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"Meu gabinete está aberto a qualquer causa", diz Ana Rita Hermes

"AN" faz uma série de entrevistas com os vereadores eleitos para a legislatura 2017-2020

26/01/2017 - 05h27 - Atualizada em: 26/01/2017 - 05h29

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Por Redação NSC
A causa animal, ainda que seja sua prioridade, é apenas uma das áreas pelas quais Ana Rita pretende trabalhar
A causa animal, ainda que seja sua prioridade, é apenas uma das áreas pelas quais Ana Rita pretende trabalhar
(Foto: )

Durante a campanha eleitoral, Ana Rita Hermes (Pros) trocou o sobrenome pelo complemento "da Frada" na divulgação de sua candidatura. Tratava-se de um apêndice importante: a professora de 64 anos ainda começa a vida política e encara agora a primeira legislatura na Câmara de Vereadores de Joinville depois de quase uma década dedicada à causa animal. Ela participou da fundação da Frente de Ação pelos Direitos Animais (Frada), experiência que lhe valeu prática de fiscalização, conhecimento profundo sobre as necessidades para controle de zoonoses e os projetos que possam resolver este problema, além de conquistar contatos com o Ministério Público e com o Legislativo em gestões anteriores.

A causa animal, ainda que seja sua prioridade, é apenas uma das áreas pelas quais Ana Rita pretende trabalhar com mais tenacidade: saúde, principalmente em sua convergência com a agricultura, e educação também estão no topo da lista. A última esteve presente na maior parte de sua vida, já que ela estudou letras e foi diretora pedagógica de uma franquia de escola de idiomas entre os anos de 1980 e 2010.

Qual será o primeiro projeto apresentado em seu mandato?

O primeiro já foi apresentado: é um projeto que proíbe a doação de animais em eventos públicos. A adoção é uma ação que requer planejamento, tem que ter responsabilidade, não pode ser feita desta forma. Quero trabalhar a conscientização da população em relação a isso. Depois, o que quero mesmo é buscar a melhoria no Centro de Bem-estar Animal, já tive conversas com o prefeito Udo Döhler e o secretário de Meio Ambiente (Jonas de Medeiros) sobre a lei 360/2011 (que institui o Programa de Proteção Animal no município de Joinville). Quero também regulamentar a compra e a venda de animais. A comercialização de animais não é ilegal, mas considero imoral vender um ser senciente. Eu a comparo ao comércio de escravos e espero que um dia a venda de animais seja vista da mesma maneira.

Também é a primeira legislatura para outros dez vereadores. Como a senhora avalia a renovação da Câmara?

Entendo que a população está farta de políticos de carteirinha. Eu não sou uma política, sou uma cidadã normal envolvida com uma causa que estava em busca de mudanças. Mas quando há mais de 50% de renovação de uma só vez -, de 19 vereadores eleitos, 11 são novos - entendo que a sociedade está dizendo que está em busca de políticos honestos, com integridade. Não que os outros vereadores não fossem, mas, ao olhar o cenário nacional, com tantos casos de corrupção, é normal que a sociedade queira renovação.

Nesta vez, houve também a eleição de duas mulheres com fortes laços com a causa animal (além de Ana, Tânia Larson, do Solidariedade, também foi eleita). Os eleitores estão mais conscientes e interessados neste assunto?

Acredito que sim. Minha campanha foi muito baseada nas redes sociais e, se observá-las, verá que há cada vez mais pessoas com sensibilidade, se comovendo com esta causa, e estes foram nossos eleitores. Acho, inclusive, que isso é inédito no País: eu pesquisei e não encontrei outro município que elegesse, ao mesmo tempo, duas pessoas que lutam pelos direitos dos animais.

De sua experiência na Frada, como percebeu as políticas públicas voltadas à causa animal e, a partir dela, o que ainda precisa melhorar?

Tem o Centro de Bem-estar Animal, que está precisando ser renovado, ter processos revistos e verbas destinadas. Há também a Secretaria de Meio Ambiente, com o programa de castração, que deve atender a 6 mil animais em 2017, que ainda não é o número ideal. O ideal seria 10 mil, com concentração em um bairro para acabar a procriação naquela região e, então, partir para outro, para depois retornar ao primeiro bairro e castrar mais 10%, garantindo a manutenção. Do jeito que a castração está sendo feita, ela é pulverizada e, claro, favorece o animal que foi castrado, mas não é possível perceber efetividade no controle. Não conseguimos ver a diminuição dos animais abandonados na cidade.

Uma das alterações na reforma administrativa, votada na Câmara de Vereadores no início da semana, foi de sua autoria, com uma emenda na Secretaria de Meio Ambiente. Pode-se esperar uma atuação mais forte nesta área? E quais outras áreas são suas prioridades?

Minha alteração foi para incluir a proteção aos direitos animais nas atribuições da Secretaria de Meio Ambiente, porque ainda não constava. A causa animal é muito forte, tanto que elegemos duas vereadoras com este foco. Mas eu fui professora por muitos anos, então a educação é outra área com que tenho afinidade e acredito que a mudança que precisamos começa a partir dela. E, também, na Saúde, na fiscalização dos problemas que a cidade enfrenta. A produção de orgânicos e a criação de hortas comunitárias - de preferência com orgânicos - em terrenos baldios, que podem trazer benefícios à saúde e gerar economia à comunidade, também estão na minha pauta. Mas meu gabinete está aberto a qualquer causa que quiserem trazer.

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* O colunista Jefferson Saavedra está de férias e volta a escrever neste espaço no dia 9 de fevereiro. Sugestões de notas e reportagens no período de ausência do colunista podem ser enviadas para o jornalista Jean Balbinotti pelo e-mail jean.balbinotti@an.com.br ou pelo telefone (47) 3419-2147.

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