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Silêncio

Médicas do Mais Médicos decidem continuar em Jaraguá do Sul dois dias após pedirem para ir embora

Secretaria da Saúde confirma decisão das médicas, que não disseram o motivo para mudar de ideia

18/02/2014 - 04h55 - Atualizada em: 18/02/2014 - 05h08

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Por Redação NSC
As médicas cubanas de Jaraguá, Yamila Felicia e Yamile Mari, não quiseram comentar sobre a possível desistência ao programa
As médicas cubanas de Jaraguá, Yamila Felicia e Yamile Mari, não quiseram comentar sobre a possível desistência ao programa
(Foto: )

Depois de pedirem para deixar o programa federal Mais Médicos para voltar a Cuba, duas médicas estrangeiras que atuam em Jaraguá do Sul mudaram de opinião e decidiram ficar. Os motivos ainda são um mistério para a Secretaria de Saúde da cidade. No entanto, uma suposta coerção do governo cubano ganhou força nesta semana.

Yamila Felicia Valdes Gonzalez, 44 anos, e Yamile Mari Nin, 42, chegaram a Jaraguá em novembro do ano passado. Em dezembro, elas informaram à Secretaria de Saúde que desejariam retornar a Cuba. Dois dias depois, elas retrocederam da ideia e seguiram com o trabalho nos postos de Estratégia de Saúde da Família (ESF).

O fato se tornou público em reportagem da edição desta semana da "Veja". A revista aponta um telefonema de uma funcionária da Organização Panamericana de Saúde (Opas), de Porto Alegre, a cubana Vivian Isabel Chávez Pérez, como responsável pela permanência das médicas. Vivian, tema central da reportagem, é citada pela revista como uma "capataz" que teria por função "controlar os passos dos compatriotas".

Para a Secretaria de Saúde de Jaraguá, os motivos ainda são desconhecidos. O secretário da Saúde, Ademar Possamai, lembrou de um relato sobre a dificuldades no entrosamento de Yamile com a equipe do posto de saúde. Além disso, a saudade da família foi mencionada por uma funcionária do posto como um tema recorrente dos comentários da outra médica cubana, Yamila.

Procurada no posto de saúde do bairro Santo Antônio, onde trabalha em Jaraguá, Yamila afirmou que não deseja dar entrevistas - e assim foi desde sua chegada à cidade. A médica foi descrita por uma funcionária do posto como bastante tímida e quieta, característica confirmada pela coordenadora dos serviços de atenção básica de saúde, Nádia Silva.

Yamila disse apenas que gosta da cidade e de seu trabalho. Ela informou não ter conhecimento sobre a matéria da revista. A outra médica cubana, Yamile Mari, pediu a colegas do posto onde atua, no bairro Santa Luzia, que informassem suas recusas em dar entrevistas.

O secretário encontrou-se com as médicas apenas em janeiro. Ele conta que as duas teriam pedido desculpas pelo "mal entendido". Ele não identifica, porém, os motivos para a repentina mudança de ideia das profissionais.

Conferência por telefone

Na época em que as médicas demonstraram interesse em deixar o programa, o secretário de Saúde fez contato com a coordenação do programa, em Florianópolis. No dia seguinte, uma das funcionárias da secretaria em Jaraguá recebeu um e-mail, compartilhado com a coordenadora dos serviços de atenção básica, Nádia Silva.

A mensagem seria de uma psicóloga do Mais Médicos, identificada como Raquel. Ela teria escrito que uma ligação seria feita às médicas cubanas, em uma conferência por telefone. O nome de Vivian Isabel Cháves Péres aparece no e-mail como uma das pessoas que participariam desta conferência.

No dia seguinte ao recebimento do e-mail da coordenação regional, Nádia entrou em contato com o posto onde Yamile trabalha.

- A enfermeira me disse que a médica estava lá e que tudo estava bem. Desde então não houve mais nada de diferente e elas parecem felizes lá - conta Nádia.

Diferença salarial era conhecida

Na reportagem de "Veja", foi indicado que Yamile e Yamila sentiam-se desconfortáveis com o recebimento de cerca de R$ 1 mil, enquanto os colegas estrangeiros, do Cazaquistão e do México, recebiam cerca de R$ 10 mil.

Parte do salário dos cubanos é destinado ao governo daquele país. Tanto o secretário Ademar Possamai, quanto a coordenadora Nádia Silva, afirmam que a questão salarial jamais foi citada pelas médicas. O secretário diz que apenas o valor do vale-alimentação foi questionado. Em outras cidades o benefício era mais alto.

- Quando elas chegaram aqui, perguntei se elas tinham ciência da diferença salarial entre elas e os outros dois médicos. Elas confirmaram que sabiam e que estava tudo bem - informou Nádia.

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