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Notebooks de alto desempenho

Mercado de games movimenta US$ 2,63 bilhões no País e pode crescer ainda mais

Fabricante de notebooks de Joinville vai disputar mercado dos EUA

15/03/2014 - 08h33 - Atualizada em: 11/04/2014 - 14h27

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Por Redação NSC
Empresa de Emerson Salomão fabrica notebooks para gamers
Empresa de Emerson Salomão fabrica notebooks para gamers
(Foto: )

Concorrer com gigantes de renome mundial é algo que não intimida a Avell. A fabricante de notebooks de Joinville está se preparando para entrar no disputado mercado dos Estados Unidos após firmar uma joint venture com a Best Solution, fornecedora de componentes utilizados na montagem dos aparelhos. Com a expansão para a terra do Tio Sam, a empresa estima alcançar um faturamento de R$ 40 milhões neste ano, o que representaria um crescimento de 38% em relação a 2013.

As boas projeções estão sustentadas em uma estratégia que garantiu que a empresa não ficasse refém de um mercado dominado por players globais - entre eles, Sony, Acer e HP. Foi depois de um período de turbulência nas vendas, causada justamente pela invasão de notebooks dessas marcas no País, que a Avell decidiu apostar em produtos para um público bem específico: os gamers. Passou, então, a produzir e comercializar aparelhos de alto desempenho - com avançadas placas de vídeo e memória RAM farta - voltados a jogadores.

A aposta se mostrou acertada, e a empresa, que iniciou atividades em 1997 como distribuidora de notebooks, se consolidou como fabricante.

- Hoje, comercializamos entre 800 e mil equipamentos por mês - conta Emerson Salomão, diretor da empresa, que tem 50 funcionários e já estuda se mudar para uma nova sede até o final do ano por causa do crescimento previsto.

Segundo o presidente da Associação Comercial, Industrial e Cultural dos Jogos Eletrônicos do Brasil (ACIGames), Moacyr Avelino Alves Junior, não há um levantamento que indique o número de gamers no País. Uma pesquisa realizada pela entidade em parceria com a holandesa Newzoo, com dados de dezembro de 2013, apontou o número de jogadores por plataforma. Apenas no segmento de PCs, são 47,1 milhões de jogadores. Outros 34,6 milhões de pessoas se divertem com jogos de celular, enquanto 33,7 milhões de usuários são fiéis aos tradicionais consoles.

De acordo com Alves Junior, o mercado de games movimenta algo em torno de US$ 2,63 bilhões no Brasil, uma prova de que proporcionar diversão e entretenimento às pessoas por meio de jogos pode ser algo muito lucrativo.

Brincadeira levada a sério

Os gráficos são extremamente simples e a proposta do jogo mais ainda: controlar um pássaro e impedir que ele acerte canos - iguais aos do clássico Super Mario World, diga-se de passagem. O Flappy Birds foi desenvolvido em apenas três dias. Isso, no entanto, não impediu o game de se tornar um estrondoso sucesso mundial no início deste ano, quando chegou a contabilizar 50 milhões de downloads nas lojas de Android e iPhone - rendendo um faturamento diário de US$ 50 mil a Dong Nguyen, programador vietnamita que o criou.

O Flappy Birds é um bom exemplo do potencial gigantesco do mercado de games e de quanto ele pode ser lucrativo para quem souber aproveitá-lo. Nos próximos dois anos, o setor deverá crescer no Brasil o dobro do esperado para a média mundial, segundo uma pesquisa da consultoria holandesa Newzoo.

Em todo o País, existem cerca de 220 empresas desenvolvedoras de jogos, de acordo com estimativas da Associação Brasileira dos Desenvolvedores de Jogos Digitais (Abragames). Estudos da Real Games, líder mundial na área de jogos casuais, e da GlobalCollect, empresa da área de pagamentos eletrônicos, apontam que o Brasil é o quarto maior consumidor de games do planeta, atrás apenas dos Estados Unidos, do Japão e da China. Cerca de 75% dos 46 milhões de brasileiros ativos na internet são usuários de games digitais.

