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    Motorista confessa agressão a ator, mas nega homofobia

    Paulo Roberto de Morais Junior afirmou ter dado apenas um soco em Marcello Santanna, em São Paulo

    10/09/2019 - 07h18

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    Por GaúchaZH
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    O motorista suspeito de ter agredido o ator Marcello Santanna, de 23 anos, apresentou-se na delegacia nesta segunda-feira (9). Paulo Roberto de Morais Junior, 31 anos, afirmou em depoimento que a agressão não teve viés homofóbico, e que a vítima teria entrado com amigo e prima no ônibus incomodando passageiros. As informações foram divulgadas pelo portal G1.

    Junior afirmou que "a vítima, o amigo e a prima entraram no ônibus fazendo bagunça, que estavam aparentemente embriagados e começaram a incomodar os outros passageiros". Em razão do comportamento deles, de acordo com ele, "alguns (passageiros) chegaram a descer do ônibus".

    O motorista também disse ter pedido que o grupo parasse, mas, de acordo com ele, a vítima teria baixado as suas calças e sentado no colo do amigo. Ao mandar os três descerem do ônibus, a vítima teria xingado ele e batido na lataria do veículo. De acordo com seu relato, ele teria dado apenas um soco na vítima.

    O caso foi registrado no domingo (8) no 53º DP (Parque do Carmo). A polícia segue investigando o caso como lesão corporal.

    Entenda o caso

    No sábado (7) o ator Marcello Santanna contou, em relato nas redes sociais, que teria sido agredido e obrigado a descer do veículo após beijar outro homem dentro do ônibus. Ele afirma que tentou conversar com o motorista, mas se sentiu intimidado e desceu do veículo.

    Reprodução/Redes Sociais
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    Santanna foi agredido na manhã do último sábado (7), por volta das 6h30, pelo motorista de um micro-ônibus em Cidade Líder (zona leste) O casal e mais uma prima do ator retornavam para casa após uma noitada agitada na Avenida Paulista. Segundo o seu relato, ele e o namorado apenas trocaram selinhos, depois que o seu namorado cuidou dele após um sangramento no nariz.

    — Não lembro direito dos socos, mas só do olhar de fúria dele na minha direção. Vem também à minha memória um senhor idoso pedindo para ele [motorista] parar, que nada daquilo tinha necessidade. Vi a minha prima e o meu parceiro desesperados. Eu só queria que tudo aquilo terminasse — afirmou, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

    A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que a agressão contra o ator Marcello Santanna foi registrada, inicialmente, como lesão corporal. A investigação busca saber se a motivação para o ataque é homofóbica.

    No dia 23 de maio, o Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria dos ministros e enquadrou a homofobia como um dos crimes de racismo até o Congresso aprovar lei sobre o tema.

    A Pêssego Transportes, empresa responsável pelo ônibus, disse que não compactua com qualquer tipo de violência e preconceito seja por cor, raça, etnia, religião e orientação sexual. A empresa informou que vai abrir uma sindicância interna para apurar os fatos. Também disponibilizará à vítima apoio psicológico e reforçará treinamentos à equipe para evitar outros casos similares.

    A SPTrans disse que repudia a violência sofrida pelo passageiro e que vai colaborar com as investigações como gestora do sistema de transporte público da capital.

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