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Cultura

Museu de Arte de Joinville faz 40 anos e mostra seus tesouros em exposição

"Olhar Estrangeiro" será aberta neste sábado com um recorte generoso do rico acervo

12/08/2016 - 15h27 - Atualizada em: 12/08/2016 - 15h28

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Por Redação NSC
Machado redescobriu artistas durante recuperação de acidente
Machado redescobriu artistas durante recuperação de acidente
(Foto: )

Existe um tesouro nas dependências do Museu de Arte de Joinville (MAJ). Um tesouro formado por pinturas, esculturas, desenhos e gravuras, das mais diversas procedências e ramificações artísticas, reunido ao longo dos 40 anos de existência do museu. Não é sempre que essa riqueza, guardada em salas devidamente climatizadas, vem ao encontro do público. Uma dessas raras ocasiões será neste sábado, quando será inaugurada a exposição "Olhar Estrangeiro", um recorte generoso com 60 obras retiradas da reserva técnica (que fica na Cidadela Cultural), muitas delas jamais exibidas publicamente.

A escolha das obras da exposição - uma das programações de aniversário do MAJ - nada tem de aleatória. Pela primeira vez, uma volta pelos mais de 500 itens do acervo ganha contexto internacional, providenciado pelo artista, curador e primeiro diretor do museu (entre 1976 e 1979) Edson Machado, atualmente diretor de Cooperação e Cultura Internacional no governo do Estado. Sob uma ótica voyeurista, ele pinçou "estrangeiros que pintam cenas e fatos em seus países de origem, desenhadores sem fronteiras que registram situações sob o legado de suas heranças, nativos viajantes atemporais que interpretam territórios distantes sob novas e inusitadas percepções".

É assim que vêm à tona desenhos, pinturas, gravuras, esculturas e instalações de criadores do Japão, Itália, Bélgica, Alemanha, França, Suíça, Austrália, Canadá, Israel, China, Cuba, Reino Unido, Polônia, Argentina, México, Espanha, Portugal e Iugoslávia, entre outros países. Artistas catarinenses que viveram ou estudaram no exterior, como Rubens Oestroem, Elke Hering, Marcos Rück, Marcos D?Aquino, Juarez Machado e Sílvio Pléticos, também fazem parte da exposição.

Ainda se recuperando de um acidente sofrido na Grécia, há poucos meses, Machado concedeu entrevista para "A Notícia":

Que critérios você usou para selecionar as obras? Explique melhor esse recorte.

Edson Machado - Os critérios são amplos, mas balizados em dois pilares: o da memória das localidades, dos países, das pessoas, da cultura, das cidades daqueles artistas que nasceram em outros países. São imagens que representam essas experiências adquiridas. E as novas interpretações daqueles artistas viajantes que beberam em alguma fonte em outros países, viveram em outras cidades, estudaram lá e trouxeram estes novos olhares de estrangeiros para a sua arte. Não apenas geográfica, mas antropológica interpretação. Isso está presente na arte desses artistas, assim como podemos observar na literatura, música etc.

Que tipo de surpresa essa exposição provocará no público?

Machado - A exposição não visa a espetacularizar o acervo, embora a seleção seja bastante eclética, nem sua montagem exige malabarismos do público. O objetivo é fazer o público observar com atenção e particularidade (daí que o olhar de cada um também é importante) um conjunto de obras sob uma leitura curatorial. Poderá haver muitas outras, é importante salientar. Com Olhar Estrangeiro, pretendo, como curador, contextualizar parte do acervo dos museus de arte de Santa Catarina, a começar pelo MAJ, num circuito mundial até agora tímido, com obras na reserva técnica. Isto pode causar alguma surpresa nos mais sensíveis e informados.

Desse recorte, quem você destacaria como merecedor de uma reavaliação ou descoberta?

Machado - Durante o período que fiquei imobilizado em cadeira de rodas por causa do acidente na Grécia, redescobri nomes importantes entre quase 600 obras. Marcos D'Aquino é um pintor joinvilense pouco conhecido na cidade natal, mora em Lyon, na França, e trabalha com encáustica, técnica milenar; Heilmar Lorenz é um pintor que nasceu na Alemanha e autor dos bonitos vitrais que decoram a Catedral de Joinville; Luiz Jasmim, um desenhista carioca que conviveu com o mestre Salvador Dalí na Europa; Fernando Velloso, que estudou com o francês Fernand Legér; Estanislau Traple, que ainda hoje tem familiares em Joinville e pintou aqui inúmeros belos retratos de família.

Há muito ainda por a ser visto e descoberto nesse acervo do MAJ?

Machado - O acervo do MAJ é rico para quem o conhece e o respeita. Por isso, a exposição é aberta ao público destas obras. Mais pessoas poderão conhecer e respeitar. O acervo é múltiplo, tem inúmeras leituras conceituais. E Olhar Estrangeiro propõe isto. Mas também destaca seu valor monetário de uma coleção, seja pública ou privada, e tenta conscientizar seus mantenedores governantes na preservação do patrimônio, assim com colecionadores ou apenas apreciadores das artes.

O QUÊ: exposição "Olhar Estrangeiro".

QUANDO: abertura neste sábado, às 10 horas. Visitação até 28 de agosto.

ONDE: Museu de Arte de Joinville (MAJ), rua 15 de Novembro, 1.400, América.

QUANTO: gratuito.

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