A falta de segurança nas trilhas de acesso às praias de Florianópolis foi tema de uma audiência pública na noite dessa quinta-feira (7) na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). Durante a audiência, o comandante da Guarda Municipal de Florianópolis, Andrey de Souza Vieira, falou sobre a instalação de câmeras de segurança na cidade.

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Instalá-las nas praias, no entanto, depende que os locais tenham ponto de energia elétrica e internet. A Secretaria de Segurança e Ordem Pública deve avaliar a instalação dos equipamentos nos locais estratégicos.

O assunto central foi a falta de segurança para as mulheres, após casos de crimes sexuais virem à tona. Este ano, no dia 8 de março (Dia Internacional da Mulher), uma menina de 9 anos foi estuprada no Campeche, Sul da Ilha.

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Durante a audiência, a mãe da menina falou sobre a demora entre o fato e a prisão do suspeito. Um dos problemas enfrentados foi, justamente, a falta de câmeras no local.

Encaminhamentos a partir da audiência

O deputado que propôs o encontro, Marcos José de Abreu, o Marquito (PSol), apontou encaminhamentos da audiência. Entre eles, a distribuição de material educativo sobre o tema; integração dos sistemas de câmera de monitoramento para facilitar a investigação de possíveis crimes; funcionamento 24 horas das Delegacias de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI); aprimoramento dos agentes de segurança para o atendimento correto das vítimas de crimes sexuais; além da realização de um seminário amplo sobre o tema.

Subnotificação dificulta planejamento, diz tenente da PM

Na audiência, o tenente-coronel Andre Rodrigo Serafin, comandante do 4° Batalhão de Polícia Militar, que atua no Centro, Leste e Sul da Ilha, citou a subnotificação como uma dificuldade para o planejamento do policiamento e investigações.

Ele reforçou que a corporação deve contratar mais atendentes para o telefone 190, como forma de aprimorar o atendimento telefônico das ocorrências, e ainda citou o aplicativo PMSC Cidadão, que também auxilia no registro de ocorrências.

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A defensora pública estadual, Lorena Cordeiro de Oliveira, também destacou a necessidade do registro da ocorrência e comentou que o sistema de atendimento às vítimas ainda apresenta falhas.

— Nosso sistema de justiça funciona a partir de provas — afirmou. — Já avançamos no peso da palavra da vítima, mas as vítimas ainda são muito desacreditadas. Há também uma demora no processo, que causa a sensação de impunidade.

Mariana Coutinho Hennemann, da Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis (Floram), lembrou que boa parte das trilhas de acesso às praias estão em unidades de conservação geridas pela fundação, que está concluindo os planos de manejo dessas áreas.

— Teremos o mapeamento dos acessos, que vai permitir fechar caminhos alternativos às praias, que são muito propícios a esses crimes — disse. — Com o manejo, também podemos buscar parcerias com a sociedade civil para melhorar a segurança dessas trilhas.

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