Os gamers brasileiros, que passam em média 5,5 horas por semana jogando, são o principal alvo da fabricante de notebooks Avell, de Joinville. A empresa se especializou em produzir aparelhos de alto desempenho para este público, que hoje representa 95% da clientela. O usuário, inclusive, pode montar e personalizar o próprio equipamento. Com as configurações mais avançadas, alguns aparelhos podem sair por até R$ 30 mil, explica o diretor Emerson Salomão.{

Opção de carreira

Comparado a potências como Estados Unidos e Japão, o Brasil ainda engatinha nesse tipo de mercado. Não em relação ao consumo, mas à produção. Um dos desafios para impulsioná-lo é a falta de mão de obra qualificada. A boa notícia é que, nos últimos anos, surgiram novas opções de formação na área. Segundo a Abragames, existem no País cerca de 45 cursos com aplicação aos games. As capacitações são voltadas a administradores, designers de jogos, programadores e animadores.

Em Santa Catarina, uma das opções é o tecnólogo em jogos digitais oferecido pela Univali. A coordenadora Anita Maria da Rocha Fernandes explica que o curso tem dois anos e meio de duração. A grade curricular é bastante diversificada.

- Vai da programação à matemática e física. Também há disciplinas focadas em empreendedorismo - explica.

Não existe um piso específico para quem trabalha no mercado de games, já que grande parte dos jogos produzidos no País é feita sob encomenda. Mas a remuneração, dependendo da função, pode chegar a R$ 10 mil.

Ainda falta incentivo, reclamam empresários

As empresas brasileiras desenvolvedoras de games devem crescer a uma média anual de 13,5% nos próximos cinco anos, segundo estimativas da Associação Brasileira dos Desenvolvedores de Jogos Digitais (Abragames). Muito disso se deve a esforços próprios. Apesar de alguns poucos avanços, como a política de internacionalização de jogos nacionais mantida pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), de uma maneira geral ainda falta apoio para os desenvolvedores.

- O governo brasileiro ainda enxerga os games como algo infantil, coisa de criança - avalia Moacyr Avelino Alves Junior, presidente da Associação Comercial, Industrial e Cultural dos Jogos Eletrônicos do Brasil (ACIGames).

A opinião é compartilhada pelo empresário Dennis Kerr Coelho, diretor da Palmsoft, empresa que há dez anos desenvolve jogos e aplicativos para diversas plataformas, entre elas celulares e tablets. Ele, que é também diretor da divisão de games da Associação Catarinense das Empresas de Tecnologia (Acate), defende políticas específicas de incentivo e benefícios aos desenvolvedores, além de mais pesquisas e projetos na área, assim como existem nos países onde esse mercado é mais avançado.

A falta de regulamentação deste tipo de mercado chega, inclusive, a espantar os profissionais do País, que não se sentem valorizados.

- Somos criativos e temos excelentes produtores e programadores nacionais, mas eles não ficam no Brasil - conta Alves Junior.

Mais do que diversão e em várias plataformas

Apesar de a grande maioria ser desenvolvida com esse propósito, os games não são apenas sinônimo de entretenimento. A abrangência deste setor permite a criação de jogos com finalidades que vão muito além da diversão - publicitários, educativos e empresariais, por exemplo. Além disso, a expansão da internet móvel também abre um leque de oportunidades. Os consoles e computadores deixaram de ser os únicos ambientes dos gamers, que estão cada vez mais conectados em jogos nas redes sociais e em tablets e smartphones.

Segundo uma pesquisa da Associação Comercial, Industrial e Cultural dos Jogos Eletrônicos do Brasil (ACIGames), existem hoje, no Brasil, 34,6 milhões de pessoas que jogam pelo celular. E há potencial de sobra para que esse número aumente.

- Muita gente está aprendendo a usar smartphone e ainda não tem costume de baixar e jogar. Esse pessoal vai se tornar um público consumidor de games - avalia Santiago Viertel, diretor comercial da Céu Games, desenvolvedora de jogos digitais com sede em Joinville.

A Palmsoft, fabricante de jogos de Florianópolis com mais de 30 títulos lançados, já contabiliza downloads de seus jogos em mais de 200 países. Só na Índia, são 300 mil. A empresa também mantém um portal, o Arena41 (www.arena41.com), com games online gratuitos. Um dos destaques é o HeroeSurvivor, no qual os jogadores precisam proteger sobreviventes de uma cidade, infectada por um vírus mutante, de zumbis.

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