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    Métodos contraceptivos: conheça os prós e os contras de cada um

    Dos anticoncepcionais orais até as cirurgias irreversíveis, saiba quais são as indicações para cada caso

    05/09/2016 - 13h29 - Atualizada em: 21/10/2020 - 14h46

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    Redação
    Por Redação Hora
    Métodos contraceptivos como DIU, pílula e camisinha
    Métodos contraceptivos como DIU, pílula e camisinha
    (Foto: )

    A pílula anticoncepcional foi criada na década de 1960 e possibilitou maior controle da mulher sobre sua fertilidade. Embora seja considerado seguro, tenha uma taxa de eficácia de 91% e seja utilizado por cerca 100 milhões de mulheres em todo o mundo, segundo dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), o anticoncepcional oral ainda é um tema controverso.

    O relato de uma universitária de São Paulo que foi parar na UTI em função de uma trombose venosa cerebral que, segundo os médicos que a atenderam, pode ter sido provocada pelo uso da pílula tomou conta das redes sociais e da mídia. Juliana Pinatti Bardella, 22 anos, ficou internada durante 15 dias e a conclusão dos médicos para a paralisia repentina dos braços e mãos era o uso do anticoncepcional tomado há cinco anos.

    — A anticoncepção por pílula é extremamente segura, mas como qualquer medicamento, pode ter efeitos adversos. Não temos certeza do ocorrido com esta menina — avalia a professora titular de Ginecologia da UFRGS, Maria Celeste Osório Wender.

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    Segundo a especialista, o índice de algum efeito colateral mais grave em função do anticoncepcional via oral fica muito abaixo de 1%.

    — Tem que pensar em todos os benefícios que eles trazem para evitar a gravidez indesejada — pondera.

    — Em mulheres saudáveis, sem nenhum problema de saúde, o consumo de pílulas por longos períodos não afeta em nada. Quem tem predisposição para câncer de mama e doenças como infarto, pressão alta e diabetes pode ter os riscos aumentados — completa Rosa.

    Embora seguros, os contraceptivos hormonais podem trazer uma sobrecarga hepática, pois aumentam a produção de elementos pró-coagulantes do sangue.

    — Como consequência, há um risco maior de trombose, infarto e derrame — adverte Rosa.

    Apesar de reinar soberano, o anticoncepcional oral não é o único método contraceptivo disponível no mercado. Há outras possibilidades disponíveis para as mulheres e outras versões para homens, que se restringem ao uso de preservativo e à cirurgia de vasectomia. O mais importante na hora de escolher a melhor forma de evitar a gravidez é consultar um médico para entender os prós e os contras de cada uma.

    E lembre-se: a única forma de evitar as doenças sexualmente transmissíveis é com o uso do preservativo. Para facilitar, reunimos as maneiras mais comuns. Confira:

    Métodos reversíveis

    Contraceptivo oral

    É o método mais popular e, além de evitar a gravidez, ainda combate os sintomas da tensão pré-menstrual, acne, cólica, endometriose e síndrome dos ovários policísticos. Outro benefício é que ele regula o ciclo menstrual. Possui uma taxa de eficácia de 91%. Uma desvantagem é que requer disciplina para ingestão diária. Contraindicado para mulheres fumantes com mais de 35 anos, hipertensas, com histórico de câncer de mama ou que tenham predisposição à trombose.

    Injeção

    Traz as mesmas vantagens do anticoncepcional oral com o benefício de não exigir a disciplina de ingestão diária. São doses de hormônios aplicadas a cada um ou três meses e têm eficácia de 94%. As contraindicações são iguais àquelas da pílula oral.

    Implante

    Tem uma taxa de eficácia superior a 99% e dura três anos. A cápsula de etileno vinil acetato mede quatro centímetros e é introduzida embaixo da pele do braço com um aplicador especial e uso de anestesia local. O hormônio é liberado de forma gradual, impedindo a liberação do óvulo ao ovário. Assim que é retirado, a ovulação é retomada. Não é indicado para mulheres que tenham câncer de mama.

