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Saúde

Mulheres enfrentam problemas de saúde após rejeição de material utilizado em cirurgia 

Por ser mais barata, tela para cirurgias de hérnia é usada em procedimentos ginecológicos  

17/11/2016 - 03h40

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Por Redação NSC

Pacientes operadas em mutirões da Secretaria de Saúde de Criciúma entre 2014 e o primeiro semestre deste ano têm enfrentado problemas de saúde. O material utilizado nas cirurgias para incontinência urinária, conhecido como sling, apresentou rejeição em pelo menos 34 casos, fazendo com que as pacientes precisem de novos tratamentos. Segundo um especialista, a tela utilizada nesses casos foi a indicada para as cirurgias de hérnia, que não é a mais apropriada, e por isso algumas mulheres têm voltado aos consultórios em busca de ajuda.

A dona de casa Marinês Kaufmann, de 48 anos, foi uma das cerca de 800 mulheres que passaram pela cirurgia nos últimos três anos. Ela tem enfrentado uma maratona de consultas e exames para conseguir comprovar que as dores são resultado da rejeição do material. Para sanar o problema, Marinês deve passar por uma nova cirurgia, ainda sem data marcada.

— Hoje essa tela está rompida, ela arrebentou, está enrolada no útero onde causa dor, sangramento, deixa a bexiga mais ainda para baixo. A dor é tão insuportável que eu estou a base de morfina. Não posso erguer peso, até tonta dentro de casa eu tenho ficado. Perdi muito peso, não me alimento direito, tem um monte de coisas — lamenta.

Operada no ano passado e com dores desde março, a dona de casa Eliane Tomé Machado Meller, 48, voltou ao consultório médico algumas vezes, em busca de respostas para o desconforto que sentia. Depois de respeitar os dois meses de repouso pós-cirúrgico, ela não conseguiu retomar a vida sexual devido a dores e sangramentos. Hábitos simples como sentar, urinar, ou fazer tarefas domésticas, se tornaram um desafio para ela.

— Preciso ver como está a minha bexiga, que pode ter causado problema, antes de retirar a tela. Eu faço sozinha xixi, direto, de noite nem durmo direito, o que agravou ainda mais a minha depressão. Pensei que ia ficar melhor, fiquei pior — explica.

Segundo o médico urologista Cristiano Ribeiro, o método sling é uma cirurgia simples, que consegue curar 90% dos casos de incontinência. Ela é segura e mundialmente aplicada, porém a escolha do tipo de tela na hora de realizar o procedimento pode afetar os resultados. O material é o mesmo, polipropileno, mas a espessura e a especificação de cada marca fazem a diferença.

— Se confecciona a partir de uma gramatura específica, para que não tenha risco de machucar e de expulsão. A escolha do material realmente faz diferença no resultado final das pacientes — explica o especialista.

Tela é fornecida pelo SUS, justifica secretário

A tela utilizada nas cirurgias é indicada para outros procedimentos e apontada por alguns profissionais como inadequada. Ela é do mesmo material dos modelos importados e de qualidade superior, porém mais grossa, o que pode estar prejudicando o resultado. O valor fica entre R$ 1,4 mil e R$ 1,6 mil por paciente, contra R$ 800 da outra, e pode ser cortada e usada em até dez procedimentos.

Segundo o secretário de Saúde de Criciúma, Victor Benincá, essa é a tela fornecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No começo do ano, foi feito o pedido para comprar as telas específicas, que a secretaria foi buscar na rede privada. Segundo Benincá, essa decisão foi para melhorar a vida dos pacientes e nada tem a ver com a rejeição.

— É a mesma tela usada no processo para hérnias abdominais e inguinais. Hoje a secretaria buscou no mercado privado uma tela melhor, mais específica para esses casos (do sling).

A ginecologista Dilvânia Nicoletti, que realiza as cirurgias desde 2014, diz que vai atender todas as pacientes que tiveram algum problema e retirar a tela, se necessário. Ela disse ainda que complicações podem acontecer nas pacientes que são operadas usando outros tipos de tela.

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