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NO CALOR DOS INFERNOS

Moradores enfrentam constantes e longas quedas de luz na Grande Florianópolis

Seja na Capital, São José, Palhoça ou Governador Celso Ramos, o problema se repete

03/01/2019 - 17h52 - Atualizada em: 03/01/2019 - 18h19

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Marcus
Por Marcus Bruno
Dona Rosela Prestes (E) conversa com a vizinha Mara Borba sobre a falta de luz no Rio Vermelho
Dona Rosela Prestes (E) conversa com a vizinha Mara Borba sobre a falta de luz no Rio Vermelho
(Foto: )

A temporada de verão já está em pleno vapor, com a sensação térmica beirando os 40ºC na Grande Florianópolis, mas para muitos moradores que pagam suas contas não tem nem ventilador pra espantar o calor e os mosquitos. Seja na Capital, São José, Palhoça ou Governador Celso Ramos, a situação se repete, segundo quem sofre: quedas longas e demoradas de energia, sobretudo no período da noite.

No Bairro Forquilhas, em São José, a comunidade do Loteamento San Marino está indignada e criou um grupo do Whatsapp para informar sobre os apagões. Segundo a diarista Sandra Belletti, de 53 anos e moradora do loteamento há 11, a região cresceu muito em pouco tempo, mas a estrutura não acompanhou. A falta de luz acontece quase sempre entre 20h e meia noite, e noutras vezes fica em meia fase. Em dezembro, vizinhos dela tiveram aparelhos eletrônicos queimados, entre eles dois ares condicionados.

— Há muitos dias, falta energia elétrica constantemente aqui. Tem faltado luz por horas. Aí a gente liga para a Celesc, e eles dizem que são manobras de emergência. Nem sabiam que estava sem luz aqui. A gente pede socorro. Tem crianças, tem recém-nascido, tem idosos, pessoas deficientes — reclama a josefense.

Para piorar, a conta de luz da dona Sandra em dezembro foi de R$ 247, mesmo com as quedas. Segundo a diarista, o problema também se estende para os loteamentos Los Angeles e Zenaide, que ficam próximos.

A novela é a mesma no norte da Ilha de Santa Catarina. No Rio Vermelho, faz duas semanas que os moradores enfrentam queda de luz durante as noites, relata a jornalista Rosela Prestes, 54 anos. Segundo ela, na servidão Caminho das Orquídeas, onde mora, falta luz, mas em vias paralelas, onde há gato, as casas ficam acesas quando rola o apagão.

— A gente liga para a Celesc e reclama. Os atendentes falam em pedir a revisão da rede. Só que há três anos eu já pedi essa revisão. Até o ano passado não tive mais problema, foi esse verão que começou tudo de novo.

Morador da Rua Manoel Machado de Aguiar, também no bairro Rio Vermelho, Hilton Kinczeski diz que todos os dias, por volta das 18h, falta luz na região dele e demora cerca de quatro a cinco horas para voltar

— Isso acontece há quatro anos consecutivos e nenhuma providência é tomada. É um descaso com a comunidade — protesta.

Conta de luz da dona Sandra veio R$ 247, apesar das quendas constantes de luz
Conta de luz da dona Sandra veio R$ 247, apesar das quendas constantes de luz
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Celesc diz que tem estrutura para suportar aumento da demanda

Conforme as Centrais Elétricas de Santa Catarina, apesar do aumento significativo da demanda em todo o litoral, tanto pelo turistas como pelo próprio calor, o sistema consegue suportar esse consumo todo. Segundo o chefe da agência regional de Florianópolis da Celesc, Adriano Luz, todas as falhas no abastecimento neste verão, até agora, foram pontuais.

— No sistema elétrico da Grande Florianópolis, não tivemos nenhuma perda de média nem de alta tensão, e não teve sobrecarga, nem nas linhas, nem nas subestações. Os níveis de carregamento sempre ficaram dentro do limite — explicou.

Segundo o engenheiro, a Região Metropolitana registrou quedas isoladas também na praias da Pinheira (em Palhoça) e Palmas, no município de Governador Celso Ramos.

Na Pinheira e demais balneários próximos, 17 transformadores foram queimados, e o motivo é o excesso de ligações clandestinas na Bacia do Rio Maciambu. Já em Palmas, devido à alta demanda, alguns transformadores perderam conexão.

Quanto aos loteamentos de São José, Adriano informa que a Celesc está em obras para inaugurar um novo alimentador para o Sertão do Maruim, e foram necessários alguns desligamentos programados para acelerar a obra durante o mês de dezembro. No entanto, ele garante que as quedas não são diárias. Segundo a empresa, foram dez interrupções no mês passado. Uma delas por causa de um carro que bateu num poste e outras duas ainda não identificadas: "não existe sobrecarga lá", assegurou.

Sobre o Rio Vermelho, a culpa é da enorme quantidade de gatos na luz que existem no bairro. O chefe da Celesc Florianópolis explica que na servidão da dona Rosela, existem quatro transformadores para atender 114 casas, e o que aconteceu foi uma falha num ramal, o que originou quatro interrupções por conta desse defeito no equipamento. No entanto, o problema já foi sanado no dia 29 de dezembro.

— A gente está sempre investindo no sistema elétrico, instalando novos alimentadores, subestações para os bairros, estamos com a Operação Verão com aumento de equipes, são oito a mais. A operação começou no dia 14 de dezembro e seguirá até 14 de março, com foco nas regiões de balneários.

Equipamento queimado

Quem for lesado por causa de um aparelho eletroeletrônico queimado devido à queda de luz deve ir pessoalmente numa loja da Celesc ou ligar no 0800 480 120 e informar a data e hora que o equipamento queimou. O cliente tem até 90 dias para fazer esse pedido. Já a companhia terá cinco dias para informar se o pedido foi deferido ou não.

E a conta alta demais?

Quem acha que está pagando uma fatura acima do que consome pode ligar também no 0800 480 120 e pedir uma aferição no relógio medidor de KW/H.

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