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Alívio e esperança

Menina arrastada por carro em Gaspar reencontra socorristas

Após sofrer atropelamento e ficar 15 dias internada, Vitória esteve com equipes responsáveis pelo resgate na tarde desta terça-feira

30/10/2018 - 20h38 - Atualizada em: 30/10/2018 - 21h05

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Talita
Por Talita Catie

Vitória brinca com o reflexo do capacete dos bombeiros
Vitória brinca com o reflexo do capacete dos bombeiros
(Foto: )

Ver a pequena Vitória brincando com o capacete dos socorristas, feliz, é sinônimo de alívio para a família Biedermann, de Gaspar. Apesar de não ser um ambiente comum a ela, saber que está cercada de pessoas que já fizeram tanto por sua ainda tão jovem vida a deixa mais confortável. Se para a menina de seis anos é um passeio, em que muitos dos rostos são desconhecidos, para Tatiane, a mãe, é um momento de gratidão por saber que graças ao atendimento do Corpo de Bombeiros e do Samu, a filha e a avó da criança sobreviveram a um atropelamento.

Os medos e as angústias ao longo da internação da menina foram compartilhados entre eles. A cada boa notícia de reação de Vitória, o laço era fortalecido. Por isso, para Tatiane, finalmente, a tarde desta terça-feira foi diferente das que viveu por 15 dias, enquanto ia e voltava do Hospital Santo Antônio, em Blumenau, onde a filha estava internada.

No batalhão da cidade, um reencontro como os de filme com final feliz. Vitória ficou internada por duas semanas, passou pela UTI, operou a cabeça e venceu uma batalha pela vida. Chegou a ser arrastada pelo veículo que a atingiu na faixa de segurança quando atravessava a rua com a avó Marlene.

A rotina, porém, ainda não voltou ao normal para a família. A avó que teve o braço e perna quebrados na colisão não pôde correr para abraçar a neta no domingo da alta. O retorno à vida agitada da infância vai levar mais tempo. A liberação para os estudos só deve ocorrer daqui a 10 dias, mesmo prazo que Tatiane retoma o trabalho.

Por enquanto, todo dia é para celebrar a recuperação da menina, que ainda está tímida diante do quão serelepe era antes de ter sido atropelada. – Isso aqui é tudo o que eu mais queria. Só tenho a agradecer. Ela é uma estrela, eles são anjos – agradeceu a mãe.

Quem prestou o primeiro atendimento à Vitória foi Paulo Quadro. Socorrista do Samu há quase três anos e pai de uma criança de apenas quatro meses. A voz embargada no dia seguinte ao acidente mostrava que o plantão naquele dia foi difícil.

O técnico de enfermagem relembra a noite chuvosa do acidente e do pensamento permanente na filha que ficara em casa. – É um sentimento que não tem como explicar. Ao vê-la nessa recuperação maravilhosa, só temos a agradecer – disse Quadro.

A menina recebeu presentes do Corpo de Bombeiros e do Samu
A menina recebeu presentes do Corpo de Bombeiros e do Samu
(Foto: )

A felicidade de receber Vitória no quartel era tamanha que ele levou um presente para a menina. Comprou uma camiseta personalizada do Samu com o nome da pequena. O gesto foi repetido pelos bombeiros em outro presente.

– A gente sempre faz o melhor pelas pessoas, mas infelizmente, nem sempre elas resistem. Receber ela aqui no quartel é gratificante – afirmou o comandante do Corpo de Bombeiros, tenente Douglas Machado.

As polícias Civil e Militar investigaram o caso. Vitória e a avó foram atropeladas por um condutor que não parou para prestar socorro. Detalhes do caso não são divulgados, mas o inquérito chegou à Justiça na segunda-feira.

Está na 2ª promotoria, com Andreza Borinelli. Ela afirma que dará total prioridade ao processo. E é justamente o que espera a família Biedermann. A mãe Tatiane tenta se manter distante das investigações e aproveitar com a filha, mas espera que a justiça seja feita.

– A família fica mais aliviada de saber que estão trabalhando firme – afirma Luiz, tio da criança, que acompanha a situação de perto.

Após a visita à corporação, Vitória esteve ainda no quartel da Polícia Militar, onde a família buscou ajuda depois do acidente para descobrir a identidade do motorista que atropelou as duas.

Lá, brincou em um instrumento criado para que histórias como a dela não se repitam. A Transitolândia, como explica o comandante major Pedro é ferramenta levada às escolas para abordar com os pequenos a importância da segurança e do respeito no trânsito. A proposta é criar cidadãos mais conscientes.

Ao lado de polícia, brinca em veículo que serve de instrumento para educação no trânsito
Ao lado de polícia, brinca em veículo que serve de instrumento para educação no trânsito
(Foto: )

Caso se repete no município

No dia em que o acidente de Vitória e Marlene completou duas semanas, Ingrid dos Santos, 63 anos, foi outra vítima do trânsito em Gaspar. Desta vez o atropelamento foi no bairro Bela Vista. Ela chegou a ser socorrida e deu entrada no Hospital Santa Isabel às 22h42min de domingo, mas faleceu cerca de três horas depois, já na madrugada da segunda-feira.

A mulher foi atingida por uma motocicleta e ainda não se sabe as circunstâncias da colisão. Ricardo Beltramini era o conduto do veículo com placas de Rio do Sul. Ele também precisou ser hospitalizado e até a tarde desta terça-feira permanecia internado com quadro estável. Com a morte, o caso foi repassado à Polícia Civil para investigação.

O superintendente de trânsito de Gaspar, Luciano Brandt, diz que a sinalização nos locais dos dois acidentes será melhorada e conta que o setor tem trabalhado com foco na prevenção, por meio de ações educativas, para evitar que casos se repitam.

Segundo ele, é preciso coibir excesso de velocidade e o uso de álcool e defende que o mais prudente é educação, respeito, cortesia e empatia no trânsito. – Estamos trabalhando com educação no trânsito. O importante é a alteração do comportamento de todos os elementos do trânsito – argumenta Brandt.

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