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    Eleições 2018

    Movimento pré-eleição é marcado por quebra cabeça 

    Enquanto no país tudo se encaminha para a ausência de um candidato de centro, em Santa Catarina nomes que estão na jogada podem sair e vice-versa

    04/03/2018 - 23h00 - Atualizada em: 21/06/2019 - 21h20

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    Por Redação NSC
    (Foto: )

    O principal fato político deste início de campanha para a presidência da República está na inexistência de candidatos alternativos de centro. O processo neste momento está dividido entre dois extremos: o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC), pela direita, e outro pela esquerda, ainda indefinido. As previsões são de que o ex-presidente Lula estará fora. Se o PT optar pelo ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, como se cogita, pode formar uma nova coligação. Não está descartada a candidatura de Ciro Gomes, do PDT, ocupando o espaço do PT e das esquerdas. Marina Silva é considerada fora do páreo, pela inconstância e pelo mergulho silencioso e ausente dos últimos anos.

    O governador Geraldo Alckmin (PSDB) segue sendo uma promessa. Continua com voo de tucano, é esvaziado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e tem adversários dentro do próprio partido, apesar de ser um nome inatacável, detentor de singular biografia e mesmo sendo o governador do maior Estado do Brasil, pela quarta vez. Ele patina na arrancada. Os defensores de Alckmin apostam em seu crescimento nos próximos meses após renunciar ao governo paulista, transformando-se na nova opção, com passaporte para o segundo turno, pela força de São Paulo, do sudeste e sul.

    Candidaturas dependem da maré de bons indicadores

    Nos últimos dias surgiu a candidatura do ministro Henrique Meirelles. Se filiar-se ao PMDB, será oxigenado. Se a intervenção no Rio de Janeiro tiver sucesso, receberá anabolizantes do presidente Michel Temer. E por ser um nome vindo da área econômica, pode competir com Alckmin se a maré dos bons indicadores continuar.

    Faltando sete meses para as eleições, todos os indicativos são de que o candidato da maioria ainda não surgiu. Se o centro permanecer vazio e a eleição polarizada entre Jair Bolsonaro e um nome de extrema-esquerda, o segundo turno será mais radicalizado. Analistas admitem que, neste caso, possa se repetir no Brasil o fenômeno eleitoral dos Estados Unidos. Afinal, Bolsonaro lidera as prévias em vários Estados, está moderando o discurso e tem densidade entre os jovens por força das redes socais. Este contingente eleitoral quer trabalho, ordem, disciplina, valorização do mérito. E não costuma mudar o voto sem motivação forte.

    Assim como ocorre em Santa Catarina, nas eleições de 2018, PT e PMDB estão em polos opostos, sem hipótese de acordo no segundo turno. Uma única possibilidade está descartada: o surgimento de um outsider, como em 1989 com Fernando Collor. Aquela foi uma eleição solteira e este ano é totalmente casada.

    Os 12 fatos decisivos

    Um cenário inédito, caracterizado pela indefinição das candidaturas dos principais partidos, por decisões inesperadas e pela imprecisão do que vai motivar o eleitor na hora do voto, compõem a conjuntura política. Esta nebulosidade, que deixa o horizonte eleitoral aberto, está evidenciada por doze fatores com agenda marcada para as próximas semanas. Os principais, mais previsíveis são:

    Janela para troca de partido

    A partir de 7 de março os deputados federais e estaduais poderão trocar livremente de partido. Terão prazo até 7 de abril. A chamada “janela” está prevista no artigo 22-A, III, da Lei 9.096, a Lei dos Partidos Políticos. Fato novo que garante novas filiações até seis meses antes do pleito e que poderá transformar as mudanças num grande balcão de negócios em diferentes regiões do Brasil.

    Prazo de filiação partidária

    Foi reduzido pela nova lei de 12 para seis meses. A abertura, também singular, vai possibilitar que candidatos majoritários aos governos, Senado e até Presidência da República possam optar por outras siglas partidária até 7 de abril de 2018. Uma exceção que também resultaria em grave influência do poder econômico com novas filiações, na perspectiva de alianças futuras que ampliem os espaços no horário da propaganda eleitoral gratuita.

    Renúncia de Colombo

    Raimundo Colombo, na prática, já não é mais o governador de Santa Catarina. Transferiu a caneta ao vice-governador Eduardo Pinho Moreira, do PMDB, que atua com plenos poderes. Os pessedistas reagem, sentem-se abandonados, mas não têm como alterar a decisão. A conferir após a renúncia como agirá Moreira em relação aos correligionários e aliados de Gelson Merisio. E, sobretudo, se a renúncia implodirá pontes da aliança com o PSD ou se Colombo terá força política, fora do governo para manter a coligação com o PMDB.

    A decisão de Udo

    O prefeito de Joinville tem até o dia 7 de abril para definir seu futuro. Renunciando ao cargo terá uma garantia mínima do PMDB de que concorrerá à majoritária ao governo, a vice ou até ao Senado. Pode se tornar o principal fato político da campanha pelo que vai representar em termos de renovação e pelo poder eleitoral de Joinville e do Planalto Norte.

