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Joinville que Queremos

Mobilidade em Joinville: como a cidade pode se inspirar no transporte público de Curitiba

Capital do Paraná é modelo para todo o país na estrutura em que há uma canaleta exclusiva para os ônibus no centro da via

25/09/2019 - 10h20 - Atualizada em: 27/09/2019 - 09h26

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Hassan
Por Hassan Farias
Sistema de transporte público de Curitiba
Sistema de transporte público de Curitiba
(Foto: )

O número de usuários do transporte coletivo está diminuindo anualmente em Joinville e diversos fatores podem ajudar a aumentar a atratividade para que a população volte a usar o ônibus como meio de locomoção dentro da cidade. Um dos fatores importantes para os usuários é a confiabilidade no sistema, principalmente em relação aos horários.

Segundo a especialista em engenharia urbana, Thamires Ferreira Schubert, a confiabilidade das informações é um dos elementos que fazem alguém optar por um determinado meio de transporte. Isso se aplica também ao transporte individual, já que uma pessoa com um carro na garagem disponível para uso vai ter a certeza dos horários em que poderá acessar o veículo e também uma ideia aproximada de quando vai chegar ao destino desejado baseado nas experiências anteriores.

– No caso do ônibus, a pessoa não tem essa informação e precisa sair antes de casa porque tem um horário. Então, ela já faz o cálculo de uma meia hora antes porque não sabe quando vai passar o ônibus no ponto e nem quanto tempo vai levar para chegar ao destino. Como o tempo é um dos fatores para a escolha do meio de transporte, muitas pessoas vão perceber que não tem tempo para desperdiçar esperando e vão optar por um veículo individual – explica.

Sistema curitibano opera em canaletas exclusivas para o ônibus
Sistema curitibano opera em canaletas exclusivas para o ônibus
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Planejamento para entender a necessidade dos passageiros

Atualmente, a cidade conta com um site que indica os horários de todas as linhas de ônibus, além de monitores e murais nos terminais que também contêm a programação do transporte coletivo. A especialista aponta que o sistema joinvilense precisa de melhorias para se tornar mais atrativo para a população. Para isso, ela aponta a necessidade de um planejamento que possa entender quem é o usuário dos ônibus na cidade e seja oferecido um serviço que realmente seja eficiente.

Thamires ressalta que é preciso entender se todos os usuários têm acesso à internet, por exemplo. Caso essa não seja a realidade do município, o poder público e as empresas responsáveis pelo sistema precisam avaliar alternativas para disponibilizar as informações ao público, não apenas nos terminais urbanos como também nas paradas de ônibus distribuídas pela cidade. Isso também ajudaria quem nunca utilizou o sistema, dando condições para que ele tenha o conhecimento dos horários e quais linhas passam no local.

– Se nem todos os usuários têm acesso a internet no celular, precisamos estudar se é possível colocar um equipamento eletrônico nos pontos ou um mapa ilustrativo. Nas paradas sinalizadas apenas com uma placa vamos precisar de pontos? Então, em um primeiro momento precisamos realmente entender qual o usuário do nosso transporte público – ressalta.

Terminais de Joinville têm painel eletrônico com horários
Terminais de Joinville têm painel eletrônico com horários
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Curitiba é considerada modelo para o país

O sistema de transporte coletivo de Curitiba é um modelo para todo o Brasil. Hoje ele tem 84 quilômetros de canaletas exclusivas para os ônibus, mas o sistema foi pensado e adotado na década de 1970 a partir de um instituto de planejamento municipal que pensou o crescimento e a ocupação do solo da cidade para o futuro. Surgiram assim os corredores de ônibus fechados onde apenas os coletivos podem transitar, além de vias exclusivas em que a demarcação do espaço é sinalizado no asfalto em regiões estratégicas onde há um alto adensamento de carros.

O presidente da empresa responsável pelo sistema do transporte pública da capital paranaense – Urbanização de Curitiba S/A (URBS) afirma que o modelo foi planejado em eixos trinários. Ogeny Pedro Maia Neto explica que esse modelo consiste em um espaço exclusivo para os ônibus no centro da rua e uma via de trânsito lento nas laterais. As vias paralelas são chamadas de área estrutural, onde há duas vias de trânsito rápido e em que é permitido construções de edifícios mais altos.

– Curitiba não permite a construção de edifícios fora dessa área estrutural porque assim o grande número de pessoas que moram ao redor desses eixos já têm conexão direta com o transporte público. A maior e mais carregada canaleta exclusiva para o ônibus é a Norte/Sul, que comporta 350 mil passageiros por dia – detalha.

Estações têm informações sobre linhas e horários em tempo real
Estações têm informações sobre linhas e horários em tempo real
(Foto: )

Estações-tubo com informações aos usuários

Além dos espaços exclusivos, o sistema curitibano também tem estações-tubo com painéis informativos que mostram os horários dos ônibus e todas as linhas que passam pelo local. Os coletivos têm um geolocalizador que os atualiza em pontos de conexão espalhados pela cidade. Ou seja, quando ele passa por esses locais é realizada a atualização dos horários para os usuários.

Existe também um aplicativo onde é possível ter todas as informações sobre trajetos, horários, inclusive possibilitando fazer a simulação de quais linhas são necessárias para chegar de um ponto a outro da cidade. Outro diferencial é o acesso aos terminais pagando com cartão de crédito e débito. Mesmo com um sistema avançado, se comparado com a maioria das cidades brasileiras, Curitiba já pensa no próximo passo para modernizar ainda mais o modelo, que será a integração de modais.

Confira as próximas reportagens:

Segunda-feira

Transporte multimodal e integração de transportes

Terça-feira

Prioridade para as bicicletas

Quarta-feira

Confiabilidade no transporte público

Quinta-feira

Alternativas para novos meios de transporte

Sexta-feira

Ações para o futuro da mobilidade em Joinville

Sábado

Teste de mobilidade

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