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Projeção

"Não deve criar pânico, mas acender um alerta", diz Defesa Civil de Joinville sobre nível do mar

Bairros de Joinville, Tubarão e Tijucas podem ser atingidos pela alta do nível do mar, conforme projeção de ONG internacional  

20/11/2019 - 16h31 - Atualizada em: 20/11/2019 - 19h06

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Lucas
Por Lucas Paraizo
Joinville já sofre com efeitos da maré alta atualmente
Joinville já sofre com efeitos da maré alta atualmente
(Foto: )

A previsão de inundações mais frequentes causadas pela alta do nível do mar na costa catarinense nas próximas décadas deve ser levada com cautela, segundo representantes da Defesa Civil dos municípios na área de risco apontada pela nova pesquisa da ONG internacional Climate Central. O estudo mostra bairros inteiros de cidades como Joinville, Tijucas e Tubarão que podem ser engolidos pelo mar caso as projeções de efeitos do aquecimento global se concretizem até 2050.

Coordenador de prevenção da Defesa Civil de Joinville, uma da cidades que seriam mais afetadas conforme o estudo, o engenheiro ambiental Maiko Richter afirma que o assunto é monitorado pelo município há alguns anos, visto que a cidade já sofre atualmente com inundações causadas pela maré.

— A modelagem para áreas suscetíveis está dentro do planejamento urbano de Joinville. Esse estudo não deve criar pânico, mas sim acender um alerta para aprofundar essa discussão da região costeira. Os desastres estão mais frequentes e intensos, a Defesa Civil tem que ter isso em mente. Os problemas tendem a aumentar e temos que criar capacidade de resiliência das cidades — afirma.

Especialista em recursos hídricos na Defesa Civil de Joinville, Robison Negri pondera também que sistemas de prevenção ao avanço das marés não são viáveis economicamente e tecnicamente na região. Para o município, o foco deve estar em medidas não estruturais como a fiscalização das áreas de risco, proibição de novas construções irregulares e preparação dos moradores que já moram em terras com risco de inundação.

— De modo geral a comunidade científica procura ser um pouco mais resguardada com esse assunto, não tão alarmista, pois não há um consenso em relação a esses efeitos. Caso essas previsões se concretizem, um caminho é com políticas de segurança para esses moradores, com sistemas de alerta, rotas seguras e adequações nas novas construções — explica Negri.

Em Tubarão, onde o monitoramento dos pesquisadores aponta uma das maiores manchas vermelhas do Estado, a Defesa Civil municipal foca os esforços em um plano de contingência para desastres como inundações e enchentes. O documento foi atualizado no ano passado e é disponibilizado aos moradores através do site da prefeitura.

— O município está preparado para realizar o enfrentamento de casos de inundação com o plano de contingência. Ele aponta rotas de fuga, telefones de emergência e estruturas de abrigos que temos na cidade — explica Gestor-Coordenador de Proteção e Defesa Civil da prefeitura de Tubarão, Murilo Ribeiro.

A cidade também possui dois estudos recentes sobre riscos de inundação. Um foi entregue ao município recentemente através da Defesa Civil do Estado, com cartas de inundação que trazem as manchas de risco num período de 2 a mil anos, sem considerar as marés, e outro estudo foi contratado pela própria prefeitura para atualizar as manchas com a influência de maré e chuva. Esses estudos, segundo Ribeiro, servem para atualizar o plano contingência e trazer mais detalhes ao planejamento da Defesa Civil.

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