    Prisão de Lula

    A condenação do ex-presidente Lula criou um fato relevante no processo eleitoral. Sendo preso, pela decisão do TRF4, debilita o projeto das esquerdas, esvazia o PT nacional e fragiliza o PT catarinense, já enfraquecido pelas últimas eleições municipais. A prisão terá outra consequência no Estado, com a inelegibilidade do ex-presidente e os fortes vínculos de Lula com o deputado federal Décio Lima, presidente estadual do partido, compadre e candidato ao governo.

    Desdobramentos da Lava-Jato

    Desde que os delatores da Odebrecht e da JBS mencionaram pagamento de propinas e vantagens ao PSD e às campanhas, citando Raimundo Colombo e seus assessores e correligionários, o clima é de suspense e tensão. Na sexta-feira, a Procuradoria Geral da República arquivou o inquérito sobre a prática de corrupção, mas denunciou Colombo por caixa 2. Agora é aguardar os desdobramentos no Superior Tribunal de Justiça. Quanto mais o processo atrasa, mais aumenta a preocupação.

    Candidatura de Bolsonaro

    O deputado começou a campanha com a marca do “mito”, chegou a ser ridicularizado pelas esquerdas, mas sua posição nas pesquisas mostra-se consolidada. Os últimos dados indicam que está na liderança da disputa presidencial em São Paulo, berço do PT e principal base do PSDB. O crescimento é sólido, principalmente, porque está estratificado entre os jovens, pela força das redes sociais. Se continuar avançando produzirá fatos novos também aqui no Estado.

    Decolagem de Alckmin

    O governador de São Paulo é o candidato do PSDB. Imprevisível sua decolagem nestas próximas semanas. Se seguir o padrão de um DC-3, em subida suave e longa, os tucanos perderão força em Santa Catarina e tenderão a buscar aliados fortes. Decolando nas pesquisas como o novo Boeing 787-9, quase na vertical, infla a candidatura de Paulo Bauer e estimula os tucanos a liderarem uma forte aliança, pelos vínculos com a campanha presidencial.

    Poder das redes sociais

    O ex-presidente Barack Obama foi eleito e reconduzido pelas inovações e uso inteligente das redes sociais. Elas estão muito mais influentes hoje no Brasil, sobretudo, entre o eleitorado mais jovem, que tende pela renovação. Muito difícil prever que poder terão na Internet sobre as pesquisas, e na hora do voto.

    Recuperação da economia

    Os números mais recentes revelam que o crescimento da economia é uma realidade incontestável. Mas nada assegura que o anúncio de aumento de 3% do PIB e queda rápida do desemprego venha a acontecer logo. Esta circunstância tende a esvaziar o projeto do ministro Henrique Meirelles. Mesmo filiado ao PMDB e seu candidato, como se cogita, terá dificuldades de se popularizar e ser o beneficiário direto pelo fim do desastre econômico e retomada do desenvolvimento nacional.

    Inexistência de árbitros

    Durante décadas as candidaturas majoritárias em Santa Catarina eram definidas com antecedência. No início do ano os nomes já estavam em campanha, sem qualquer hipótese de mudança de sigla, com ocorre hoje. Registrava-se também a atuação das principais lideranças. O ex-governador Jorge Bornhausen, por exemplo, foi protagonista em vários pleitos, articulando-se com Esperidião Amin e Vilson Kleinübing, os líderes do PP e do PFL. No século atual, Luiz Henrique da Silveira assumiu estes poderes dentro e fora do PMDB. Hoje, falta este árbitro no comando do processo de definição de candidaturas e de formação de alianças. Até a indecisão dentro do PMDB revela uma situação singular.

    A questão da segurança pública

    Pela primeira vez na história, o tema da segurança pública deverá predominar nos debates e nas propostas de campanha. Assim, os resultados da intervenção federal no Rio de Janeiro tendem a provocar fatos novos nos Estados. Sendo positivos, oxigenam o governo Temer e garantirão dividendos ao PMDB. Fracassada a intervenção, o PMDB pagará alto preço em todos os Estados, além dos prejuízos pelo envolvimento de seus líderes na corrupção da Lava-Jato.

    Pouco tempo, muitas indefinições no Estado

    Com a redução dos prazos das convenções, antes eram entre final de junho e o início de julho, agora de 20 de julho a 5 de agosto, e do horário eleitoral gratuito, que será reduzido para 35 dias, entre 31 de agosto e 4 de outubro, a oficialização de candidaturas tem longos cinco meses. E o Estado tem esta tradição de definições na undécima hora, como ocorreu em 2010. Eduardo Moreira venceu Dário Berger na convenção para ser candidato a governador. No prazo fatal da lei, renunciou para ser candidato a vice de Raimundo Colombo.

    As alianças seguem imprecisas e se forem fortes garantem tempo de TV (força aérea), logística de apoio aos candidatos de prefeitos, vices, vereadores e militância (infantaria na rua) e caixa para a campanha.

    Em termos partidários, este ano será, também, diferente. O PT está isolado e não admite projeto comum com PMDB, seu antigo aliado. Só trabalha com hipótese de proximidade com o PP de Amin, no primeiro ou segundo turno. O PMDB sonha em reeditar a tríplice aliança com o PSD e o PSDB. Merisio e os prefeitos não admitem. Pelas estruturas, montando boa chapa, seria o favorito. A única aliança montada reúne PSD, PP, PSB, PDT e outras siglas menores.

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