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Barba, cabelo e Carol

Mulher barbeira faz sucesso no Mercado Público de Florianópolis

Caroline Festa faz amigos e clientes com seu talento

18/07/2015 - 03h04

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Por Redação NSC
Carol é barbeira no Mercado Público de Florianópolis
Carol é barbeira no Mercado Público de Florianópolis
(Foto: )

Na multidão que passa todos os dias pelas ruas do Centro de Florianópolis, no vai e vem da rua Jerônimo Coelho, caminho frequente para quem se dirige ao terminal de ônibus, o box de número 15 da Ala Norte do Mercado Público com vitrine para a rua tem chamado a atenção de quem passa um pouco mais devagar e olha para o lado.

Um ambiente retrô e agradável, com molduras variadas, tubos de cobre, espelhos de diferentes tamanhos, garrafas de uísque repletas de navalhas compõem o cenário da Barbearia do Mercado, que abriu as portas em novembro de 2014. A música enche os ouvidos e a cadeira Ferrante original restaurada aconchega. Mas são as mãos delicadas, a voz doce e a competência da barbeira Caroline Festa, de 19 anos, que estão conquistando clientes e amigos.

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O ramo é predominantemente masculino, mas Carol, como é chamada, não teve medo de arriscar. Aos 14 anos fez das tesouras e navalhas seu instrumento de trabalho. A profissão ela aprendeu em Governador Celso Ramos, onde vive com a mãe, que possui um pequeno salão e ensinou a filha.

- Eu gostava do que fazia, cortava cabelo de mulheres e homens, mas não gostava muito do ambiente de salão. Então resolvi fazer o curso de barbeiro no ano passado, e com ajuda do meu professor consegui logo o trabalho aqui - contou.

No curso, a jovem percebeu que tinha habilidade em manipular as navalhas, e com a experiência, aprimorou a técnica. Carol faz o pacote completo: barba, cabelo e bigode. Ela conta que a maior dificuldade não foi com a técnica, e sim vencer a timidez:

- Eu tive que aprender a me soltar, conversar com os clientes, pois é importante essa interação. Mas eu adoro o clima da barbearia e do Mercado. Tem bastante movimento, conheço muita gente. Mesmo quando não temos clientes, ficamos conversando.

Clientes viraram amigos

A habilidade da jovem e o jeito meigo fizeram de muitos clientes amigos, como Pedro Antônio Mayworar, 20 anos, que conheceu a menina na barbearia e mensalmente vai cortar a barba ruiva com ela. Com cuidado, ela apara com a tesoura, máquina, faz espuma com o pincel para em seguida puxar a navalha e finalizar com perfeição:

- A Carol é muito querida, desde que a conheci só faço a barba com ela, e mesmo quando ainda não está na hora de fazer eu passo aqui para conversar - conta Pedro.

A barbeira conta que esperava mais resistência do público masculino:

- Eu imaginei que ia ter mais preconceito. Já aconteceu situação de algum homem não querer fazer comigo, mas eu respeito, e foram poucas vezes. Muitos quando conhecem meu trabalho gostam e acabam virando clientes fixos, voltam e perguntam por mim. Com pouco tempo de profissão e já fazendo sucesso, a jovem diz que pretende continuar no ramo, se especializar cada vez mais e, quem sabe, um dia ter sua própria barbearia.

Barbearia tem machismo?

Em meio à ascensão de profissionais como Caroline, uma postagem de uma barbearia nas redes sociais gerou revolta entre um grupo feminista. No post da barbearia Barão da Navalha, aparece uma foto de um homem barbudo segurando uma mulher no colo como um saco de batata, somente de calcinha. As mulheres consideram a publicação machista, e comentaram na página do barbearia, que retirou a postagem do ar. Um dos sócios do Barão da Navalha, Diego Borges, explica que não houve intenção de ofender as mulheres:

- Não consideramos machista quando postamos, e conversamos com mulheres que vem acompanhar seus maridos e filhos na barbearia, que não nos falaram nada, mas achamos melhor retirar já que esse grupo se sentiu ofendido.

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