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Meio ambiente 

Mutirão de limpeza recolhe 800 quilos de lixo nas ilhas da Baía da Babitonga 

Ação foi realizada em alusão ao Dia Mundial do Meio Ambiente na manhã desta terça-feira em São Francisco do Sul 

05/06/2019 - 19h39 - Atualizada em: 06/06/2019 - 09h01

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Hassan
Por Hassan Farias
(Foto: )

Um mutirão reuniu estudantes de universidades, professores, integrantes de projetos ambientais e outras instituições como Bombeiros Voluntários, Marinha e Polícia Militar para realizar a limpeza de oito ilhas situadas na Baía da Babitonga, na região Norte de Santa Catarina. A ação aconteceu durante a manhã desta quarta-feira como parte da programação de São Francisco do Sul para a Semana Mundial do Meio Ambiente.

Foram coletados 800 quilos de resíduos nas ilhas, entre pequenos plásticos, garrafas pet, além de objetos maiores como fogão, estante de metal, cadeira plástica e mola de colchão. A limpeza das ilhas acontece durante todo o ano, mas a ação realizada no Dia Mundial do Meio Ambiente buscou chamar a atenção da população para a importância de preservação das áreas naturais, sobretudo a Baía da Babitonga, que é abrigada por seis cidades da região.

Os voluntários saíram de barco da região do Centro Histórico de São Francisco do Sul e realizaram a limpeza durante aproximadamente três horas. Cada barco voltou com sacos cheios de resíduos que são deixados nas ilhas por turistas ou são originários de embarcações, da ausência de coleta seletiva e tratamento de esgoto.

Foram coletados 800 quilos de resíduos nas ilhas
Foram coletados 800 quilos de resíduos nas ilhas
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A professora aposentada e integrante do Clube de Desbravadores Cruzeiro do Sul, Magda Canabarro Vidal, foi uma das voluntários que participaram do mutirão. Ela trabalha com a conscientização social e ambiental de crianças e adolescentes no clube e viu a ação como uma oportunidade de fazer a diferença.

— Nós encontramos bastante coisa na ilha. Achamos incrível porque as pessoas deveriam ter essa conscientização. Se eles vêm aqui acampar e aproveitar esse ambiente, também deveriam cuidar e preservar. É uma responsabilidade de todos e não apenas dos ambientalistas ou da Prefeitura.

O secretário de meio ambiente de São Francisco do Sul, Gabriel Daniel Conorath, destacou a importância do envolvimento de representantes de Balneário Barra do Sul, Itapoá e Joinville na ação de limpeza. Segundo ele, 66% da Baía da Babitonga pertencem ao município francisquence. O restante faz parte das demais cidades da região.

— É uma responsabilidade de todos. Um compromisso coletivo que cada munícipe que vive no entorno da Baía e aqueles que nos visitam também de somar nessa estratégia de cuidar e de conscientização — destacou.

O secretário salientou que a separação dos resíduos recicláveis é um problema de todo o Brasil e se cada pessoa separar o seu resíduo vai ajudar o meio ambiente e as cidades da região. Segundo ele, aquilo que o morador não cuida dentro de casa pode acabar nas águas da Baía da Babitonga e ajudar a causar problemas graves para diversas espécies que vivem no local.

Além do mutirão de limpeza, a Secretaria do Meio Ambiente também vai participar neste sábado de uma caminhada internacional da natureza. Os interessados em fazer parte da ação podem comparecer no Parque do Acaraí, às 9 horas.

Baía da Babitonga é berçário de diversas espécies

O professor Cláudio Tureck, do departamento de biologia marinha da Univille, participou do mutirão durante a manhã desta terça-feira em São Francisco do Sul. Ele salientou a importância de chamar a atenção para os cuidados com a Baía da Babitonga, um ecossistema muito importante para a reprodução e manutenção das espécies marinhas.

Segundo ele, 70% dessas espécies dependem de regiões de estuário como a Baía da Babitonga para se reproduzir, com o desenvolvimento de ovos e larvas e das formas jovens de moluscos, crustáceos e peixes. Além disso, também é importante para a reprodução de pássaros e aves migratórias.

Os voluntários saíram de barco da região do Centro Histórico de São Francisco do Sul e realizaram a limpeza durante aproximadamente três horas.
Os voluntários saíram de barco da região do Centro Histórico de São Francisco do Sul e realizaram a limpeza durante aproximadamente três horas.
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Tureck ressaltou que a baía vem sofrendo vários tipos de pressões durante as últimas décadas, desde o fechamento do Canal do Linguado há cerca de 80 anos, passando pelo lançamento de efluentes industriais até o problema da falta de saneamento básico das cidades.

Um projeto da Univille de monitoramento na baía já encontrou diversos organismos mortos por toda a parte, desde Itapoá até o Balneário Barra do Sul. São encontradas grandes quantidades de plástico no estômago de tartarugas, por exemplo. Elas observam o material no ambiente e confundem com os alimentos, ingerindo o lixo e causando a morte.

— Chegamos a encontrar um quilo de plástico dentro do estômago de uma única tartaruga — contou.

O professor ressaltou a importância do debate sobre a preservação da Baía da Babitonga, já que o ambiente natural tem impacto em diversas atividades, entre elas a portuária, náutica, turística, além da pesca e maricultura. Isso evidencia a importância não apenas ecológica, ms também econômica desse ecossistema.

— A pergunta que temos de fazer é qual a Babitonga nós vamos deixar para as futuras gerações — completou.

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