oxford.

Com o tempo, Malala se tornou um símbolo mundial da luta contra o extremismo e pelo direito das mulheres à educação, o que rendeu o Prêmio Nobel da Paz em 2014, ao lado do indiano Kailash Satyarthi.

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O Ocidente a elogia, mas em seu país ela é uma personagem polêmica e algumas pessoas a consideram “um agente do exterior” manipulado ou pago para prejudicar o Paquistão.

Além dos círculos islamitas radicais contrários à emancipação da mulher, Malala é alvo das críticas de parte da classe média paquistanesa, que a acusa de manchar a imagem do país.

“O Paquistão não trata bem seus heróis”, lamenta em um editorial o jornal Dawn, que cita como exemplo outro vencedor do Nobel, o físico Abdus Salaam, ignorado por ser membro da comunidade Ahmadi.

Para Malala seu retorno ao país é um “sonho” e ela afirma que pretende voltar quando concluir a formação no Reino Unido.

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— Meu plano é retornar ao Paquistão quando terminar os estudos, porque é meu país e tenho os mesmos direitos nele que qualquer paquistanês.

Ao falar sobre a educação das meninas no vale de Swat, a jovem elogiou as “mudanças importantes” realizadas desde 2012.

— A situação melhorou muito — disse à AFP, antes de destacar que as coisas ainda precisam avançar. —Li que quase metade das crianças continuam fora da escola na província. Teremos que trabalhar muito duro para que todos frequentem a escola.

* AFP

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