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    Anel vaginal

    Consiste em um anel de silicone que é introduzido pela própria mulher na região vaginal e, aos poucos, libera os hormônios na corrente sanguínea. Tem taxa de eficácia de 91% e não é incômodo e nem atrapalha a relação sexual. Com ele, a mulher tem o fluxo menstrual reduzido. Só pode ser comprado com receita médica e deve ser evitado pelo mesmo grupo de mulheres que não pode ingerir o anticoncepcional oral.

    Adesivo

    É um adesivo que deve ser colado na pele e trocado a cada semana. Também libera os hormônios aos poucos no organismo. Possui taxa de eficácia de 91% e é contraindicado para mulheres acima dos 90 quilos. Ele deve ser trocado uma vez por semana e a reaplicação deve ocorrer em uma parte diferente do corpo.

    Dispositivo Intrauterino (DIU)

    É um objeto feito de plástico flexível com cobre ou hormônio que é inserido dentro do útero. O DIU hormonal libera hormônio dentro do útero, evitando sua disseminação na corrente sanguínea. Tem duração de até cinco anos. Já o de cobre age através da propriedade do metal que mata os espermatozoides e dura até 10 anos. Sua taxa de eficácia é de 99%. Seu uso é contraindicado para mulheres com malformação uterina ou infecção pélvica aguda ou subaguda.

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    Diafragma

    É um aro flexível com uma espécie de cúpula que é colocada na vagina impedindo a chegada de esperma no útero. Seu uso deve ser associado a um espermicida antes da inserção. Uma das vantagens é que não utiliza hormônio e tem uma taxa de eficácia de 88%. O lado negativo é que precisa ser inserido a cada relação sexual e pode provocar irritação na vagina e infecções no trato urinário.

    Espermicida

    São produtos químicos na forma de gel, geleia, creme, supositório ou espuma que impedem a movimentação do esperma. São colocados dentro da vagina antes da relação sexual e é deixado no local por até oito horas. Tem 72% de eficácia.

    Tabelinha

    É o tradicional método que calcula o período em que a mulher está fértil com base nos sintomas que ocorrem no organismo feminino ao longo do ciclo menstrual. Durante o período fértil, as relações sexuais devem ser evitadas. Embora sua eficácia seja de 76%, o mais indicado é associá-lo ao uso do preservativo.

    Coito interrompido

    Consiste em interromper a relação sexual antes da ejaculação, no entanto, não é indicado como única forma de contracepção, pois apresenta taxa alta de falha.

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    Preservativos

    É a forma mais eficiente de evitar as doenças sexualmente transmissíveis (DST). No entanto, para que tenham o efeito desejado, tanto de contracepção quanto de prevenção de DST, deve-se obedecer a sua forma correta de uso e armazenamento.

    Feminino

    É uma espécie de bolsa com dois aneis flexíveis e cada extremidade. A parte fechada fica próxima ao colo do útero. Este preservativo tem eficácia de 79%.

    Masculino

    É o método mais seguro para evitar as DST. Possui taxa de eficácia de 82% e registra aproximadamente 150 gestações a cada mil mulheres.

    Métodos irreversíveis

    Laqueadura por histeroscopia

    Este procedimento consiste na inserção de dois implantes em cada tuba uterina. Uma barreira natural e irreversível é formada, impedindo a chegada de esperma nos óvulos. É um processo minimamente invasivo, ambulatorial e rápido. Sua eficácia é de 99,8%.

    Laqueadura cirúrgica

    Ocorre com o ligamento ou corte das tubas uterinas que ligam o ovário ao útero. Como é um procedimento cirúrgico, requer anestesia geral. Tem eficácia de 99%.

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    Vasectomia

    Esterilização masculina que consiste no corte do canal que leva os espermatozoides do testículo para outras glândulas. É um procedimento seguro, rápido, feito com anestesia local e que não atrapalha o desempenho sexual. Tem 99% de eficácia. Pode ser revertido, mas as taxas de sucesso variam de 50% a 70% e dependem de acordo com o tempo decorrido após o procedimento.

    Fontes:

    Daniella De Batista Depes, ginecologista encarregada do Setor de Histeroscopia do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo

    Marcos Wengrover Rosa, chefe do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Moinhos de Vento

    Maria Celeste Osório Wender, professora titular de Ginecologia da UFRGS

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