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Ano da Alemanha no Brasil

Mesmo com abertura de mercado, empresas fundadas por imigrantes alemães preservam identidade regional

Característica faz com que empresas alemãs invistam em Santa Catarina

27/06/2013 - 13h45

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Por Redação NSC
Markus Blumenschein, diretor da T-Systems em Blumenau, contratou 200 funcionários de SC que sabiam falar alemão.
Markus Blumenschein, diretor da T-Systems em Blumenau, contratou 200 funcionários de SC que sabiam falar alemão.
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Aquela brincadeira de que alemão gosta de poupar é coisa séria. Tanto é que a poupança dos imigrantes alemães recém-chegados a Santa Catarina, a partir de 1829, resultou em empresas centenárias que, apesar da fama de tradicionais, só continuam no mercado pela inovação de seus processos.

O investimento do imigrante naquilo que se sabia fazer na Alemanha, a valorização do trabalho e a inclusão de mulheres nas atividades comerciais também contribuíram para que o Estado seja reconhecido como o quarto do país em indústria de transformação.

A historiadora Maria Luiza Renaux, autora do livro Colonização e Indústria no Vale do Itajaí, defende que, apesar da abertura de capital das empresas alemãs da região a partir de 1990, inclusive com a gestão passando para profissionais distantes de membros da família, a identidade regional é mantida e faz com que elas preservem algumas características.

Tanto permanecem que novas companhias do país europeu escolhem o Estado para abrir filial no Brasil. Um dos motivos para a instalação da T-Systems em Blumenau, empresa da Deutsche Telekom com uma unidade no município desde 2006, foi a identificação com a língua alemã - a empresa empregou 200 funcionários da região que sabiam o idioma -, além de uma infraestrutura capaz de abrigá-los.

- Eu diria que as empresas de origem alemã de Santa Catarina têm um lado social forte. Não veem um funcionário só como uma mão-de-obra, mas estão preocupados com o seu bem-estar. Identifico o investimento destas empresas na cultura local, pelo menos nos três anos que estou morando aqui - comenta o alemão Markus Blumenschein, diretor da T-Systems.

Atualmente, a empresa de tecnologia da informação é responsável por desenvolver novas ferramentas que agregam valor às indústrias têxteis e automotivas da região - incluindo a BMW na Alemanha e, mais recentemente, a planta da empresa em Araquari.

Blumenschein cita projetos que tiram do discurso a transferência de tecnologia da Alemanha para o Brasil, como a criação de um aparelho para medir diabetes que automaticamente envia os resultados para o médico, sem a necessidade do paciente sair de casa. Ou ainda a implementação de um chip às roupas que torna rápida sua localização nas lojas e permite a identificação das formas de pagamento para o cliente.

Inovações à parte, alguns costumes típicos da cultura alemã prevalecem. A diretora do Patrimônio Histórico e Museológico de Blumenau, Sueli Petry, faz a ressalva: inovação, ainda que evoque o que há de mais atual, também faz parte dos costumes dos imigrantes alemães desde que colocaram os pés em Santa Catarina.

- Sempre buscaram a inovação e a melhoria da qualidade do maquinário. Eles foram os introdutores de novas técnicas e tecnologias na região, porque acompanharam o que acontecia Europa. Esta é uma das razões do seu sucesso - finaliza.

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