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Pandemia

"Nada justifica retorno às aulas presenciais em SC", diz epidemiologista

Professor da UFSC aponta falta de estratégia de testagem e de procedimentos no caso de surgirem infectados nas escolas

25/11/2020 - 12h49

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Juliana
Por Juliana Gomes
Volta às aulas é polêmico durante a pandemia
Volta às aulas é polêmico durante a pandemia
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No momento mais grave da pandemia do coronavírus em Santa Catarina, não há condições para o retorno das aulas presenciais, na avaliação do ex-reitor da UFSC, doutor em epidemiologia, Lúcio Botelho. 

Nesta quarta-feira (25), a secretaria de Estado da Saúde atualizou o mapa de risco e classificou 13 regiões em nível gravíssimo para transmissão da doença, a situação mais crítica desde março. 

- Não há nada que justifique o retorno às aulas presenciais nesse momento. A falta da escolaridade é uma tragédia social, nós defendemos isso com muita força, só que nós tivemos oito meses para preparar toda uma estrutura e agora passamos a responsabilidade de decidir se há estrutura para diretores de escola. Nós não preparamos as escolas pro retorno que esperamos que tenham - afirmou Botelho. 

Ouça entrevista:

Para o professor da UFSC Lúcio Botelho, desde o surgimento dos primeiros casos, faltaram ações efetivas do governo federal e o Estado transferiu a responsabilidade pela crise aos municípios. Com isso, agora para retomar as aulas presenciais, falta uma estratégia de testagem, de vigilância e de procedimentos no caso surgirem infectados entre alunos, professores, funcionários e familiares. 

- Pra mim, é fundamental que a gente entenda que o momento é gravíssimo, apostando no isolamento social, medidas proibitivas. Sabemos que tem impacto econômico, mas esse impacto pode ser muito maior. Estamos discutindo gente, futuro - afirmou. 

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Botelho destacou também que a flexibilização das medidas sanitárias impactou no aumento do número de contaminados e pode causar mais mortes em Santa Catarina. 

- A pandemia veio com maior gravidade, porque as pessoas estão muito expostas. Quando eu digo que estamos com um risco de transmissão de 1.3 e temos 24 mil casos ativos, significa que potencialmente, 31 mil pessoas mais estão contaminadas e vão ser mais 400 mortes. Enquanto estiver o risco de transmissibilidade acima de 1 não vamos conseguir parar a pandemia - declarou o professor. 

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