Assim que o bebê de S. nasceu, na última terça-feira, os aparelhos que a mantinham viva foram desligados. A mãe teve morte cerebral decretada em 20 de fevereiro deste ano, quando ela estava na 17º semana de gestação, mas foi mantida viva de forma artificial com autorização dos familiares, que tinham esperança de que o bebê conseguisse sobreviver. O caso ocorreu no Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC) e é considerado inédito em Portugal, de acordo com o jornal Público.

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– O bebê está com saúde perfeita _ divulgou a presidente do hospital, Ana Escoval, durante uma conferência de imprensa organizada um dia após o parto.

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A criança nasceu na 32º semana, com 2,350 quilos. De acordo com a diretora da unidade de neonatologia da maternidade do hospital, Teresa Tomé, embora seja prematuro, se tudo correr bem o bebê deve receber alta em quatro semanas. Durante a coletiva, ela informou que durante o período em que foi mantido com a mãe neste estado, o bebê passou por infecções que foram tratadas. Os primeiros exames, segundo o hospital, não indicam lesões, mas apenas em algumas semanas é que novos testes poderão verificar um possível dano cerebral.

S. tinha 37 anos e foi mãe pela segunda vez. Segundo informações do jornal espanhol El País, a mulher era paciente de oncologia e reiterou, antes de morrer, que desejava continuar com a gravidez.

O caso é considerado raro. Segundo nota divulgada pelo hospital, trata-se do período mais longo registrado em Portugal de sobrevivência de um feto em que a mãe teve morte cerebral. Ao Público, a obstetra Ana Campos, que acompanhou a mulher, contou que o tempo máximo de uma grávida em morte cerebral mantida viva é de 107 dias. No caso de S., foram 55. De acordo com um artigo científico publicado no British Medical Journal, no mundo todo houve 30 casos em que 12 bebês sobreviveram de mães que foram mantidas vivas por aparelhos.

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