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Luto

Morre Werner Ricardo Voigt, um dos fundadores da WEG

Empresário, um dos fundadores da WEG, faleceu na tarde desta quarta-feira

01/06/2016 - 10h49 - Atualizada em: 01/06/2016 - 17h33

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Por Redação NSC
Até os últimos dias de vida Werner foi um frequentador assíduo das fábricas da WEG
Até os últimos dias de vida Werner foi um frequentador assíduo das fábricas da WEG
(Foto: )

- Desde os dez anos de idade, eu gostava de eletricidade. Com 15, comecei a trabalhar com motores elétricos e nunca deixei de gostar disso. Começamos aqui (a WEG) em 1º de setembro de 1961 e sempre trabalhamos honestamente. Nada de fazer alguma coisa que não fosse bem honesta, e vamos continuar assim.

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Essas palavras, proferidas por Werner Ricardo Voigt durante as comemorações dos 50 anos da WEG, em 2011, revelam um pouco do homem vocacionado e que exibia uma humildade surpreendente diante do grande sucesso profissional e financeiro que conquistou. Integrante da seleta lista de bilionários brasileiros da revista Forbes, Werner foi o último dos três fundadores da WEG a partir. Ele morreu nesta quarta-feira, por volta das 13 horas, de causas naturais, no Hospital São José, de Jaraguá do Sul, aos 85 anos.

A exemplo dos outros dois fundadores, Eggon João da Silva (morto em 2015) e Geraldo Werninghaus (morto em 1999), a vida deu tempo suficiente para Voigt ver e colher os frutos do trabalho que os três iniciaram de forma modesta ainda no início da década de 1960. De lá para cá, a empresa jaraguaense só cresceu e transformou-se em uma potência mundial na fabricação de equipamentos eletroeletrônicos em cinco linhas principais de atuação: motores, energia, transmissão e distribuição, automação e tintas.

A cada dia, a empresa torna-se mais global, mas este processo não descaracterizou a cultura dos sócios-fundadores e a ligação deles com a cidade de Jaraguá do Sul.

- Temos muita gente boa que colaborou (para o crescimento da empresa). Tem sempre aquele que acredita na hora, esse é o bom da coisa. Eu falo com o varredor da fábrica e com o engenheiro-chefe. Para mim, é a mesma coisa. Somos tudo gente aqui na Terra. Fico feliz que crescemos tanto assim. Desejo muita saúde para todo mundo e vamos fazer cada vez mais e melhor - destacou o visionário Werner, no discurso feito durante a celebração dos 50 anos da empresa.

No ano passado, a WEG manteve a sua ascensão e Werner pôde ver essa conquista. Foi eleita a melhor empresa do País pela revista Exame, uma notícia que impacta muita gente. Só em Santa Catarina, o grupo emprega cerca de 17 mil pessoas. No mundo, são quase 31 mil colaboradores.

A WEG é daqueles casos em que a morte dos fundadores não coloca em risco o futuro da companhia. Quando Werner, Eggon e Geraldo emprestaram as iniciais de seus nomes para formar a marca da companhia, eles sabiam o que estavam fazendo.

Sepultamento será na quinta-feira

Werner Voigt certamente deixará saudades no setor empresarial. Ele começou a ser velado nas dependências da Associação Recreativa da WEG, a Arweg, às 18h30 de quarta-feira e o sepultamento está marcado para esta quinta, às 11 horas, no Cemitério Central de Jaraguá.

Dedicação à cultura

Entre as atividades do dia a dia que Werner Voigt vivia nos anos 1950, quando contava 20 e poucos anos, uma delas pouco apareceu em sua carreira como empresário, mas foi de grande importância para Jaraguá do Sul. Clarinetista desde os 14 anos, ele tinha verdadeira paixão pela música, por influência do avô. Sabendo deste talento, Francisco e Adélia Fischer o convidaram para fazer parte de uma pequena orquestra montada com amigos e parentes e que ensaiava na sala da casa deles. Ela daria origem, em 1956, à Sociedade Cultura Artística (Scar), que é referência em atividades culturais no Norte de Santa Catarina.

- Ele era amigo de todos por causa da oficina elétrica que tinha no Centro da cidade. Tinha um ouvido musical muito bom e era um jovem muito alegre - recorda o colega de orquestra Fernando Springmann.

- Às vezes, no meio dos ensaios, ele era chamado às pressas para fazer algum conserto - complementa.

Mais tarde, quando montou a WEG, Werner colaborou com a Scar por meio de doações e patrocínios culturais. Para o atual presidente da sociedade, Udo Wagner, a morte de Werner representa uma perda irreparável para a comunidade, mas de maneira especial para a Scar por tudo o que o empresário representou na história da entidade.

- Além de ter integrado a pequena orquestra e de ser um dos fundadores da Scar, sempre acompanhou as atividades no Centro Cultural como um grande incentivador da cultura. Esperamos que os seus exemplos sejam seguidos para que Jaraguá do Sul se mantenha como referência nas artes - afirma ele.

Um homem visionário

Nascido no dia 8 de setembro de 1930 em Schroeder, no Vale do Itapocu, e descendente de imigrantes alemães vindos da região de Düsseldorf, Werner Ricardo Voigt já demonstrava inclinação para os assuntos da eletricidade aos seis anos, produzindo maquetes completas de serrarias. Influenciado pelo avô, Werner se tornou um amante dos livros e da música.

Aos 14 anos, já tocava clarinete com perfeição.

Nessa época, morou em Joinville, onde estudou no Senai e trabalhou na oficina de Werner Strohmeyer, dono de uma oficina de rebobinamento de motores elétricos. Aos 18 anos, foi convocado para servir ao Exército em Curitiba. Após o serviço militar, conseguiu ser um dos dois soldados selecionados para frequentar a Escola Técnica Federal, onde se especializou em radiotelegrafia e eletrônica. No retorno a Joinville, trabalhou na concessionária de energia elétrica local, onde permaneceu por dois anos. Aos 23 anos, atuou na oficina de Kanning & Weber.

O primeiro negócio

Em setembro de 1953, Werner iniciou seu próprio negócio, instalando uma pequena oficina no Centro de Jaraguá do Sul. A oficina evoluiu, sempre prestando serviços gerais, desde equipamentos domésticos, até em residências e fazendas, no interior do município, atendendo a praticamente todas as necessidades na área. Montava rádios e radiolas, fabricava e instalava geradores, realizava bobinagens em motores e orientava a instalação de rodas-d?água na região.

A criação da WEG

Em 1961, juntamente com os amigos Eggon João da Silva e Geraldo Werninghaus, fundou a WEG, que na época produzia apenas motores elétricos. Foi o grande responsável pelo desenvolvimento tecnológico e pela implantação de normas técnicas na WEG e no País. Da mesma forma, sua influência foi importante para a empresa adotar o padrão International Electrotechnical Commission (IEC), baseado no sistema métrico decimal.

Werner atuou como diretor-técnico da WEG até 1980. Depois, durante oito anos, foi diretor-superintendente da WEG Máquinas, unidade que produzia geradores e motores de alta tensão. Fez parte do conselho de administração da empresa entre 1989 e 2005, bem como da WPA, holding de controle do Grupo WEG. Até os últimos dias de vida, frequentou de forma assídua as unidades da empresa que ajudou a fundar, dividindo sua experiência efetivamente na produção e na solução de problemas.

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