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Descaso com o patrimônio

Más condições do Museu do Mar, em São Francisco, levaram Amyr Klink a comprar imóvel para abrigar seu barco

Apesar da diversidade do acervo do museu, a estrutura não protege as embarcações

14/02/2015 - 12h42 - Atualizada em: 16/02/2015 - 05h22

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Por Redação NSC
Navegador usou barco para cruzar o Atlântico Sul a remo, feito que ninguém conseguiu repetir
Navegador usou barco para cruzar o Atlântico Sul a remo, feito que ninguém conseguiu repetir
(Foto: )

As condições precárias de conservação do rico acervo do Museu Nacional do Mar, em São Francisco do Sul, chegaram a um ponto tão crítico que o navegador Amyr Klink resolveu comprar uma casa ao lado do prédio para abrigar sua embarcação mais famosa, o barco IAT, com o qual ele cruzou o Atlântico Sul em 1984 a remo, um feito que até hoje ninguém conseguiu repetir.

>> VÍDEO: Em entrevista exclusiva, Amyr Klink fala de sua relação com São Francisco do Sul e desabafa: o museu precisa de mais cuidado

Embora o local tenha mais de 60 barcos, aquele era o mais requisitado e, desde 2010, não está mais lá. Foi retirado por Amyr para ser restaurado em São Paulo.

- Há meses, o barco tinha água dentro - explica o navegador.

Os visitantes ainda vão encontrar outras embarcações importantes, vídeos sobre as viagens e até a sala Amyr Klink, mas a embarcação mais famosa só existe no site de divulgação do museu.

Em entrevista exclusiva para "A Notícia", o navegador lamentou o descuido das instalações e destacou que não quer transferir seu acervo para outra localidade. Por isso, resolveu comprar a casa.

- Já recebi proposta da África do Sul, mas o lugar dele é aqui - explica Klink, que foi um dos mentores do surgimento do museu no início dos anos de 1990.

Nesta sexta-feira, "AN" visitou o local que recebeu, em 2014, quase 35 mil visitantes. Logo na entrada, a equipe se deparou com forte cheiro de umidade. O tecido de uma embarcação estava esverdeado de mofo, havia goteiras próximas, pisos soltos, paredes com tinta descascando, lonas cobrindo livros na biblioteca e uma sala interditada, segundo funcionários - a que servia para representação cênica do uso daquelas embarcações. Também era possível ver a cobertura externa com telhas faltando após o vendaval que destelhou boa parte do museu em janeiro.

Klink diz que a diversidade das embarcações brasileiras é única no mundo e o museu agrega todo este conhecimento, história e beleza, que são pouco conhecidos. A estrutura, diz ele, merece ser mais bem cuidada, expandida e modernizada.

O novo lar do IAT

A casa colonial verde contrasta com o amarelo das paredes do Museu do Mar. Ela sempre esteve ali, mas só foi descoberta por Amyr Klink quando ele esteve em São Francisco do Sul, no final do ano passado, para uma reunião sobre as condições do museu.

Quando viu aquela moradia ampla, de 500 m² e com poucas divisórias, apaixonou-se pelo local na hora. Aquele antigo escritório de uma companhia de navegação servia perfeitamente para seus planos. Em dezembro, fechou o negócio com o proprietário.

A ideia do navegador é conectar a casa ao museu através de um salão de 250 m². O projeto de restauração já está sendo desenhado e a expectativa é de trazer de volta o barco IAT até o mês de junho.

O ambiente será climatizado, imune à contaminação e concebido para oferecer uma experiência mais didática, moderna e atraente para os visitantes sobre o trabalho de Amyr Klink. O navegador defende que o Museu Nacional do Mar seja expandido e amplie a geração de receita para garantir a sustentabilidade econômica e conservação do acervo. Para ele, o local pode servir para outras atividades, como a de marina, para receber embarcações.

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