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Depoimentos à PF

Médicos investigados usam direito ao silêncio e evitam falar sobre controle do ponto no HU

Operação da Polícia Federal deflagrada no mês passado apura irregularidades no controle de frequência de 27 médicos

01/07/2015 - 07h55 - Atualizada em: 01/07/2015 - 08h21

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Por Redação NSC
Médicos e testemunhas estão sendo ouvidos na sede da Polícia Federal, em Florianópolis
Médicos e testemunhas estão sendo ouvidos na sede da Polícia Federal, em Florianópolis
(Foto: )

No segundo dia de depoimentos da Operação Onipresença à Polícia Federal, médicos do Hospital Universitário têm se valido do direito ao silêncio e evitado comentar supostas irregularidades no controle de frequência.

Até as 11h desta quarta-feira, 17 dos 27 suspeitos foram ouvidos. Três delegados trabalham na coleta de depoimentos, e a PF espera concluir as audiências ainda hoje. Uma coletiva de imprensa marcada para esta quinta-feira, às 10h, dará mais detalhes sobre o andamento da operação.

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As investigações da Operação Onipresença começaram em outubro de 2013, após uma denúncia sigilosa. Além de punições administrativas, como a perda da licença, os envolvidos podem ter de ressarcir os valores que receberam do HU quando supostamente estavam em consultórios e clínicas particulares, além de perder os cargos públicos. Em 9 de junho, a PF cumpriu 52 mandados de busca e apreensão em Florianópolis, Tubarão, Itajaí e Criciúma para recolher documentos que possam ajudar nas investigações.

A fase de depoimentos foi adiada e começaria somente nesta quarta, mas na terça-feira a PF adiantou algumas audiências e ouviu sete pessoas. Acompanhadas por advogados, todas se negaram a comentar as suspeitas, de acordo com delegado Ildo Rosa, do setor de comunicação da Polícia. Segundo ele, o número de depoimentos de testemunhas acabou sendo maior que o esperado: foram 82, incluindo aqueles procuraram a polícia voluntariamente para comentar irregularidades que haviam flagrado no hospital.

Veja como funcionaria o esquema investigado pela PF:

Passo 1 - Médicos professores concursados da UFSC possuíam entre 40 e 60 horas semanais de contrato com o Hospital Universitário

Passo 2 - Os mesmos médicos também atendiam em clínicas particulares ou lecionavam em universidades privadas

Passo 3 - O atendimento no HU seria por oferta, com horário marcado. No entanto, deveria ser por demanda de pacientes.

Passo 4 - A manobra permitia que os médicos tivessem trabalhos paralelos nos horários que deveriam estar atendendo no HU

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