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Rodovias

Moradores aguardam por recuperação em trecho da SC-108, em Guaramirim  

Comunidade da Vila Freitas teve 68 casas interditadas após deslizamento na rodovia em fevereiro 

27/03/2019 - 08h46

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Gabriela
Por Gabriela Florêncio
Comunidade da Vila Freitas teve 68 casas interditadas após deslizamento na rodovia em fevereiro
Comunidade da Vila Freitas teve 68 casas interditadas após deslizamento na rodovia em fevereiro

O cenário ainda é de devastação para moradores da Vila Freitas em Guaramirim, com terra desmoronada por cima das casas e restos de entulho. A comunidade teve, pelo menos, 10 residências diretamente atingidas pelo deslizamento da SC-108, em 17 de fevereiro, que deixou a rodovia interditada. Depois que a onda de lama atingiu os imóveis, há quase 40 dias, tanto a população quanto a prefeitura aguardam retorno do Estado sobre a recuperação do trecho.

— Já deveria ter uma resposta concreta para a gente, mas o município diz que é o Estado, já o Estado fala que é responsabilidade da prefeitura. Está uma situação que ninguém está entendendo mais nada por aqui — diz o pedreiro Leandro Chiller.

A Defesa Civil municipal informou que não houve alteração na SC-108 porque a prefeitura ainda depende da liberação de recursos para iniciar a recuperação do local. De acordo com Ezequiel de Souza, coordenador do órgão em Guaramirim, a verba deve vir pelo Estado para iniciar a obra. Entretanto, a liberação esbarra na burocracia.

— Há entraves burocráticos, já que o Tribunal de Contas não aceita que a mesma empresa faça o projeto e execute a obra. Vamos solicitar ao Tribunal de Contas da União que liberem, por conta da nossa situação de emergência, para que uma única empresa faça o projeto e realize a obra de recuperação — afirma Souza.

O valor estimado pode ficar entre R$ 4 milhões e R$ 10 milhões. A previsão é que o projeto seja dividido em duas etapas: a primeira para recuperar o solo onde ficavam as casas e depois iniciar os trabalhos na rodovia estadual. Ainda não há prazo para começar a recuperação do local.

Deslizamento atingiu a rua Manoel de Freitas, em Guaramirim
Deslizamento atingiu a rua Manoel de Freitas, em Guaramirim
(Foto: )

Imóveis continuam interditados

No total, 68 residências foram interditadas pela Defesa Civil, sendo 10 que ficaram completamente soterradas e outras que estão em situação de risco. A vila é um conjunto formado por quatro ruas e suas laterais, todas sem saída. Há asfaltamento novo e casas recém-construídas. Mesmo que exista a orientação de não habitar os imóveis, nem todas as famílias conseguem deixar os locais.

— Algumas pessoas entram nas casas, roubam e acabam com tudo. Do pouco que sobrou, eles vêm e levam embora — conta a moradora Patrícia de Freitas.

A costureira é uma das pessoas que não deixa a moradia sozinha, principalmente à noite, com receio de perder o que a enchente e o deslizamento não destruíram. Das 68 famílias, 30 foram para o programa de aluguel social da prefeitura. Já o restante estão em casas de parentes e amigos ou não se enquadraram na assistência.

A cidade decretou a situação de emergência, em 18 de fevereiro. O documento foi reconhecido pela Defesa Civil estadual três dias depois, mas ainda precisa da análise federal. Após a homologação, será possível elaborar planos de trabalho e postergação de impostos e liberação do FGTS aos atingidos.

Trecho da SC-108 continua interditada e sem data para reabrir
Trecho da SC-108 continua interditada e sem data para reabrir
(Foto: )

Audiência debate recuperação

Na noite de segunda-feira, foi feita uma audiência pública na Câmara de Vereadores com a população sobre a recuperação da rodovia. Na reunião, foram debatidas as melhorias no local, segurança dos imóveis interditados, cobrança de IPTU e outros auxílios prestados aos moradores.

O secretário de Estado da Infraestrutura, Carlos Hassler, explicou que as ações para reconstrução estão sendo feitas em paralelo entre a Infraestrutura e a Defesa Civil para que não se perca tempo. Ele disse que orçamento gira em torno de R$ 3,5 milhões e a previsão dada é de que em 60 a 90 dias a obra tenha início. Segundo o prefeito, Luis Antonio Chiodini (PP), o encontro serviu para mostrar que o município e o Estado estão unindo forças para resolver a situação o quanto antes.

— Estamos cobrando a todo momento um retorno estadual sobre prazos e cronograma, mas sabemos que os trâmites são demorados — disse.

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